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Depois de passar cerca de 40 anos em circos e outros 7 em zoológico de hotel-fazenda brasileiro, elefanta Rana chegou ao santuário de Mato Grosso com lesão antiga na pata e passou a viver em 29 hectares de áreas abertas
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/08/2026 às 19:39
Atualizado em 22/08/2026 às 19:49
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Décadas em circos, anos em um zoológico e uma lesão antiga marcaram a trajetória de Rana antes da transferência para Mato Grosso, onde a elefanta-asiática encontrou espaço ampliado, convivência com outras elefantas e uma rotina diferente daquela registrada durante grande parte de sua vida.
Em 21 de dezembro de 2018, a elefanta-asiática Rana chegou ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, depois de décadas em circos e sete anos em um zoológico instalado em hotel, carregando uma lesão na pata dianteira esquerda.
Durante a transferência, ela deixou um hotel-fazenda próximo de Aracaju, em Sergipe, e percorreu cerca de 2.700 quilômetros em pouco mais de três dias até alcançar o santuário, onde passou a compartilhar 29 hectares com Maia e Guida, residentes do local.
Quatro décadas em circos marcaram a trajetória de Rana
Antes dessa mudança, o histórico mantido pelo Santuário de Elefantes Brasil indica que Rana viveu aproximadamente 40 anos em circos, atravessou cerca de dois anos sem registros conhecidos sobre seu paradeiro e permaneceu outros sete anos em um zoológico situado na costa brasileira.
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Nesse último endereço, a instituição descreveu uma elefanta quieta e distante, que permanecia longos períodos comendo ou parada e também arremessava objetos para pedir mais alimento, enquanto demonstrava desconforto quando pessoas se aproximavam de forma excessiva do espaço onde permanecia.
Já nos primeiros dias em Mato Grosso, a condição física de Rana recebeu atenção porque uma lesão na pata dianteira esquerda interferia em sua movimentação, embora a documentação disponível sobre sua vida anterior não permitisse estabelecer com segurança quando ou como aquele problema havia surgido.
A saída de Sergipe ocorreu após os proprietários do estabelecimento decidirem doar a elefanta ao santuário, iniciando uma operação de transporte em 18 de dezembro de 2018 que terminaria três dias depois, quando o caminhão alcançou Chapada dos Guimarães durante a tarde.
Viagem de Sergipe terminou em área de 29 hectares
Ao longo do deslocamento, Rana permaneceu em uma caixa de aço transportada por caminhão, numa viagem de aproximadamente 2.700 quilômetros entre Sergipe e Mato Grosso, concluída depois de pouco mais de três dias de percurso até a chegada ao novo endereço.
Naquele período, o destino ocupava parte de uma antiga fazenda de gado com aproximadamente 1.100 hectares, dos quais 29 hectares estavam destinados às elefantas, com áreas verdes, tanques de água, setor de alimentação e estrutura preparada para atendimento médico dos animais residentes.
Quando Rana chegou, Maia e Guida já utilizavam a área reservada às elefantas e passaram a dividir aquele ambiente com a nova moradora, introduzindo uma possibilidade de convivência social diferente da rotina mais isolada descrita durante os anos anteriores no hotel-fazenda sergipano.
Além da dimensão territorial maior, o novo espaço permitia que a elefanta circulasse por diferentes pontos do ambiente, tivesse acesso à água e à vegetação e alternasse momentos de aproximação ou afastamento das companheiras conforme as interações desenvolvidas depois de sua chegada.
Comportamento mudou após a chegada ao santuário
Poucos dias depois da transferência, registros do próprio santuário começaram a mostrar uma mudança perceptível no comportamento de Rana, que passou a ser muito mais vocal, emitindo diferentes sons, entre grunhidos e trombeteios, em contraste com a postura reservada descrita anteriormente.
Com o avanço da adaptação, a equipe também passou a reconhecer a elefanta pela variedade e intensidade dessas vocalizações, enquanto suas expressões faciais eram observadas como parte de um comportamento mais comunicativo dentro da rotina desenvolvida no novo ambiente em Mato Grosso.
Outro aspecto registrado pela instituição foi a disposição para explorar atividades disponíveis no habitat, já que Rana começou a nadar, cobrir o corpo com lama e permanecer em diferentes trechos da área, incorporando experiências que não apareciam com a mesma frequência no histórico anterior.
Mesmo com essas mudanças comportamentais, a limitação física permaneceu presente, pois a lesão na pata dianteira esquerda já existia quando ela chegou ao santuário e continuou integrando os cuidados necessários, sem que sua origem exata pudesse ser determinada pelos registros disponíveis.
Convivência com Maia e Guida passou por adaptação
Nas primeiras aproximações com Maia e Guida, Rana buscou contato de maneira intensa, enquanto as duas residentes demonstraram necessidade de preservar espaço próprio; com o tempo, segundo o santuário, ela passou a respeitar esses limites e as relações evoluíram de forma gradual.
Essa convivência ganhou importância dentro de uma trajetória marcada por muitos anos sob cuidados humanos, porque a rotina de Rana passou a incluir interações com outras elefantas, além de momentos em que cada animal podia se afastar ou se aproximar conforme o próprio comportamento.
Atualmente, o perfil oficial da instituição estima Rana em cerca de 65 anos e descreve uma residente mais comunicativa, capaz de ajustar sua aproximação às necessidades das companheiras e de utilizar diferentes partes do ambiente disponibilizado pelo santuário em Mato Grosso.
Por sua vez, os 29 hectares destinados às elefantas na época da transferência reuniam espaço verde, tanques de água, área de alimentação e estrutura médica, elementos que passaram a fazer parte do cotidiano de Rana depois da mudança definitiva de Sergipe.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a transferência ocorreu em dezembro de 2018.
Depois de aproximadamente quatro décadas em circos, sete anos em um zoológico e uma vida marcada por ambientes controlados por humanos, quanto uma rotina com mais espaço, convivência com outras elefantas e liberdade de movimentação pode transformar o comportamento de um animal?
Fonte
https://www.nationalgeogr
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

