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Durante uma turnê no Brasil, Lenny Kravitz conheceu uma antiga plantação de café do século XVIII, ficou 6 meses no local, voltou 2 anos depois para comprá-la e passou quase uma década transformando os casarões coloniais em um refúgio onde arte, design brasileiro e memória familiar ocupam o interior do Rio
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 08/08/2026 às 19:30
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Visita inesperada a uma propriedade histórica mudou os planos de Lenny Kravitz e iniciou uma transformação que atravessou anos, reunindo arquitetura colonial, criação artística, objetos raros e lembranças familiares em um cenário rural brasileiro que conquistou espaço importante na vida do músico.
Uma passagem que deveria ser breve acabou mudando a relação de Lenny Kravitz com o Brasil, depois que o músico conheceu uma antiga propriedade cafeeira no estado do Rio de Janeiro e encontrou ali o ponto de partida para um projeto pessoal duradouro.
Durante uma turnê pelo país, Kravitz permaneceu seis meses no local e, dois anos depois, retornou para comprá-lo, iniciando uma transformação que avançaria por quase uma década sem apagar a identidade histórica das construções existentes na propriedade rural.
Ligada originalmente a uma plantação de café do século XVIII, a área reúne construções rurais de estilo colonial português erguidas posteriormente, incluindo estruturas datadas do século XIX que permaneceram como base arquitetônica para as intervenções realizadas durante os anos seguintes.
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Segundo a Architectural Digest, principal fonte das informações sobre o projeto, o encontro com a propriedade ocorreu quando Kravitz já estava prestes a deixar o Brasil depois de uma turnê e recebeu de um amigo um convite inesperado para conhecer a região.
Lenny Kravitz permaneceu seis meses na propriedade
Faltando menos de um dia para que sua equipe seguisse viagem em direção a Miami, o músico mudou os planos, foi até o campo e encontrou um vale cercado por montanhas, vegetação abundante, áreas cultivadas e quedas d’água integradas à paisagem.
O que começou como uma visita de curta duração se prolongou gradualmente, primeiro por alguns dias e depois por semanas, até que Kravitz acumulou seis meses de permanência na propriedade, distante naquele período da rotina constante de viagens e compromissos profissionais.
Nesse intervalo, conforme relatou à Architectural Digest, o artista se aproximou das atividades rurais e passou a enxergar o lugar como um espaço onde poderia desacelerar, enquanto a experiência ganhava importância suficiente para permanecer em seus planos mesmo depois da partida.
Compromissos ligados à carreira musical levaram Kravitz novamente para fora do Brasil, porém aquela temporada não terminou como uma lembrança isolada, já que dois anos mais tarde ele retornou e comprou a extensa propriedade, dando início a uma nova etapa.
Reforma preservou a arquitetura histórica
Em vez de substituir completamente a identidade arquitetônica encontrada no campo, o projeto aproveitou as estruturas existentes e adaptou diferentes ambientes às necessidades do músico, de seus familiares, convidados e colaboradores, mantendo elementos associados à história rural do conjunto.
Ao longo das intervenções, parte das construções antigas passou a abrigar acomodações para hóspedes, academia, área próxima à piscina e estúdio de gravação, incorporando funções contemporâneas sem eliminar a presença visual dos edifícios que já ocupavam o terreno.
Logo nas primeiras etapas, a reforma alcançou aspectos básicos dos interiores, com retirada de papéis de parede, remoção de móveis pesados e atualização de instalações elétricas e hidráulicas, enquanto a arquitetura original continuava servindo como referência para a nova composição.
Sem ocorrer de maneira concentrada em uma única fase, o trabalho avançou durante anos e contou com acompanhamento frequente de Kravitz, que visitava a propriedade para supervisionar intervenções e observar como cada mudança se integrava ao conjunto histórico existente.
Nos períodos em que turnês e outros compromissos profissionais impediam sua presença no Brasil, o músico continuava acompanhando a evolução da reforma por chamadas de vídeo realizadas com a equipe responsável pelos trabalhos conduzidos dentro da propriedade.
Design brasileiro ganhou espaço nos interiores
Também desenvolvida de maneira gradual, a decoração recebeu móveis, objetos e obras de arte enviados para a fazenda e experimentados em diferentes ambientes, num processo em que determinadas escolhas permaneciam enquanto outras eram substituídas conforme a composição dos espaços avançava.
Ao descrever esse método à Architectural Digest, Kravitz comparou a construção dos interiores ao próprio processo de criação musical, marcado por experimentações e ajustes sucessivos que permitiam avaliar cada peça dentro do espaço antes de uma decisão definitiva.
Entre os elementos selecionados, o design brasileiro assumiu presença relevante, com peças associadas a Oscar Niemeyer, Sergio Rodrigues e Jorge Zalszupin, além de azulejos e outros componentes produzidos no país e incorporados à identidade visual da propriedade.
