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Filho de pedreiro e dona de casa, José Carlos Semenzato carregava tijolos em obras aos 7 anos, passou a vender até 600 coxinhas por dia aos 13 e comprou um Fusca com o dinheiro: aos 18, abriu a Microlins e transformou a escola em uma rede de mais de 700 unidades
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 13/08/2026 às 19:33
Atualizado em 13/08/2026 às 19:34
Economia
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José Carlos Semenzato ajudava o pai em obras aos 7 anos, vendeu até 600 coxinhas por dia na adolescência, comprou um Fusca com o dinheiro, virou professor de informática e fundou a Microlins, rede que ultrapassou 700 unidades antes de ser vendida por R$ 110 milhões.
José Carlos Semenzato nasceu em uma família de poucos recursos no interior de São Paulo e começou a trabalhar ainda criança. Segundo relato do próprio empresário reproduzido pelo UOL, aos 7 anos ajudava o pai, José, carregando tijolos em obras; aos 13, deixou a construção civil e passou a vender nas ruas as coxinhas preparadas pela mãe, Alzira, para complementar a renda da família.
Décadas depois, aquela trajetória desembocaria na Microlins, criada em 1991 e transformada em uma das maiores redes brasileiras de ensino profissionalizante.
O negócio ultrapassou 700 unidades, chegou a atender cerca de 500 mil alunos simultaneamente e foi vendido em 2010 ao Grupo Multi por R$ 110 milhões em valores da época.
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Aos 7 anos, Semenzato já acompanhava o pai em obras
Semenzato nasceu em Cafelândia e cresceu em Lins, ambas no interior paulista. Seu pai trabalhava na construção civil e sua mãe era dona de casa.
O próprio empresário relatou que, aos 7 anos, já ajudava o pai carregando tijolos nos locais onde ele trabalhava.
A rotina profissional começou muito antes da idade adulta. Aos 13 anos, Semenzato passou a procurar outra maneira de gerar renda e começou a comercializar salgados produzidos por sua mãe nos bairros de Lins.
A venda tinha método. Ele contou que procurava chegar às casas próximo aos horários de maior fome, anotava as compras em uma caderneta e retornava aos sábados para receber de parte dos clientes.
Venda chegou a 600 coxinhas por dia e financiou um Fusca
Segundo Semenzato, o volume chegou a aproximadamente 600 coxinhas por dia. A quantidade cresceu a ponto de ele chamar dois tios, que tinham idade semelhante à dele, para ajudar nas vendas.
O dinheiro não foi consumido imediatamente. De acordo com a trajetória relatada ao UOL, ele economizou durante cerca de um ano e conseguiu comprar um Fusca 1962 com o resultado das vendas.
O episódio ocorreu quando Semenzato ainda era adolescente e muitos anos antes de seu primeiro negócio educacional.
A própria SMZTO, holding que ele criaria posteriormente, mantém em sua biografia institucional o registro de que o empresário vendia coxinhas feitas pela mãe aos 13 anos para ajudar na renda familiar.
Curso de computação mudou a direção profissional aos 15 anos
Aos 15 anos, Semenzato iniciou um curso de computação e começou a trabalhar em uma copiadora. Seu desempenho no atendimento chamou a atenção de um cliente, que lhe ofereceu uma oportunidade na Cermaco, empresa do setor de construção.
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Na nova função, passou a trabalhar com programação enquanto fazia formação técnica na área durante a noite.
A experiência colocou a informática no centro de sua trajetória profissional justamente quando a computação pessoal ainda começava a se expandir no Brasil.
Esse conhecimento abriria uma nova possibilidade antes mesmo de Semenzato completar 20 anos. O Instituto Americano de Lins o convidou para ensinar computação, e aos 18 anos ele já estava diante de uma sala de aula.
Alunos começaram a procurá-lo para aulas extras nos fins de semana
Depois de aproximadamente seis meses trabalhando como professor, Semenzato percebeu uma demanda que ultrapassava as aulas regulares. Estudantes passaram a procurá-lo para reforço aos sábados e domingos.
Sem possuir ainda a estrutura de uma escola própria, ele começou a ministrar essas aulas utilizando o computador do sogro dentro de uma padaria em Lins. A experiência ajudou a revelar que existia mercado para formação em informática fora do ensino convencional.
