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Pescador fisga uma arraia colossal de 300 kg e quase 4 metros no rio Mekong, cientistas precisam de três balanças para pesar o gigante e confirmam o maior peixe de água doce já documentado no mundo antes de devolvê-lo vivo ao rio
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 25/08/2026 às 19:42
Atualizado em 25/08/2026 às 19:43
Ciência e Tecnologia
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Uma arraia-gigante de 300 kg e 3,98 metros foi capturada no rio Mekong, no Camboja, pesada por cientistas, marcada com transmissor e devolvida viva ao rio após estabelecer um recorde mundial.
Na noite de 13 de junho de 2022, pescadores da ilha de Koh Preah, no norte do Camboja, perceberam que haviam capturado algo extraordinário no rio Mekong. Diante deles estava uma fêmea de arraia-gigante-de-água-doce com dimensões tão fora da curva que a comunidade acionou pesquisadores do projeto Wonders of the Mekong. Quando a equipe científica chegou e conseguiu colocar o animal sobre três balanças posicionadas lado a lado, o resultado marcou 300 kg. O comprimento total chegava a 3,98 metros, incluindo a cauda, e o disco corporal media impressionantes 2,2 metros de largura.
A medição derrubou um recorde que permanecia havia 17 anos. Até então, o maior peixe de água doce documentado de forma confiável era um bagre-gigante-do-Mekong de 293 kg, capturado na Tailândia em 2005. A nova recordista recebeu o nome Boramy, expressão associada a “lua cheia” no idioma khmer, foi equipada com um transmissor acústico e, depois de todo o procedimento científico, voltou viva para as águas do Mekong.
O Guinness World Records continua reconhecendo Boramy como o maior exemplar de peixe que passa a vida em água doce ou salobra já medido de maneira confiável.
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A captura aconteceu em uma ilha remota do rio Mekong
Boramy apareceu nas proximidades da ilha de Koh Preah, ao sul da cidade de Stung Treng, em uma região relativamente remota do norte do Camboja.
O local não é um trecho qualquer do Mekong. Pesquisadores estudam há anos as enormes piscinas profundas encontradas nessa região, algumas chegando a dezenas de metros abaixo da superfície. Esses ambientes funcionam como refúgio para diversas espécies de grande porte.
A área também abriga algumas das espécies de peixes gigantes mais emblemáticas do Sudeste Asiático, incluindo o bagre-gigante-do-Mekong, o giant barb e a própria arraia-gigante-de-água-doce.
Por isso, pesquisadores do Wonders of the Mekong já mantinham contato com comunidades pesqueiras locais antes da captura histórica.
Pescadores sabiam que aquele animal precisava chegar aos cientistas
O projeto criou uma rede de cooperação com moradores que pescam no rio. O acordo é relativamente simples: quando um pescador captura acidentalmente um peixe gigante, ameaçado ou cientificamente relevante, a equipe deve ser avisada para que pesquisadores possam identificar, medir, marcar e, quando possível, devolver o animal ao ambiente.
Foi exatamente isso que aconteceu em junho de 2022.
Assista o vídeo
A equipe recebeu uma ligação durante a noite informando que uma arraia muito maior que outras encontradas anteriormente havia sido capturada.
Os cientistas se deslocaram até Koh Preah. Quando chegaram, perceberam que a descrição não havia sido exagerada.
Quase uma dúzia de pessoas precisou ajudar a movimentar a arraia
O tamanho de Boramy criou um problema logístico imediato. Uma arraia com 300 kg não pode simplesmente ser retirada da água e colocada sobre uma balança doméstica. Era necessário movimentar o animal reduzindo ao máximo o risco de lesões e mantendo suas condições fisiológicas enquanto os cientistas realizavam as medições.
Relatos da operação indicam que cerca de uma dúzia de homens participou da movimentação da enorme fêmea. Durante o procedimento fora da água, a equipe mantinha seu corpo molhado para reduzir o estresse.
Boramy possuía 2,2 metros de largura no disco, dimensão superior à altura da maioria dos adultos e equivalente a colocar várias pessoas lado a lado para segurar seu corpo.
Três balanças foram colocadas lado a lado para descobrir o peso
O momento decisivo aconteceu quando os pesquisadores precisaram determinar a massa real da arraia. Segundo a National Geographic, foram utilizadas três balanças posicionadas uma ao lado da outra. A equipe então conseguiu acomodar o enorme corpo da fêmea sobre o sistema improvisado de pesagem.
O resultado surpreendeu até os especialistas: 661 libras, aproximadamente 300 kg. Não se tratava de uma estimativa visual produzida pelos pescadores.
A presença dos pesquisadores e a pesagem documentada são justamente os elementos que permitiram transformar a captura em um registro científico confiável e, posteriormente, em um recorde reconhecido internacionalmente.
Boramy media praticamente 4 metros do focinho até a ponta da cauda
O peso era apenas parte da dimensão extraordinária do animal. A equipe mediu 3,98 metros do focinho até a extremidade da cauda. A largura máxima do disco chegou a aproximadamente 2,2 metros.
A combinação entre comprimento, largura e massa cria proporções pouco associadas a um peixe de rio. O Guinness chegou a comparar o peso da arraia ao de um grande urso, enquanto sua extensão total superava o comprimento de muitos automóveis compactos.
