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Filha de merendeira e motorista de ônibus estudou a vida inteira em escolas públicas de Búzios, ouviu que alguém do bairro Rasa nunca faria Medicina, enfrentou quatro anos de preparação e passou em primeiro lugar na UERJ aos 22 anos. Que conquista!
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/08/2026 às 18:18
Atualizado em 04/08/2026 às 18:36
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Trajetória marcada por escola pública, apoio familiar e anos de preparação mostra como uma jovem enfrentou a descrença ligada ao lugar onde cresceu, sustentou um objetivo considerado distante e mobilizou a própria cidade ao transformar uma rotina exigente em uma conquista acadêmica de grande repercussão.
Ana Clara de Souza Oliveira transformou uma trajetória inteira na rede pública de ensino em uma aprovação que mudou o rumo de sua vida e mobilizou Búzios, onde cresceu cercada pelo esforço diário de uma família trabalhadora.
Filha de uma merendeira e de um motorista de ônibus, a jovem conquistou o primeiro lugar em Medicina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, no campus de Cabo Frio, após quatro anos de preparação para o vestibular.
A conquista ocorreu aos 22 anos e ganhou ainda mais relevância pela concorrência enfrentada, já que a unidade da UERJ na Região dos Lagos ofereceu 40 vagas para aproximadamente 1.300 candidatos, segundo a Prensa de Babel.
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Mais do que assegurar uma vaga em um dos cursos mais disputados do país, Ana Clara alcançou a primeira colocação no processo seletivo, resultado que reuniu desempenho acadêmico, persistência e uma rede familiar dedicada a sustentar sua preparação.
Formação em escolas públicas de Búzios
Nascida em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, ela foi criada em Búzios desde os dois anos e construiu quase toda a formação em escolas públicas municipais, especialmente em bairros afastados da área turística mais conhecida.
O percurso escolar começou na Escola Municipal Manoel Antônio da Costa, no Cruzeiro da Rasa, passou pela Escola Professora Maria Rita Coelho Novellino e prosseguiu na Escola Municipal Nicomedes Theotônio Vieira, localizada em Manguinhos, durante essa fase.
Ao concluir o ensino fundamental, Ana Clara ingressou no Instituto Federal Fluminense, em Cabo Frio, onde cursou o ensino médio integrado à formação técnica em Petróleo e Gás, mantendo toda a trajetória acadêmica dentro da rede pública.
Embora a passagem pelo instituto tenha ampliado sua base de conhecimentos, o objetivo de chegar à Medicina exigiu uma preparação específica depois da formatura, com rotina organizada para revisão de conteúdos, cursos e sucessivas provas de vestibular.
Sonho de cursar Medicina começou na adolescência
O desejo de seguir a carreira médica já fazia parte de seus planos desde a adolescência, e a mãe, Adriana Oliveira, relatou que a filha mantinha esse sonho desde o sétimo ano do ensino fundamental.
Mesmo em uma família com pouca presença de diplomas universitários, Ana Clara continuou perseguindo a meta, enquanto os pais acompanharam a preparação como uma conquista coletiva construída dentro de uma realidade marcada pelo trabalho cotidiano.
Adriana trabalhava como merendeira, enquanto Daniel Oliveira, pai da estudante, atuava como motorista de ônibus, e ambos organizaram a rotina familiar para que a filha pudesse dedicar o período decisivo aos estudos sem abandonar o objetivo.
Depois de concluir a formação no Instituto Federal Fluminense, a jovem iniciou uma preparação prolongada que durou quatro anos, combinando revisão de conteúdos, cursos presenciais e online, materiais recebidos e participação em diferentes processos seletivos.
Descrença ligada ao bairro da Rasa
Durante essa caminhada, surgiram comentários que associavam o bairro da Rasa a uma suposta limitação acadêmica, incluindo a afirmação de que alguém vindo daquela região não conseguiria alcançar uma vaga no curso de Medicina oferecido pela universidade pública.
Em vez de alterar o plano, Ana Clara manteve a decisão de concorrer, direcionou seus esforços para a prova da UERJ e transformou a descrença externa em mais uma etapa de uma rotina que exigia constância.
Ao longo do processo, cursos online, livros recebidos e o apoio de familiares e amigos ajudaram a estruturar os estudos, enquanto registros guardados pela própria estudante passaram a representar cada fase de uma preparação sem resultado imediato.
Uma das mudanças mais importantes ocorreu quando Ana Clara se mudou para Petrópolis, onde frequentou um curso presencial durante um ano e aprofundou a preparação voltada ao vestibular, mantendo o suporte familiar mesmo longe de Búzios.
Apoio familiar durante a preparação
A jovem também reconheceu publicamente que contou com uma condição inacessível a muitos candidatos, pois não precisou conciliar os estudos com um emprego durante o período em que se dedicou integralmente às provas naquele período intenso.
Os pais conseguiram pagar o curso e garantir tempo para que ela concentrasse a rotina no vestibular, circunstância tratada pela própria Ana Clara como um privilégio dentro de uma trajetória que também exigiu disciplina prolongada.
Esse contexto acrescenta precisão à conquista, formada pela combinação entre estudo contínuo, apoio familiar, acesso a materiais, preparação presencial e online e a decisão de continuar tentando mesmo depois de ouvir que o objetivo seria impossível.
Ao alcançar o primeiro lugar, Ana Clara também garantiu a possibilidade de estudar relativamente perto de casa, já que o campus de Cabo Frio criou uma alternativa de formação médica na Região dos Lagos, próxima de sua família.
Primeiro lugar em Medicina na UERJ
A proximidade reduziu a distância entre Búzios e a universidade escolhida, ao mesmo tempo em que deu à família a chance de acompanhar mais de perto uma etapa inédita para quem tinha poucos integrantes no ensino superior.
Para os pais, a vaga em Medicina assumiu um significado que ultrapassava o resultado individual, enquanto a mãe descreveu a aprovação como uma conquista surpreendente para uma jovem formada integralmente na rede pública e sem tradição universitária familiar.
Ana Clara passou a apresentar a própria experiência como incentivo a estudantes que deixam de considerar determinados caminhos por parecerem distantes demais, sobretudo quando a origem social ou o endereço são usados como limites antecipados.
O contraste entre as restrições associadas ao bairro onde cresceu e a primeira colocação no vestibular fortaleceu a repercussão da história, que ganhou alcance por reunir escola pública, apoio familiar e persistência acadêmica em diferentes regiões.
Em vez de abandonar o curso desejado diante das dúvidas externas, ela transformou cada etapa da preparação em parte de um projeto mantido durante quatro anos, até ocupar o primeiro lugar entre centenas de concorrentes.
Quantos estudantes de escolas públicas podem estar próximos de uma grande conquista, mas ainda precisam enfrentar a ideia de que o lugar onde nasceram determina os limites de sua trajetória acadêmica antes mesmo de tentar disputar uma vaga?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

