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Egito quer transformar o deserto em lavoura gigante, com projeto faraônico de US$ 15 bilhões, 114 km de canais e tubulações e meta de tornar 924 mil hectares produtivos
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 25/08/2026 às 19:33
Atualizado em 25/08/2026 às 19:37
Agronegócio
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Projeto de ao menos US$ 15 bilhões prevê levar água por 114 quilômetros até áreas desérticas, criar novas lavouras, instalar agroindústrias e ajudar o Egito a reduzir sua forte dependência de alimentos importados até 2030
Com 96% do território coberto por desertos e dependente de importações para cerca de 40% de sua demanda por alimentos, o Egito aposta no Novo Delta, megaprojeto de ao menos US$ 15 bilhões que pretende levar água ao oeste do delta do Nilo e converter 924 mil hectares de deserto em terras produtivas.
Anunciado em 2021, o projeto integra a Visão do Egito 2030 e é uma das principais apostas do governo do presidente Abdel Fattah el-Sisi para ampliar a produção agrícola do país.
A iniciativa envolve um sistema de aproximadamente 114 quilômetros formado por canal aberto e tubulações, além de estações de bombeamento, tratamento de água, estradas, silos e infraestrutura de energia.
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Novo Delta tenta reduzir dependência de alimentos importados
A expansão agrícola ocorre em um momento de forte pressão sobre a segurança alimentar egípcia. Desde os anos 1990, a área agricultável do país diminui cerca de 2% ao ano devido à desertificação e à expansão urbana.
Ao mesmo tempo, a população se aproxima de 120 milhões de pessoas e, segundo o Banco Mundial, deve alcançar 165 milhões até 2050.
A dependência externa amplia essa pressão. Dados da FAO indicam que aproximadamente 40% da demanda por alimentos do Egito é atendida por importações.
O trigo mostra a dimensão desse cenário. Em 2025, o país importou 13,3 milhões de toneladas, segundo a Fastmarkets, diante de uma demanda estimada em 20 milhões de toneladas anuais.
Entre 2017 e 2022, Rússia e Ucrânia responderam por 82% das compras egípcias de trigo. Com a guerra entre os dois países, o Egito precisou procurar outros fornecedores, pagando um sobrepreço de 40%.
Em outros produtos alimentares, as importações chegaram a 15 milhões de toneladas em 2024, com custo de US$ 19 bilhões, segundo dados do governo.
Canal de 114 quilômetros levará água até novas lavouras
O Novo Delta prevê criar um novo corredor hídrico a oeste do delta do Nilo. O sistema terá aproximadamente 114 quilômetros de extensão e diferentes estruturas para transportar a água.
Um canal artificial de cerca de 50 quilômetros parte do extremo norte do braço Roseta, um dos dois braços remanescentes do delta do Nilo.
Esse trecho será conectado a aproximadamente 25 quilômetros de tubulações subterrâneas. Depois, outros cerca de 40 quilômetros de tubulações instaladas na superfície continuarão o transporte da água.
Parte do canal já estava concluída e recebia água desde junho de 2024. Trechos de tubulações subterrâneas e superficiais também estavam prontos.
Mais de 20 plantas de bombeamento conduzirão a água até a estação de tratamento Al Hammam, concluída em 2023.
A unidade recicla 7,5 milhões de metros cúbicos de água por dia e é apresentada pelo Egito como a maior instalação desse tipo no mundo.
Depois do tratamento, a água seguirá para redes de irrigação das novas áreas agrícolas, complementadas por um reservatório subterrâneo.
Trigo, milho e agroindústrias estão nos planos
As novas terras deverão produzir principalmente trigo e milho, além de vegetais, frutas e ervas.
O governo prevê parcerias com aproximadamente 150 empresas e a instalação de unidades de processamento de alimentos na região. Considerando obras, produção agrícola e agroindústrias, a estimativa oficial chega a 5 milhões de empregos.
Também existe uma meta de ampliar as exportações agrícolas. O Egito pretende passar de 6,5 milhões de toneladas exportadas em 2022 para 13 milhões em 2030.
A receita correspondente deve subir de US$ 3,3 bilhões para US$ 7 bilhões, tendo União Europeia, Oriente Médio e África entre os principais mercados planejados.
Projeto pretende transformar 924 mil hectares de deserto
O objetivo específico do Novo Delta é converter 924 mil hectares de deserto em áreas produtivas. Atualmente, o Egito possui cerca de 3,97 milhões de hectares agricultáveis.
Até 2030, o plano mais amplo do governo é elevar essa área para 6,3 milhões de hectares, acréscimo de quase 2,4 milhões de hectares.
O país já vinha avançando sobre áreas desérticas. Entre 2015 e 2020, aproximadamente 500 mil hectares foram irrigados nas bordas do Nilo, formando áreas agrícolas circulares em meio ao deserto.
Apesar das obras já realizadas no Novo Delta, o projeto ainda enfrenta obstáculos. Entre eles estão a necessidade de tecnologia para dessalinizar a água do reservatório subterrâneo e o elevado preparo exigido pelo solo, incluindo fertilizantes.
Também permanecem questões relacionadas à capacidade de engenharia, à mobilização de trabalhadores no deserto e às críticas ambientais associadas à expansão.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas no material-base sobre o projeto Novo Delta, incluindo dados atribuídos ao governo do Egito, Banco Mundial, FAO, Fastmarkets, Reuters e declarações de Antonio Cabrera, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.theagribiz.co
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

