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Cientistas transformam restos de madeira em “espuma” que pode substituir plástico e agora querem produzir 15 mil toneladas por ano do material
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 27/08/2026 às 15:50
Ciência e Tecnologia
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Tecnologia criada em laboratório da UBC já entrou em produção em Vancouver e transforma resíduos de madeira em embalagens e painéis de isolamento
Restos de madeira de atividades florestais e até de áreas atingidas por incêndios estão ganhando um destino inesperado no Canadá. Uma nova fábrica-piloto em Vancouver começou a transformar esse material em uma “espuma de madeira” leve e biodegradável, criada para substituir produtos feitos com espuma plástica, conforme informações publicadas pela University of British Columbia (UBC).
A tecnologia chama atenção por outro motivo. Quando usada em embalagens, a espuma foi projetada para se decompor no solo em poucos meses. Enquanto isso, algumas espumas plásticas descartadas podem permanecer em aterros por mais de 500 anos.
Além disso, o material não serve apenas para proteger produtos dentro de caixas. A fábrica também produz painéis de isolamento para a construção civil. Portanto, aquilo que poderia virar descarte florestal passa a ter aplicações em dois mercados diferentes.
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Restos de madeira entram na fábrica e saem como blocos de espuma
O processo começa com madeiras macias, como abeto, pinheiro e fir, uma espécie de conífera comum na América do Norte.
Depois, a fábrica utiliza calor, processamento mecânico e quantidades mínimas de aditivos químicos para transformar as fibras em um material leve.
O resultado lembra as espumas utilizadas em embalagens.
Porém, a matéria-prima vem da madeira.
Assim, resíduos provenientes da exploração florestal ou de incêndios podem ganhar valor em vez de simplesmente serem queimados ou descartados.
A tecnologia nasceu no laboratório do professor Feng Jiang, da Faculdade de Silvicultura e Gestão Ambiental da UBC. Agora, ela atravessa justamente uma das etapas mais difíceis para qualquer inovação: sair do laboratório e funcionar em escala industrial.
Espuma foi projetada para desaparecer no solo em meses
Essa característica pode ser o maior diferencial do produto.
Em aplicações de embalagem, a espuma de madeira foi desenvolvida para se decompor no solo dentro de alguns meses.
Por outro lado, a UBC afirma que milhões de toneladas de embalagens de espuma plástica chegam aos aterros todos os anos.
Algumas podem persistir nesses locais durante mais de cinco séculos.
Portanto, o projeto tenta atacar dois problemas simultaneamente.
De um lado, existe o resíduo florestal.
Do outro, existe a enorme quantidade de plástico utilizada para proteger produtos durante armazenamento e transporte.
A proposta conecta os dois.
O resíduo de uma indústria vira matéria-prima para tentar substituir um material problemático em outra.
Fábrica já produz até 200 quilos por dia
A tecnologia não está apenas em testes dentro de uma universidade.
A fábrica-piloto da DicinFoam já opera em Vancouver.
Atualmente, a unidade consegue fabricar entre 150 e 200 quilos de espuma de madeira por dia.
Essa escala ainda é pequena diante de uma grande operação industrial.
Entretanto, ela cumpre uma função essencial.
Com a produção-piloto, potenciais compradores podem receber o material, testar seu desempenho e avaliar possíveis aplicações comerciais.
Ao mesmo tempo, os responsáveis conseguem validar o processo produtivo antes de construir unidades muito maiores.
Esse caminho reduz parte do risco de transformar uma descoberta científica em uma operação industrial.
Próxima fábrica poderá produzir 1.000 toneladas por ano
Se a etapa atual funcionar como esperado, a escala mudará rapidamente.
A próxima fase prevê uma instalação maior em Burns Lake, dentro do território Wet’suwet’en.
A meta será alcançar 1.000 toneladas de espuma biodegradável por ano.
Além disso, essa unidade deverá funcionar como parte de um polo de inovação ligado à floresta.
A expectativa é criar até 15 empregos na comunidade rural.
Porém, existe um plano ainda maior.
Projeto mira fábrica de 15 mil toneladas na Ilha de Vancouver
Depois da instalação de Burns Lake, os responsáveis pretendem dar outro salto.
O projeto prevê uma fábrica com capacidade de 15 mil toneladas por ano na Ilha de Vancouver.
Isso representa 15 vezes a capacidade anual planejada para a etapa de Burns Lake.