Assista o vídeo
Ainda assim, Boramy não era uma espécie marinha que eventualmente havia entrado no rio. A arraia-gigante pertence a um grupo adaptado aos grandes sistemas de água doce do Sul e Sudeste Asiático.
O antigo recorde pertencia a um bagre de 293 kg desde 2005
Durante 17 anos, o principal marco científico para o tamanho máximo de um peixe de água doce estava ligado a outro gigante do Mekong.
Em 2005, pescadores no norte da Tailândia capturaram um bagre-gigante-do-Mekong de 293 kg. O animal media aproximadamente 2,7 metros.
A captura ganhou relevância mundial porque havia pouquíssimos registros confiáveis de peixes de água doce com massa próxima de 300 kg. Boramy passou essa marca em apenas 7 kg.
A diferença parece pequena, mas foi suficiente para colocar a arraia no topo do registro de maior exemplar individual medido de maneira confiável.
O recorde exigiu uma definição cuidadosa do que é peixe de água doce
A categoria possui uma particularidade importante. Existem peixes muito maiores no planeta. Atuns, tubarões e marlins podem ultrapassar amplamente 300 kg, mas vivem no ambiente marinho.
Também existem espécies gigantes que utilizam água doce e salgada durante diferentes fases da vida, como determinados esturjões.
Para estabelecer o recorde, os pesquisadores consideraram peixes que passam toda a vida em água doce ou ambientes salobros associados, conforme a categoria utilizada pelo Guinness.
É nesse contexto que os 300 kg de Boramy se tornam excepcionais. Não significa que ela seja o maior peixe existente, mas sim o maior exemplar de peixe dessa categoria medido de forma confiável.
A arraia recebeu o nome Boramy, ou “lua cheia”
Depois da pesagem, a equipe deu à fêmea um nome. Ela passou a ser chamada de Boramy, termo khmer traduzido como “lua cheia”.
Há duas referências associadas à escolha. A primeira é o formato praticamente circular do enorme disco corporal da arraia. A segunda envolve o momento em que o animal foi devolvido ao rio, próximo ao anoitecer e sob a presença da lua.
O nome acabou se tornando conhecido internacionalmente quando as imagens da operação circularam pelo mundo.
Fotografias feitas de cima mostram dezenas de braços ao redor de um corpo que ocupa praticamente toda a lona utilizada pelos pesquisadores.
Depois da pesagem, o maior peixe de água doce do mundo voltou vivo para o Mekong
O desfecho também diferencia o episódio de muitos recordes históricos de pesca. Boramy não precisou ser morta para que o recorde fosse documentado.
Depois da medição, identificação, instalação do transmissor e demais procedimentos, pesquisadores e moradores devolveram a fêmea ao Mekong. A Universidade de Nevada relatou que ela aparentava estar forte e saudável e rapidamente desapareceu nas águas turvas e profundas do rio.
A libertação aconteceu em 14 de junho, depois da captura registrada na noite anterior. Com isso, o mesmo animal que acabara de quebrar um recorde mundial pôde continuar sendo acompanhado cientificamente em seu ambiente natural.
As piscinas profundas podem funcionar como refúgios para gigantes
A região de Stung Treng contém alguns dos ambientes mais profundos do Mekong. Em expedições realizadas em 2022, cientistas exploraram piscinas chegando a aproximadamente 75 a 80 metros de profundidade. Algumas permaneciam praticamente desconhecidas mesmo para pesquisadores especializados no rio.
Esses locais podem desempenhar papel crítico durante períodos de seca e em diferentes fases do ciclo reprodutivo dos peixes.
É justamente nessa região que sobrevivem algumas das formas de vida aquática mais impressionantes do sistema fluvial. A existência de uma fêmea de 300 kg reforçou a importância de conservar esses ambientes.
Em 2023, Boramy entrou oficialmente no livro do Guinness
A repercussão da descoberta continuou depois da soltura. O Guinness World Records reconheceu formalmente a arraia e posteriormente incluiu Boramy na edição de 2024 de seu livro de recordes, conforme informou a Universidade de Nevada, Reno.
O registro oficial mantém as principais dimensões: 300 kg de peso, 3,98 metros de comprimento total e 2,2 metros de largura no disco.
A data do registro é 13 de junho de 2022, em Stung Treng, Camboja. Até hoje, a página oficial do Guinness continua apresentando essa fêmea como o maior exemplar de peixe de água doce ou salobra medido de forma confiável.
De uma captura acidental nasceu um recorde mundial sem matar o animal
A história de Boramy poderia ter terminado como inúmeras capturas registradas ao longo da história do Mekong.
Um pescador encontra um animal gigantesco, o peixe é retirado do rio, uma estimativa de peso circula pela comunidade e, anos depois, restam apenas histórias difíceis de comprovar.
Desta vez foi diferente.
A rede criada entre pescadores e pesquisadores permitiu que especialistas chegassem rapidamente à ilha. A arraia foi mantida viva, medida, colocada sobre três balanças, pesada em 300 kg, identificada cientificamente e equipada com um transmissor.
Só então veio o último passo.
O animal de quase 4 metros de comprimento, cuja massa havia acabado de ultrapassar o recorde mundial de 293 kg, foi levado novamente até a água.
Boramy movimentou o enorme disco e desapareceu no Mekong.
A captura que revelou o maior peixe de água doce já documentado de forma confiável no mundo terminou exatamente onde começou: com a gigante novamente livre no rio.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

