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Mulher abandonou Turim aos 36 anos e entrou sozinha numa casa esquecida, no interior da Itália transformou isolamento, ervas selvagens e paredes antigas numa vida que parece ter parado no tempo depois de mais de dez anos viajando pela África
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 13/08/2026 às 19:37
Atualizado em 13/08/2026 às 19:44
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Viviana Sorrentino deixou Turim, escolheu morar numa casa esquecida do século XIX no Roero e reorganizou a rotina em torno da terra. Hoje, mantém cursos ligados às ervas selvagens, à cozinha e ao trançado de fibras naturais, enquanto o terreno empobrecido abriga centenas de espécies vegetais ao redor da propriedade.
A casa esquecida escolhida por Viviana Sorrentino fica no Roero, região rural do Piemonte, e permaneceu vazia durante anos antes de recebê-la. Aos 36, ela deixou Turim e entrou sozinha no imóvel do século XIX, levando para o campo uma trajetória construída entre a Universidade de Turim, pesquisas em Madagascar e longas viagens pela África.
O lugar deixou de ser apenas moradia. Batizado de Casa delle Erbe, passou a reunir horta, árvores frutíferas, galinhas, cursos de ervas selvagens e atividades com fibras naturais. A propriedade que ninguém queria tornou-se casa, fonte de renda e centro de uma rotina organizada por estações, plantas e trabalho manual.
Casa delle Erbe continua ativa nas colinas do Piemonte
A Casa delle Erbe segue ligada ao projeto pessoal de Viviana Sorrentino. A página mantida por ela apresenta atividades realizadas no Roero, enquanto plataformas de experiências rurais ainda descrevem visitas à propriedade, caminhadas pelo terreno e preparação de alimentos com ingredientes colhidos no próprio local.
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A área reúne hortas, aveleiras, cerejeiras, damasqueiros e galinhas, além das plantas que crescem espontaneamente. A continuidade das atividades indica que a mudança para a casa esquecida não foi um retiro passageiro, mas o início de um trabalho que permaneceu ligado à terra e à recepção de pequenos grupos.
Turim e Madagascar vieram antes da mudança para o campo
Viviana Sorrentino formou-se em Ciências Naturais e concluiu doutorado com trabalho desenvolvido em Madagascar. A pesquisa sobre biodiversidade e o contato prolongado com ambientes africanos aproximaram a cientista das plantas espontâneas e de conhecimentos locais sobre o uso cotidiano dos recursos da floresta.
Depois de mais de dez anos de deslocamentos pela África, ela buscou um lugar fixo. O retorno à Itália também trouxe incerteza profissional e desgaste com o ritmo da pesquisa. A saída de Turim nasceu da tentativa de transformar experiência científica e contato com a natureza numa forma diferente de trabalhar e permanecer.
Casa do século XIX estava vazia e cercada por rumores
O imóvel encontrado no Roero era uma construção isolada do século XIX que permanecera desabitada por muitos anos. Relatos locais e histórias pouco claras sobre a propriedade afastavam interessados, mas Viviana Sorrentino decidiu ocupar o espaço sozinha e começar ali uma nova etapa.
As paredes antigas, o silêncio e a distância da cidade formaram um cotidiano muito diferente daquele vivido em Turim. A casa esquecida oferecia abrigo, mas também exigia adaptação ao isolamento, à manutenção do imóvel e a uma rotina em que tarefas simples dependiam diretamente do tempo e da estação.
Ervas selvagens transformaram um terreno empobrecido
A recuperação do terreno ocorreu sem a lógica de uma produção agrícola intensiva. Viviana Sorrentino passou a cultivar com pouco uso de máquinas, observando o que já nascia no solo e ampliando a diversidade ao redor da Casa delle Erbe. O documentário associa esse processo à presença de mais de 400 espécies vegetais.
As ervas selvagens deixaram de ser apenas parte da paisagem e passaram a orientar alimentação, cursos e manejo da área. O terreno antes descrito como empobrecido virou um mosaico de plantas, árvores, insetos e animais, resultado de anos de trabalho gradual em vez de uma transformação imediata.
Cursos e fibras naturais viraram fonte de renda
A renda de Viviana Sorrentino passou a vir de atividades ligadas ao que aprendeu e cultivou. Na Casa delle Erbe, ela organiza encontros sobre reconhecimento e uso culinário de ervas selvagens, preparação de alimentos sazonais e trançado de cestos com fibras naturais.
O projeto mantém turmas pequenas e experiências ajustadas à época do ano. A própria página de Viviana alerta que informações sobre propriedades das plantas são apenas indicativas e não substituem consulta, prescrição ou orientação médica. O trabalho combina conhecimento botânico, cozinha e artesanato sem transformar plantas em promessa automática de tratamento.
Incerteza financeira acompanhou os primeiros anos
A escolha por viver com menos recursos não eliminou as contas. Viviana Sorrentino relatou ter atravessado um período em que o dinheiro disponível mal cobria gastos cotidianos, enquanto tentava fazer os cursos e a coleta sustentarem a nova vida. O medo financeiro tornou-se uma das provas mais concretas da mudança.
Com o tempo, ela passou a medir sucesso de outra maneira, valorizando tempo, autonomia e contato diário com a natureza. A casa esquecida não entregou segurança imediata; ela obrigou Viviana a construir lentamente uma renda compatível com o ritmo de vida que havia escolhido.
Casa esquecida reuniu moradia, trabalho e permanência
Assista o vídeo
A trajetória saiu dos laboratórios, atravessou Madagascar e terminou enraizada no Roero. Hoje, a Casa delle Erbe concentra a moradia, a horta, as ervas selvagens, os animais e as atividades que mantêm Viviana Sorrentino ligada ao território.
O que parecia uma fuga da cidade tornou-se um projeto duradouro, mas sustentado por trabalho, conhecimento e adaptação.
Na sua opinião, qual parte seria mais difícil numa mudança assim: viver sozinha, recuperar uma casa antiga, enfrentar a incerteza financeira ou transformar conhecimentos em renda? Conte nos comentários qual obstáculo pesaria mais.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

