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Ela ajudou a erguer uma gigante da biotecnologia na China e agora mira as lavouras do Brasil: quem é Mo Yun, a mulher por trás da DBN que quer conquistar 30% do mercado de sementes de soja OGM e transformar Campinas em peça-chave de sua expansão
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 13/08/2026 às 19:41
Agronegócio
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Gigante chinesa de biotecnologia coloca o Brasil no centro de sua estratégia internacional, prepara centro de pesquisa em Campinas e pretende alcançar 30% do mercado brasileiro de sementes de soja OGM certificadas.
A DBN Group, gigante chinesa de biotecnologia e sementes, está olhando para as lavouras brasileiras como uma das principais oportunidades de sua expansão internacional.
Maior acionista do grupo, Mo Yun, de 54 anos, participou da construção da área de pesquisa e desenvolvimento da companhia e agora acompanha uma estratégia que coloca o Brasil em posição central.
O objetivo anunciado é significativo: a DBN pretende alcançar 30% do mercado de sementes de soja OGM certificadas e comercializadas no Brasil.
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Veja também
Mo Yun ajudou a construir a área de pesquisa da DBN
Doutora pela Universidade Agrícola da China, Mo Yun participou da estruturação da área de pesquisa e desenvolvimento da DBN, companhia criada em 1993 com seu marido, Shao Genhuo.
Em fevereiro de 2026, Shao Genhuo faleceu. Atualmente, Mo Yun permanece como uma das principais figuras relacionadas à estratégia tecnológica do grupo.
Além disso, em 4 de agosto de 2026, ela recebeu uma delegação formada por 28 brasileiros na sede da companhia, em Pequim.
O grupo reunia produtores e multiplicadores de sementes, incluindo André Schwening, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja.
Entre os participantes, 17 sementeiros representam aproximadamente 24 milhões de sacas, volume próximo de metade das sementes certificadas comercializadas no mercado brasileiro.
Brasil pode ampliar importância das sementes dentro do grupo
Enquanto a DBN avança na biotecnologia, sementes ainda representam uma parcela relativamente pequena dos negócios da companhia.
Em 2025, o grupo registrou receita de 29,1 bilhões de yuans, resultado 1,2% superior ao registrado em 2024.
Já a divisão de sementes alcançou 1,53 bilhão de yuans, com crescimento anual de 7,2%.
Além disso, o volume comercializado de sementes de milho, arroz e soja aumentou 16,2%, chegando a 62,2 mil toneladas.
O lucro líquido das sementes convencionais, por sua vez, ultrapassou 260 milhões de yuans, avanço de 70%, segundo a companhia.
Apesar do crescimento, sementes representaram apenas 5,25% do faturamento do grupo. Rações responderam por 63,48%, enquanto suínos representaram 22,63%.
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Caio Aviz
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Pesquisa reúne 50 doutores e milhões destinados à tecnologia
Nesse cenário, o Brasil aparece como uma oportunidade para ampliar a participação da biotecnologia agrícola nos negócios.
A estrutura de pesquisa ligada a Mo Yun conta com 50 doutores e aproximadamente US$ 15 milhões destinados a pesquisa e desenvolvimento.
Na China, parte dessa estrutura está concentrada no Phoenix Parque Eco Industrial, no distrito de Haidian, em Pequim.
O complexo possui 5,5 hectares e aproximadamente 160 mil metros quadrados, reunindo laboratórios, escritórios e outras instalações.
Além disso, a DBN mantém dois laboratórios centrais e quatro ligados ao Ministério da Agricultura chinês.
Também desenvolve projetos com instituições como a Universidade Tsinghua e a Universidade de Tecnologia Química de Pequim.
Campinas foi escolhida para receber centro de pesquisa
No Brasil, por sua vez, Campinas, em São Paulo, foi escolhida para receber o centro de pesquisa da companhia.
Inicialmente, a estrutura deverá contar com um laboratório dedicado à biologia molecular de organismos geneticamente modificados.
A previsão apresentada pela empresa é formalizar oficialmente o centro até o final de 2026.
Além disso, a estratégia não pretende apenas transferir ao Brasil produtos originalmente desenvolvidos para as condições agrícolas chinesas.
Segundo Mao Changqing, presidente da Crop Division da DBN Biotech, o trabalho envolve melhoramento genético, análise de genes, características agronômicas e seleção de variedades.
Posteriormente, essas etapas são conectadas à produção, multiplicação e distribuição das sementes.
Tecnologias GGT e GIR estão no plano para a soja brasileira
Para a soja, a DBN estruturou inicialmente duas plataformas tecnológicas.
A GGT reúne as proteínas CP4 e PAT, responsáveis pela tolerância aos herbicidas glifosato e glufosinato.
Já a tecnologia GIR combina Vip3A e PAT, reunindo características destinadas ao controle de lagartas e tolerância a herbicida.
Na geração seguinte, chamada GIR Plus, entram também as proteínas Cry1A e Cry2A, ampliando os mecanismos destinados ao controle de insetos.
Além disso, a DBN trabalha com novas tecnologias relacionadas à tolerância ao 2,4-D e aos inibidores das enzimas PPO e HPPD.
Também são estudadas características voltadas ao controle de percevejos, ferrugem e nematoides.
Plano prevê preparação em 2027 e lançamento em 2028
A entrada dessas tecnologias no mercado brasileiro segue um cronograma estabelecido pela própria companhia.
Em 2026, a DBN prevê iniciar o relacionamento com a cadeia comercial da soja, além dos primeiros eventos e trabalhos de campo envolvendo GGT e GIR.
Depois, em 2027, está prevista a preparação para o lançamento comercial.
Por fim, a chegada comercial está programada para 2028, conforme o planejamento apresentado pela empresa.
Nesse mesmo ano, a DBN pretende iniciar os trabalhos de campo com a geração GIR Plus.
Para as demais tecnologias em desenvolvimento, entretanto, ainda não foram estabelecidas datas de lançamento.
Brasil vira peça-chave da expansão chinesa na América do Sul
Além do mercado brasileiro, a estratégia da DBN alcança outros países da América do Sul.
Atualmente, a companhia trabalha com autorizações relacionadas aos seus materiais genéticos no Brasil, Argentina e Uruguai.
Mao Changqing afirma que a tecnologia representa o eixo mais importante da estratégia da DBN no Brasil.
Ao mesmo tempo, o grupo estabeleceu uma meta para crescer também dentro da própria China.
Nos próximos cinco anos, a expectativa anunciada é alcançar a primeira ou segunda posição no mercado chinês e triplicar a receita atual.
Assim, o Brasil passa a funcionar simultaneamente como mercado e plataforma de expansão para a biotecnologia agrícola da DBN na América do Sul.
Com centro de pesquisa planejado para Campinas, tecnologias em desenvolvimento e lançamento comercial previsto para 2028, a companhia prepara uma nova etapa de sua atuação no mercado de sementes de soja.
Você acredita que a entrada da DBN e de novas tecnologias chinesas pode transformar a disputa pelo mercado de sementes de soja OGM no Brasil nos próximos anos?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