Além disso, a expansão poderá gerar entre 35 e 60 empregos adicionais, segundo a UBC.
Assim, o projeto segue uma estratégia gradual. Primeiro, laboratório, depois, fábrica-piloto.
Em seguida, 1.000 toneladas anuais.
Por fim, uma operação projetada para alcançar 15 mil toneladas por ano.
Essa progressão permitirá testar tanto a tecnologia quanto o mercado antes do maior investimento.
Projeto é liderado em parceria com comunidade indígena
Existe ainda outro aspecto importante na história.
A fábrica-piloto é operada pela DicinFoam, subsidiária controlada majoritariamente pela Yinka Dene Economic Development Limited Partnership, braço empresarial da Primeira Nação Wet’suwet’en.
Inclusive, “Dicin” significa madeira na língua Wet’suwet’en.
A propriedade intelectual da tecnologia pertence conjuntamente à UBC e à organização indígena.
Portanto, não se trata apenas de transferir uma tecnologia universitária para uma empresa convencional.
O projeto busca criar uma cadeia econômica na qual comunidades indígenas participem diretamente da comercialização e expansão da inovação.
Além disso, estudantes indígenas poderão receber treinamento em desenvolvimento de materiais sustentáveis e negócios.
Dois trabalhadores já treinam para levar a tecnologia para outra região
Essa expansão já começou a preparar profissionais.
William Dennis e Shaun Dennis, integrantes da Huu-ay-aht First Nation, estão recebendo treinamento na fábrica de Vancouver.
A ideia é que esse conhecimento ajude nas futuras operações mais próximas de suas comunidades.
Assim, a transferência de tecnologia não acontece apenas entre universidade e indústria.
Ela também envolve formação profissional.
Esse ponto será particularmente importante caso a produção avance para as milhares de toneladas previstas.
Afinal, ampliar uma nova geração de materiais exige equipamentos, processos industriais e trabalhadores treinados.
Material também pode virar isolamento para construções
As embalagens são apenas uma das aplicações.
A fábrica também produz painéis de isolamento tratados para atender aos requisitos de desempenho da construção civil.
Isso abre uma segunda possibilidade comercial.
Em vez de disputar somente o mercado de embalagens, a espuma de madeira pode entrar no setor de materiais de construção.
Segundo a UBC, o Canadá atualmente depende fortemente de produtos importados nesse segmento de materiais à base de madeira.
Consequentemente, uma produção doméstica em grande escala poderia atender também essa demanda.
Porém, o projeto ainda está em processo de expansão e validação.
A própria fábrica-piloto existe justamente para comprovar desempenho, validar o processo produtivo e desenvolver o mercado antes das etapas maiores.
Resíduo de incêndios florestais pode virar matéria-prima
Talvez um dos pontos mais curiosos esteja na origem da madeira.
A tecnologia pode utilizar resíduos provenientes de atividades florestais e incêndios.
Parte desse material poderia acabar descartada ou queimada.
Agora, existe a possibilidade de transformá-lo em um produto comercial.
Essa lógica faz parte da chamada bioeconomia.
Em vez de extrair uma matéria-prima apenas para descartá-la depois, empresas tentam aproveitar uma parcela maior dos recursos disponíveis.
No caso canadense, a equação é especialmente interessante:
resíduo florestal → fibra de madeira → espuma biodegradável → embalagem ou isolamento.
Uma descoberta de laboratório agora enfrenta seu maior teste
A espuma de madeira ainda precisa provar que consegue competir comercialmente em grande escala.
Entretanto, uma etapa importante já aconteceu.
A tecnologia saiu do laboratório e entrou em uma linha de produção real.
Hoje, são 150 a 200 quilos por dia.
Depois, o plano prevê 1.000 toneladas por ano.
Mais adiante, a capacidade poderá alcançar 15 mil toneladas anuais.
Se essa expansão funcionar, resíduos de pinheiros, abetos e outras madeiras poderão ganhar uma função completamente diferente.
Em vez de serem queimados ou descartados, poderão virar embalagens biodegradáveis e materiais para construção.
E, no caso das embalagens, existe uma diferença decisiva: enquanto determinadas espumas plásticas podem permanecer no ambiente durante séculos, a alternativa de madeira foi projetada para desaparecer no solo em questão de meses.
Fonte
News UBC
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

