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Ele deixou a civilização e vive há mais de 20 anos sozinho numa floresta siberiana, onde o frio transforma lenha, água e comida em tarefas vitais, mas o número de 71 graus negativos esconde um detalhe que muda a história
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 12/08/2026 às 17:57
Atualizado em 12/08/2026 às 18:24
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Samuil vive sozinho numa floresta siberiana de Yakutia, a cerca de 30 quilômetros da aldeia mais próxima, numa cabana de toras aquecida por fogão a lenha. O documentário mostra rádio, gelo do lago, cães e longas caminhadas, enquanto registros meteorológicos corrigem o mito dos 71 graus negativos associado à região.
Samuil se tornou conhecido internacionalmente depois que o canal Kiun B registrou sua rotina vivendo sozinho numa floresta siberiana de Yakutia. O primeiro documentário da série ganhou versão em português em fevereiro de 2023 e apresentou um homem que já estava afastado de centros habitados havia cerca de duas décadas, dependendo de uma rotina repetitiva de lenha, água, alimento e manutenção da própria moradia.
A história parece construída para o exagero, mas boa parte do interesse está justamente nos detalhes concretos. A cabana de toras fica a cerca de 30 quilômetros da aldeia mais próxima, o fogão a lenha ocupa o centro da rotina doméstica e Samuil mantém alguma ligação com o mundo por meio de um rádio. O dado de 71 graus negativos, porém, exige uma correção importante antes de qualquer comparação climática.
Samuil vive há mais de duas décadas afastado de uma aldeia de Yakutia
Os vídeos da série identificam Samuil como um morador de Yakutia que escolheu viver longe da civilização e que já acumulava aproximadamente 20 anos nessa condição quando a primeira gravação viralizou. Em episódios posteriores, a própria produção passou a descrevê-lo como alguém que vive há mais de 20 anos sozinho numa floresta siberiana, deixando claro que a duração não deve ser congelada no número usado no título de 2023.
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A opção pelo isolamento aparece ligada também à trajetória pessoal de Samuil. Um capítulo posterior da série informa que perdas familiares fizeram parte do caminho que o levou a permanecer distante de outras pessoas. A vida isolada não é apresentada como experiência turística ou aventura temporária, mas como uma escolha de longo prazo que reorganizou toda a rotina do morador.
Cabana de toras fica a cerca de 30 quilômetros da aldeia mais próxima
A distância é um dos elementos mais concretos da história. Registros sobre Samuil situam a cabana de toras a aproximadamente 30 quilômetros da comunidade mais próxima, distância que transforma uma necessidade comum, como buscar suprimentos, em uma tarefa demorada. Relatos baseados no documentário descrevem um percurso de aproximadamente cinco horas a pé em períodos do ano nos quais esse deslocamento se torna possível.
Isso ajuda a explicar por que viver sozinho numa floresta siberiana exige uma organização muito diferente daquela observada numa cidade. A ida até a aldeia não funciona como uma simples saída rápida. A distância entre a cabana de toras e outros moradores transforma estoque, clima e condição física em fatores decisivos para o cotidiano.
Fogão a lenha ocupa o centro da rotina dentro da cabana
O fogão a lenha é um dos elementos mais repetidos nas imagens e descrições da rotina. A casa foi construída com toras e utiliza soluções simples de isolamento, fazendo com que Samuil dedique parte importante de seus dias ao aquecimento da moradia durante o inverno de Yakutia.
A consequência é uma rotina física que retorna sempre ao mesmo ponto. Lenha precisa chegar à casa, o fogão a lenha precisa continuar produzindo calor e a cabana de toras precisa conservar o máximo possível dessa temperatura. Em um inverno severo, aquecimento deixa de ser apenas conforto doméstico e passa a determinar parte considerável do ritmo diário.
Rádio mantém uma ligação limitada com o mundo exterior
Mesmo vivendo sozinho numa floresta siberiana, Samuil não aparece completamente desconectado de notícias. O rádio faz parte de sua rotina e é apresentado como um dos poucos objetos capazes de levar informações externas para a cabana de toras. O documentário também mostra que ele encontrou uma solução própria para manter o equipamento funcionando longe da infraestrutura convencional.
A presença do aparelho quebra a imagem de isolamento absoluto. Samuil escolheu distância física, mas não necessariamente ausência completa de contato com o que acontece fora da floresta. Entre o fogão a lenha, os cães e as tarefas externas, o rádio funciona como uma pequena ponte com o mundo do qual ele decidiu permanecer geograficamente distante.
Gelo do lago entra na rotina de obtenção de água
A série também registra Samuil recorrendo ao lago da região para obter água durante os meses frios. O gelo aparece transportado para a cabana de toras, numa rotina muito distante daquela de uma residência atendida por uma rede urbana de abastecimento.
Esse detalhe resume bem a diferença entre isolamento escolhido e autossuficiência total. Samuil continua dependente de recursos encontrados no ambiente e de trabalho físico para acessá-los. Viver sozinho numa floresta siberiana transforma atividades praticamente invisíveis numa cidade, como obter água e combustível, em tarefas presentes no planejamento diário.
