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Garçonete ganha bilhete de US$ 10 milhões de um cliente e colegas exigem parte da fortuna na justiça
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 22/08/2026 às 19:27
Atualizado em 22/08/2026 às 19:28
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Garçonete recebeu de um cliente um bilhete premiado de cerca de US$ 10 milhões, enfrentou colegas e o próprio doador na Justiça, sobreviveu a um sequestro e ainda travou uma longa disputa tributária
Garçonete do Alabama recebeu de um cliente um bilhete que já havia sido sorteado, enfrentou disputas pelo prêmio, sobreviveu a um episódio envolvendo o ex-marido e ainda travou uma batalha tributária que chegou à Justiça federal.
A vida de Tonda Dickerson mudou em março de 1999, quando a garçonete de um Waffle House no Alabama recebeu de um cliente um bilhete da loteria da Flórida que dava direito a um prêmio de aproximadamente US$ 10 milhões.
O que parecia uma fortuna inesperada desencadeou disputas judiciais com colegas e com o homem que lhe entregou o bilhete, além de um episódio de sequestro envolvendo seu ex-marido e um processo tributário que se estendeu por anos.
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Tonda Dickerson recebeu bilhete depois que números já haviam sido sorteados
Tonda trabalhava em um Waffle House em Grand Bay, no Alabama. Edward L. Seward Jr., cliente frequente do estabelecimento, costumava viajar à Flórida, comprar bilhetes de loteria e distribuí-los entre conhecidos, parentes e funcionários do restaurante.
Segundo a decisão da Suprema Corte do Alabama no caso Seward v. Dickerson, o sorteio ocorreu na noite de 6 de março de 1999. No dia seguinte, quando os números vencedores já haviam sido definidos, Seward entregou envelopes com bilhetes a Jackie Fairley e Tonda.
Tonda abriu o envelope depois e descobriu que seus números correspondiam aos sorteados. A própria Suprema Corte registrou que o prêmio destinado a ela era de aproximadamente US$ 10 milhões. A decisão também esclareceu que o jackpot total aparentemente chegava a US$ 20 milhões e foi dividido entre dois bilhetes vencedores.
O processo tributário posterior trouxe números ainda mais precisos. O bilhete foi avaliado em US$ 10,015 milhões caso o prêmio fosse recebido ao longo de 30 anos, enquanto a opção de pagamento à vista correspondia a US$ 5.075.961,71.
Colegas queriam dividir a fortuna
Quatro colegas de Tonda — Sandra Deno, Angie Tisdale, Matthew Adams e Jackie Fairley — sustentaram que havia um acordo verbal para dividir os ganhos caso algum dos bilhetes distribuídos por Seward fosse premiado.
A disputa chegou à Suprema Corte do Alabama. O tribunal reconheceu que havia evidências suficientes para sustentar a existência de um acordo oral, mas concluiu que ele não poderia ser executado judicialmente porque estava baseado em uma consideração relacionada a jogo, proibida pela legislação estadual.
Seward também processou Tonda. Embora ele afirmasse que funcionários do restaurante haviam prometido comprar-lhe uma caminhonete caso um dos bilhetes fosse vencedor, a ação contra Tonda envolvia alegações de fraude, conversão e pedido de reparação.
A Suprema Corte confirmou a decisão favorável a Tonda em 20 de setembro de 2002. O julgamento registrou ainda que os danos financeiros reivindicados por Seward eram relacionados aos US$ 10 milhões do prêmio, e não simplesmente ao valor de uma caminhonete.
Ex-marido levou Tonda para área isolada
Em 2002, outro episódio levou a história para fora dos tribunais. De acordo com a reportagem do Telex que reconstituiu o caso a partir dos registros da época, o ex-marido de Tonda tentou sequestrá-la e a levou para uma região isolada, onde teria feito ameaças contra sua vida.
Durante o episódio, o telefone celular dela tocou. Na segunda chamada, Tonda convenceu o ex-marido a permitir que atendesse. Ao colocar a mão na bolsa, porém, retirou uma arma e atirou nele, ferindo-o. O episódio ocorreu quase três anos depois do prêmio e no período das disputas judiciais relacionadas à loteria.
Empresa familiar levou disputa de Tonda Dickerson ao Fisco
Os problemas com o prêmio continuaram na esfera tributária. Tonda e familiares criaram a empresa 9 Mill, Inc. para receber os recursos. Ela ficou com 49% das ações, enquanto parentes controlavam os outros 51%.
Na decisão do U.S. Tax Court de 6 de março de 2012, o tribunal concluiu que Tonda realizou uma doação tributável ao transferir o bilhete para uma companhia na qual os familiares possuíam a maioria das ações.
O processo surgiu a partir de uma cobrança de US$ 771.570 em deficiência de gift tax referente a 1999. A Justiça, porém, reconheceu que a disputa judicial existente na época diminuía o valor econômico do bilhete.
Após aplicar esse desconto, o tribunal fixou em US$ 1.119.347,90 o valor tributável da doação correspondente aos 51% transferidos aos familiares. Esse número não representa o imposto que Tonda precisou pagar, mas o valor da operação sobre o qual o tratamento tributário deveria ser calculado.
Assim, o bilhete recebido em um restaurante em 1999 levou Tonda Dickerson a uma sequência incomum de acontecimentos: um prêmio milionário, ações movidas por colegas e pelo cliente que lhe entregou o bilhete, um episódio violento envolvendo o ex-marido e uma disputa fiscal decidida mais de uma década depois.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

