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Costureira passa anos entre linhas, tecidos e panos de prato para ajudar a bancar Medicina do filho, que vende as peças nas ruas de Volta Redonda, conclui o curso e hoje trabalha como médico
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 08/08/2026 às 19:35
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Entre costura, vendas nas ruas e uma rotina universitária exigente, mãe e filho construíram uma trajetória marcada por distância, esforço financeiro e persistência, enquanto objetos simples do cotidiano passaram a ocupar papel decisivo na busca por uma formação profissional.
Maria José de Oliveira, conhecida como Dona Zezé, transformou o trabalho com tecidos e panos de prato em parte do esforço para manter o filho Fhellipe Menezes na faculdade de Medicina, enquanto ele buscava permanecer no curso longe da família.
Separados por mais de mil quilômetros, os dois organizaram uma rotina em que ela confeccionava as peças em Brasília e ele conciliava os estudos com as vendas pelas ruas de Volta Redonda, no Sul Fluminense, onde cursava a graduação.
Ao fim dessa trajetória, o objetivo perseguido pela família foi alcançado: Fhellipe concluiu Medicina e passou a trabalhar como médico, depois de atravessar um período em que estudo, despesas e busca por renda precisaram caminhar simultaneamente.
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Segundo a TV Rio Sul, que acompanhou a história em diferentes momentos, os panos produzidos pela mãe eram enviados de Brasília para Volta Redonda, onde o estudante os vendia para complementar os recursos necessários à permanência na cidade e na faculdade.
Panos de prato ajudaram a manter estudante de Medicina em Volta Redonda
Antes de chegar ao diploma, Fhellipe havia deixado Unaí, em Minas Gerais, para estudar Medicina em Volta Redonda, mudança que acrescentou à rotina acadêmica despesas com moradia, alimentação e outros custos cotidianos de quem passa a viver distante da família.
Para reforçar a renda, o estudante começou a levar às ruas os panos de prato confeccionados pela mãe, oferecendo as peças a compradores e aproveitando também os intervalos disponíveis entre as atividades da graduação para tentar ampliar as vendas.
Longe de funcionar apenas como uma atividade ocasional, a comercialização formou uma clientela que conhecia sua trajetória e comprava as peças enquanto Fhellipe procurava equilibrar aulas, horas de estudo e a necessidade de conseguir recursos para continuar no curso.
Em uma das situações registradas pela emissora, uma cliente chegou a comprar R$ 300 em panos de prato de uma só vez, movimento que exemplificou como pessoas que conheciam sua história passaram a contribuir diretamente por meio das compras.
Enquanto o filho circulava por Volta Redonda em busca de clientes, Dona Zezé permanecia em Brasília participando da mesma dinâmica, produzindo os artigos que posteriormente seriam transportados até o Rio de Janeiro e transformados em renda pelo estudante.
Em vez de limitar sua participação ao envio de dinheiro, a mãe contribuía com o próprio trabalho manual, formando uma sequência que unia costura, transporte, venda e manutenção da vida universitária em duas cidades separadas por uma longa distância.
Faculdade, vendas e uma rotina construída longe da família
A rotina ganhou projeção quando uma equipe da TV Rio Sul acompanhou Fhellipe durante um dia de estudos e vendas, registrando o universitário enquanto circulava com os produtos confeccionados pela mãe e tentava encontrar compradores sem abandonar os compromissos acadêmicos.
Além da movimentação pelas ruas, a reportagem apresentou a relação mantida com Dona Zezé, que continuava morando em outra cidade e acompanhava à distância o esforço do filho para permanecer na graduação e avançar em direção ao diploma de Medicina.
Com a repercussão da história, professores, colegas e compradores também passaram a integrar aquele cenário, enquanto mensagens de apoio e compras realizadas por pessoas sensibilizadas ajudavam a fortalecer a rede formada em torno da permanência do estudante no curso.
Aquilo que começou como uma alternativa prática para complementar o orçamento ganhou uma dimensão maior, porque a venda dos panos passou a conectar a produção feita pela mãe ao esforço diário do filho para não interromper sua formação universitária.