Cães dividem o isolamento com Samuil em meio à fauna de Yakutia
Embora as manchetes frequentemente descrevam Samuil como um homem completamente sozinho, os vídeos mostram cães ao redor da propriedade. Eles fazem parte da vida próxima à cabana de toras e tornam mais precisa a ideia de isolamento humano: não há vizinhos por quilômetros, mas existe companhia animal.
A floresta de Yakutia também abriga animais selvagens, e os relatos sobre Samuil mencionam ursos e lobos. Isso não significa que ele enfrente animais perigosos diariamente, apesar de algumas manchetes usarem esse enquadramento. O que a série documenta é a presença desses animais no ambiente e a necessidade de conviver com uma região onde a fauna selvagem continua próxima.
Alimentação depende de estoque e dos recursos disponíveis na região
A distância até a aldeia transforma comida em outro ponto central da vida isolada. A série mostra Samuil mantendo suprimentos e utilizando recursos disponíveis na região, enquanto registros baseados no documentário relatam que uma parcela da alimentação também vem do que ele consegue obter no entorno da propriedade.
O frio modifica ainda a forma como determinados alimentos podem ser armazenados durante o inverno. Na rotina de Samuil, comida, água e fogão a lenha estão diretamente relacionados à distância da aldeia, porque qualquer falta é mais difícil de resolver para quem está a dezenas de quilômetros de outros moradores.
Número de 71 graus negativos não é o recorde oficial de Yakutia
O título do documentário usa 71 graus negativos como símbolo do frio extremo, mas esse número não deve ser apresentado como temperatura comprovadamente enfrentada por Samuil diante de sua casa. A Organização Meteorológica Mundial reconhece oficialmente −69,6 °C, registrados numa estação automática da Groenlândia em dezembro de 1991, como a menor temperatura observada no Hemisfério Norte.
Em Oymyakon, localidade de Yakutia mundialmente associada ao frio extremo, registros meteorológicos confiáveis apontam aproximadamente −67,8 °C em 1933. O número de −71,2 °C popularizado em referências sobre Oymyakon está ligado a um registro histórico não oficial. O frio da região é extraordinário, mas 71 graus negativos não podem ser tratados como uma temperatura medida na cabana de toras de Samuil.
Inverno extremo não significa viver diariamente perto do recorde
Outra simplificação seria imaginar que morar sozinho numa floresta siberiana significa enfrentar 60 ou 70 graus negativos todos os dias. Os números extremos associados a Oymyakon são recordes, não uma temperatura fixa de inverno. A própria importância meteorológica desses valores está no caráter excepcional das medições.
Essa correção não torna a rotina fácil. Yakutia continua marcada por invernos extremamente rigorosos, capazes de impor limitações severas a deslocamentos e atividades externas. A dificuldade de Samuil está menos em viver permanentemente no recorde meteorológico e mais em atravessar longos períodos de frio com infraestrutura bastante limitada e dependência constante do fogão a lenha.
Série ganhou novos capítulos depois do primeiro vídeo de 2023
O vídeo que apresentou Samuil não foi o único. O Kiun B publicou uma segunda parte, um episódio concentrado na casa e outro dedicado às razões pelas quais ele continuava vivendo naquela região. A playlist do canal reúne esses conteúdos sob a história de Samuil e mantém a descrição de uma permanência superior a duas décadas.
Isso impede tratar a gravação original como fotografia completa ou atual de sua vida. Não encontrei uma atualização independente suficientemente sólida para afirmar qual é a situação pessoal exata de Samuil em agosto de 2026. Por esse motivo, o episódio deve ser tratado editorialmente como um resgate de uma série documental iniciada anos atrás, e não como flagrante recente de alguém que acaba de completar 20 anos de isolamento.
Vida isolada de Samuil chama atenção pelo trabalho repetido de todos os dias
Assista o vídeo
O elemento mais forte da história não precisa ser o recorde de temperatura. O que diferencia a rotina é a repetição: cuidar da cabana de toras, manter o fogão a lenha, obter recursos, acompanhar os cães e lidar com uma distância que torna qualquer imprevisto mais complicado. Yakutia fornece o cenário extremo, mas são as pequenas obrigações repetidas que sustentam a história.
Samuil também aparece na série deixando claro que prefere permanecer na floresta a simplesmente retornar à vida na aldeia. Viver sozinho numa floresta siberiana, no caso dele, não é um desafio com data para terminar, mas uma forma de vida que já ultrapassava duas décadas quando os documentários ganharam audiência internacional.
A questão que permanece é menos sobre aguentar uma noite de frio e mais sobre conviver durante anos com isolamento e pouca infraestrutura. Para você, o que pesaria mais numa existência assim: a distância de outras pessoas, a necessidade permanente de manter a casa aquecida ou a ausência de serviços básicos por perto? Conte nos comentários qual desses fatores tornaria essa escolha mais difícil para você.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