Referências brasileiras passaram, assim, a dividir os ambientes com nomes internacionais do design do século XX, criando uma combinação em que estruturas rurais históricas convivem com móveis de linhas modernas, objetos colecionados pelo músico e peças desenvolvidas pela Kravitz Design.
A diferença entre passado e contemporaneidade tornou-se um dos elementos mais visíveis do projeto, pois paredes e construções ligadas à antiga propriedade cafeeira foram mantidas enquanto objetos de épocas, origens e estilos distintos passaram a ocupar os mesmos espaços.
Objetos raros fazem parte da decoração
Dentro da casa principal, um dos elementos de maior destaque é um piano de acrílico produzido pela fabricante Kawai, instrumento que, conforme informou a Architectural Digest, pertenceu anteriormente à atriz Ingrid Bergman e já integrava a coleção pessoal de Kravitz.
Quando apresentou a residência brasileira à publicação, o músico possuía o instrumento havia aproximadamente 25 anos, período que reforça a presença de objetos acumulados ao longo de sua trajetória pessoal dentro de uma propriedade cuja própria história atravessa diferentes épocas.
Outra peça com procedência conhecida aparece na sala de estar, onde uma cadeira revestida de veludo vermelho que pertenceu a Andy Warhol passou a integrar o ambiente ao lado das demais referências de arte, cultura pop e design contemporâneo.
Além dos objetos colecionados, artistas próximos de Kravitz participaram visualmente dos interiores por meio de murais com referências vegetais, enquanto o próprio músico também realizou intervenções decorativas em determinados pontos durante o desenvolvimento dos ambientes da propriedade.
Em uma dessas ocasiões, ele decidiu pintar grandes formas geométricas depois de considerar que determinada parede precisava receber um novo elemento visual, acrescentando ao espaço uma intervenção pessoal além das peças selecionadas para compor a decoração.
Memória familiar aparece entre arte e design
Embora objetos ligados a personalidades conhecidas chamem atenção, os elementos mais pessoais estão presentes nas fotografias em preto e branco de familiares distribuídas pela casa, que ocupam posições importantes e conectam os interiores sofisticados diretamente à trajetória particular do músico.
Entre esses registros estão imagens de Roxie Roker, mãe de Kravitz e atriz conhecida por sua atuação na televisão americana, cuja memória permanece representada nas diferentes residências do artista desde sua morte, ocorrida em 1995.
À Architectural Digest, Kravitz explicou que mantém fotografias da mãe nas casas onde vive como forma de homenageá-la, prática que também aparece na propriedade brasileira, onde os retratos convivem com imagens de outros integrantes de sua família.
Nesse contexto, lembranças familiares dividem espaço com obras de arte, móveis de design e objetos raros, acrescentando uma dimensão pessoal aos ambientes sem retirar deles a relação construída entre arquitetura histórica, referências brasileiras e elementos reunidos pelo músico ao longo da vida.
Estúdio de gravação integra o projeto rural
A ligação entre a música e a propriedade não permanece restrita à decoração, já que um dos edifícios foi transformado em estúdio de gravação, permitindo que Kravitz desenvolva trabalhos criativos enquanto permanece inserido no ambiente rural escolhido para seu refúgio.
Integrantes da banda e outros colaboradores também passaram a frequentar o espaço durante períodos ligados à criação e aos ensaios, aproximando o funcionamento da propriedade da rotina profissional do músico sem eliminar seu papel como residência temporária e local de convivência.
Essa distribuição de funções fez com que as construções antigas permanecessem reconhecíveis enquanto recebiam novos usos, permitindo que diferentes edifícios servissem para hospedagem, criação musical, atividades físicas, lazer e permanência entre compromissos assumidos pelo artista fora do Brasil.
Mais do que uma alteração puramente estética, a reforma reorganizou a utilização prática do conjunto existente, mantendo características arquitetônicas anteriores ao mesmo tempo em que introduzia estruturas capazes de atender às necessidades pessoais e profissionais desenvolvidas por Kravitz na propriedade.
Transformação atravessou quase uma década
Ao apresentar o projeto, o músico ressaltou a importância de preservar a atmosfera encontrada durante aquela primeira visita, mesmo depois de anos de intervenções, chegada de móveis provenientes de diferentes lugares e formação de uma ampla seleção de arte e design.
Permaneceu como referência a relação entre arquitetura e paisagem, enquanto as escolhas feitas durante a reforma buscavam integrar as novas funções às estruturas existentes, sem romper completamente com a aparência e a atmosfera responsáveis pelo impacto inicial provocado pela propriedade.
Uma visita realizada quase por acaso, seis meses de permanência inesperada, dois anos até a compra e quase uma década de transformação formam a sequência que levou antigas construções rurais a receber novos usos, peças históricas, design contemporâneo e lembranças familiares.
Entre a arquitetura preservada, os objetos acumulados durante décadas e os espaços criados para música e convivência, qual elemento dessa transformação ajuda mais a explicar por que uma visita inicialmente breve acabou estabelecendo uma ligação tão duradoura entre Lenny Kravitz e a propriedade brasileira?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