De acordo com o relato de Dona Zezé à TV Rio Sul, a Medicina já fazia parte dos planos de Fhellipe desde a infância, embora as dificuldades financeiras tenham transformado a concretização desse objetivo em uma jornada marcada por desafios acadêmicos e materiais.
Além de acompanhar aulas e cumprir as exigências próprias da graduação, o jovem precisava encontrar formas de garantir os recursos necessários para continuar vivendo em Volta Redonda, mantendo uma rotina em que estudo e obtenção de renda passaram a coexistir.
Trabalho da mãe acompanhou o caminho até o diploma
Nesse contexto, objetos comuns como os panos de prato ganharam uma função incomum na trajetória familiar, pois deixaram de representar apenas produtos confeccionados artesanalmente e passaram a compor uma fonte de recursos diretamente ligada à continuidade da formação médica.
Cada peça começava nas mãos de Dona Zezé, em Brasília, precisava percorrer a distância até Volta Redonda, encontrar um comprador e contribuir para as despesas de uma rotina universitária mantida longe da casa e do apoio presencial da mãe.
Quando a emissora voltou a procurar a família anos depois da primeira reportagem, encontrou uma situação diferente daquela registrada durante o período de vendas, pois Fhellipe já havia concluído Medicina e aparecia agora na condição profissional que havia buscado durante a graduação.
A mudança permitiu colocar lado a lado duas etapas da mesma história: de um lado, o estudante carregando panos de prato para complementar a renda; do outro, o médico formado exercendo a profissão que havia perseguido desde os primeiros anos de vida.
Outra confirmação dessa transformação apareceu em uma experiência relatada pelo apresentador Rovany Araújo, que havia participado da cobertura inicial e, algum tempo depois, reencontrou Fhellipe em circunstâncias completamente diferentes daquelas registradas durante a faculdade.
Ao recordar reportagens marcantes da TV Rio Sul, o comunicador contou que precisou realizar um exame periódico e acabou sendo atendido justamente por Fhellipe, agora como médico, anos depois de tê-lo acompanhado enquanto vendia os produtos feitos pela mãe.
Formatura marcou a realização do projeto mantido pelos dois
No momento da formatura, a ligação entre o diploma e o esforço realizado por Dona Zezé voltou a ocupar o centro da história, principalmente quando mãe e filho puderam associar o resultado acadêmico aos anos em que mantiveram aquela estratégia a distância.
Dona Zezé relatou à emissora que, ao receber o documento, o filho olhou para ela e declarou “É da senhora, mamãe!”, frase que vinculou diretamente a conquista profissional ao trabalho realizado pela mãe durante o período de formação.
Para a família, aquele momento reuniu em um único gesto diferentes etapas de uma trajetória construída entre cidades distintas, na qual a produção artesanal feita em Brasília ajudava a sustentar a tentativa de permanecer na universidade localizada em Volta Redonda.
Fhellipe também contou que uma das imagens mais marcantes daquele dia foi observar a reação da mãe diante da conclusão do curso, colocando a felicidade de Dona Zezé entre os elementos mais significativos associados à obtenção do diploma.
Ao longo de toda a graduação, a distância permaneceu como parte daquela organização familiar, exigindo que os panos fossem produzidos em uma cidade e comercializados em outra, enquanto o filho transformava o trabalho da mãe em renda para despesas universitárias.
Essa dinâmica combinava produção manual, transporte das peças, busca por compradores e dedicação acadêmica, fazendo com que uma atividade cotidiana de Dona Zezé permanecesse diretamente ligada ao projeto profissional perseguido por Fhellipe durante os anos de formação.
Depois do diploma, os panos de prato passaram a fazer parte da memória de uma etapa em que mãe e filho encontraram no trabalho uma maneira de sustentar o projeto universitário até que o estudante finalmente pudesse exercer a profissão desejada.
Se produtos tão simples do cotidiano conseguiram ocupar um papel tão importante na trajetória de uma família até a formação em Medicina, quantas outras histórias de estudo, trabalho e esforço familiar continuam acontecendo longe dos holofotes pelo Brasil?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