Em 1991, Semenzato deixou os empregos de programador e professor para abrir a Microlins. Há divergência entre fontes sobre se ele tinha 22 ou 23 anos no momento exato da fundação; por isso, a referência ao ano é mais precisa. A própria SMZTO confirma 1991 como o início da empresa.
Microlins chegou a 17 escolas próprias antes de enfrentar uma decisão crítica
O primeiro negócio cresceu rapidamente. Em 1994, apenas três anos depois de sua criação, a Microlins já possuía 17 escolas próprias, segundo a trajetória documentada pelo UOL.
O crescimento, porém, encontrou uma combinação financeira complicada. Semenzato relatou que as mensalidades sofriam pressão enquanto parte dos contratos de leasing dos computadores era vinculada ao dólar, criando um desequilíbrio para a operação.
Foi nessa situação que ele decidiu adotar franquias. O empresário posteriormente afirmou que o franchising entrou em sua trajetória mais por necessidade do que por um planejamento anterior de transformar a Microlins em uma rede nacional.
Em seis meses, 16 das 17 unidades deixaram de ser lojas próprias
A mudança ocorreu rapidamente. Das 17 escolas que pertenciam diretamente à empresa, 16 foram convertidas em franquias em aproximadamente seis meses, permanecendo a unidade de Lins sob operação própria.
A estratégia reduziu a necessidade de a própria Microlins financiar sozinha cada nova abertura e permitiu acelerar a expansão geográfica.
A empresa deixou de ser apenas uma sequência de escolas controladas diretamente para tornar-se uma rede sustentada por franqueados.
A Microlins acabou chegando a mais de 700 unidades e aproximadamente 500 mil alunos. Uma reportagem posterior do InfoMoney registrou 750 unidades franqueadas na época da venda, enquanto outras fontes trabalham com a marca de 700; o ponto seguro é que a rede ultrapassou 700 operações em sua fase de maior expansão.
Semenzato vendeu uma Mercedes para colocar a Microlins na televisão
Em 2001, Semenzato acreditava que a marca precisava aparecer nacionalmente para continuar crescendo. Surgiu então a oportunidade de fazer merchandising no programa Domingo da Gente, apresentado por Netinho de Paula na Record.
A campanha de um mês custaria R$ 300 mil, mas um dos sócios não queria assumir o investimento. Semenzato decidiu correr o risco e relatou ter vendido uma Mercedes por R$ 200 mil para financiar parte da estratégia.
Segundo ele, em aproximadamente 45 dias a ação havia gerado mais de R$ 1,5 milhão em recebíveis. O resultado levou a Microlins a continuar investindo em televisão enquanto avançava na expansão nacional.
Microlins foi vendida por R$ 110 milhões em 2010
Em 2008, ocorreu uma primeira operação societária importante: 30% da Microlins foram vendidos ao grupo educacional Anhanguera, então controlado pelo Pátria Investimentos. Semenzato permaneceu ligado à companhia naquele momento.
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Dois anos depois, em 2010, veio a venda da Microlins ao Grupo Multi, de Carlos Wizard Martins. O negócio foi fechado por R$ 110 milhões em valores da época, segundo UOL e InfoMoney.
A operação encerrou uma trajetória empresarial iniciada com uma escola de informática no interior paulista e ampliada por meio de franquias até chegar a centenas de cidades. A própria SMZTO afirma que a Microlins formou mais de 4 milhões de alunos ao longo de sua história.
Depois da Microlins, Semenzato transformou franquias em novo negócio
Semenzato não utilizou a venda como ponto final da carreira empresarial. Ainda em 2010, criou a SMZTO para investir em empresas com potencial de crescimento por meio de franquias, aplicando parte da experiência acumulada durante os anos de Microlins.
Desde então, o grupo realizou investimentos em marcas de áreas distintas, incluindo odontologia, alimentação, estética, serviços e varejo. A página institucional atual da SMZTO registra 18 empresas investidas.
Os números mais recentes divulgados pela própria companhia mostram a escala alcançada: as redes ligadas ao grupo somaram R$ 10 bilhões em faturamento sell-out em 2025. É uma dimensão empresarial que começou muito antes da criação da holding, na trajetória do menino que carregava tijolos, vendeu coxinhas nas ruas e encontrou na informática a atividade que acabaria originando a Microlins.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

