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Em um dos países com maior escassez de água do mundo, 30 mulheres aprenderam encanamento para enfrentar perdas estimadas em até 50% e ensinaram mais de 3 mil moradoras a combater vazamentos
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 03/08/2026 às 18:18
Atualizado em 03/08/2026 às 18:19
Indústria
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Em Zarqa, 30 mulheres foram capacitadas como encanadoras para localizar vazamentos, atender residências limitadas por uma barreira cultural e ensinar manutenção básica a mais de 3 mil moradoras, enquanto um programa de US$ 275 milhões enfrentava perdas de água na Jordânia
Na Jordânia, um dos países com maior escassez de água do mundo, 30 mulheres aprenderam encanamento para localizar vazamentos em torneiras, reservatórios e tubulações. O trabalho criou uma resposta prática para o desperdício de água dentro das residências de Zarqa.
Uma das profissionais era Ra’eda, que consertava torneiras, verificava sinais de ferrugem nos reservatórios e ensinava cuidados básicos aos clientes. A presença de uma encanadora também permitia realizar serviços que poderiam ser adiados quando nenhum homem da família estava em casa.
As informações foram divulgadas em 22 de fevereiro de 2017 pela Millennium Challenge Corporation, agência de assistência internacional do governo dos Estados Unidos. No início da parceria, o programa estimava que até 50% da água da rede de Zarqa era perdida por vazamentos nas tubulações.
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A estimativa de até 50% de perda revelou o tamanho do problema em Zarqa
O percentual descrevia a situação estimada no começo do programa. Portanto, não representa uma medição atual da rede de Zarqa, mas o cenário encontrado quando as ações de infraestrutura hídrica foram iniciadas.
A perda ocorria na rede que levava água aos moradores. Quando uma tubulação apresentava rachaduras ou outros pontos de vazamento, parte do recurso escapava antes de chegar ao local onde seria utilizada.
Dentro das residências, torneiras pingando, canos danificados e reservatórios com problemas aumentavam o desperdício. Um defeito poderia parecer pequeno isoladamente, mas sua repetição em muitas casas pressionava ainda mais um sistema limitado pela escassez de água na Jordânia.
O programa de US$ 275 milhões foi além da formação profissional
O treinamento das encanadoras fazia parte de um programa mais amplo, com investimento de US$ 275 milhões. Os recursos foram aplicados no fortalecimento da infraestrutura hídrica do país e em ações voltadas à conservação da água.
O trabalho alcançou famílias pobres da província de Zarqa, região com mais de 1 milhão de moradores. Além das intervenções na rede, o programa incluiu orientação sobre economia de água e pequenos reparos domésticos.
Essa combinação reconhecia que o desperdício não dependia apenas de grandes obras. A manutenção dentro das casas também influenciava o consumo, principalmente quando os vazamentos permaneciam sem conserto durante muito tempo.
Uma barreira cultural fazia reparos domésticos serem adiados
Muitas famílias não se sentiam confortáveis em receber um encanador homem quando nenhum homem da casa estava presente. Nessas situações, o marido ou o filho poderia precisar deixar o trabalho para acompanhar o atendimento.
Quando isso não era possível, o conserto acabava adiado. A torneira continuava pingando, o reservatório permanecia com problemas e a tubulação seguia desperdiçando água.
A formação das mulheres encanadoras na Jordânia ofereceu uma alternativa. Elas podiam entrar nas residências, conversar diretamente com as moradoras e executar os serviços sem depender da presença de outro familiar.
As 30 encanadoras aprenderam técnica, divulgação e gestão
A capacitação ensinou como encontrar vazamentos, reparar torneiras, verificar reservatórios e orientar clientes sobre manutenção hidráulica. As participantes também receberam conhecimentos para organizar e divulgar pequenos negócios.
A Millennium Challenge Corporation, agência de assistência internacional do governo dos Estados Unidos, registrou que Ra’eda recebeu caixa de ferramentas, cartões profissionais e telefone celular para começar a atender clientes.
A preparação uniu habilidade técnica e organização financeira. Saber realizar o reparo era essencial, mas divulgar o serviço, conquistar clientes e administrar os atendimentos também fazia parte da entrada dessas mulheres na profissão.
Mais de 3 mil mulheres receberam treinamento para combater vazamentos
Ra’eda integrou uma equipe que ensinou manutenção básica de encanamento a mais de 3 mil mulheres. As participantes também receberam conjuntos de ferramentas para realizar cuidados simples dentro de casa.
Elas aprenderam a observar canos, identificar pontos de vazamento e acompanhar as condições dos reservatórios. O objetivo era perceber rapidamente um problema e evitar que a água continuasse sendo desperdiçada.
As mulheres tinham participação direta na coleta, no armazenamento e no uso doméstico da água. Por isso, o treinamento transformou tarefas que elas já acompanhavam diariamente em ações práticas de conservação.
Redes comunitárias e organizações locais ajudaram a espalhar as orientações. As mensagens sobre economia de água também circularam em encontros, redes sociais e meios tradicionais de comunicação.
Ra’eda trabalhava 15 horas por semana e atendia 50 clientes
Em 2017, Ra’eda trabalhava por conta própria durante aproximadamente 15 horas por semana. Ela se deslocava de táxi pelos locais de atendimento e já havia formado uma carteira com 50 clientes na região de Zarqa.
Os serviços não ficavam restritos às residências. Salões de beleza e academias frequentadas por mulheres também contratavam a encanadora para realizar reparos.
Para ampliar a clientela, Ra’eda costumava cobrar menos que profissionais homens. Ela também passou a participar de palestras e treinamentos em associações locais, levando o conhecimento adquirido a outras mulheres interessadas na profissão.
A manutenção doméstica ajudava a proteger a água distribuída pela rede
Grandes intervenções eram necessárias para corrigir perdas nas tubulações públicas. Porém, depois que a água chegava às casas, pequenos vazamentos continuavam provocando desperdício.
A manutenção básica permitia encontrar o problema antes que ele aumentasse. Consertar uma torneira ou um cano danificado preservava a água já captada e distribuída pelo sistema.
A experiência registrada em Zarqa reuniu investimento em infraestrutura, formação profissional e participação das moradoras. As 30 encanadoras responderam a uma necessidade técnica e cultural, enquanto mais de 3 mil mulheres aprenderam cuidados básicos.
O percentual de até 50% deve ser entendido como uma estimativa do início do programa, não como dado atual. Ainda assim, ele mostra por que obras públicas e manutenção doméstica precisavam funcionar juntas em um país com pouca água disponível.
Se pequenos vazamentos afetam toda a rede, grandes obras bastam ou a manutenção dentro das casas também deve ser prioridade? Comente e compartilhe.
Fonte
MCC
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

