RS
6 min de leitura
Gusttavo Lima mobiliza 9 carretas e avião particular durante enchentes no RS, envia cerca de 370 toneladas de água, roupas, remédios, colchões e alimentos, faz dois voos de doações para Caxias do Sul e ajuda a abastecer regiões isoladas pela chuva
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 28/08/2026 às 16:47
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Comboio saiu de Goiânia carregado de mantimentos enquanto uma aeronave ligada ao cantor já havia pousado duas vezes na Serra Gaúcha; Caxias do Sul virou um dos principais pontos de entrada de ajuda após o fechamento do aeroporto de Porto Alegre
As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em maio de 2024 provocaram uma mobilização nacional para levar água, alimentos e outros itens básicos às cidades isoladas. Entre as operações realizadas naquele período, Gusttavo Lima participou do envio de nove carretas com cerca de 370 toneladas de donativos para Caxias do Sul, além de colocar uma aeronave à disposição para transportar suprimentos por via aérea.
Os mantimentos foram arrecadados com participação do próprio artista, de moradores de Goiânia e de empresas parceiras. O comboio levou itens como água, alimentos, roupas, medicamentos, colchões, cobertores e produtos de higiene. Antes da chegada dos caminhões, a aeronave utilizada na operação já havia feito dois voos com doações até o Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul.
Nove carretas deixaram Goiânia e percorreram o caminho até Caxias do Sul
O maior carregamento terrestre ligado à mobilização saiu de Goiânia em 10 de maio de 2024. Segundo reportagem do GZH/Pioneiro, nove carretas chegaram a Caxias do Sul por volta das 19h30 de 13 de maio, transportando aproximadamente 370 toneladas de doações destinadas aos atingidos pelas chuvas.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Antonio Amavel Almeida Monteiro Neto, responsável pela empresa de logística envolvida no transporte, informou que a arrecadação resultou de uma ação conjunta entre Gusttavo Lima, a Balada Music e moradores de Goiânia.
Dentro dos veículos estavam produtos considerados essenciais naquele momento, entre eles água potável, colchões, cobertores, roupas e alimentos. A carga foi descarregada em Caxias do Sul antes de seguir para diferentes pontos atingidos pelas enchentes e pelos deslizamentos.
A Leouve informou ainda que a SER Caxias participou da organização e da destinação dos donativos, com dirigentes e funcionários do clube envolvidos na operação de recebimento. A distribuição deveria atender áreas da Serra Gaúcha, Região Metropolitana e vales, conforme as necessidades verificadas durante a emergência.
Há uma diferença de datas entre algumas publicações sobre a chegada do comboio. A reportagem original do Pioneiro registra a chegada em 13 de maio, enquanto a Leouve menciona o dia 14 em parte de seu texto. O dado de 13 de maio é corroborado por republicações da reportagem original.
Antes das carretas, avião usado por Gusttavo Lima já havia feito dois voos com donativos
A operação não começou pelas estradas. Uma semana antes da chegada do comboio, em 6 de maio de 2024, uma aeronave colocada à disposição pelo cantor realizou viagens levando suprimentos diretamente para Caxias do Sul.
Segundo informações publicadas a partir da cobertura do Pioneiro, o avião realizou duas viagens ao Aeroporto Hugo Cantergiani naquele dia, transportando colchões, mantimentos e água para os atingidos.
A primeira chegada também foi registrada pela imprensa local. A Leouve informou naquele dia que alimentos, medicamentos, roupas, água, colchões e produtos de higiene faziam parte da carga levada à Serra Gaúcha. O artista também divulgava uma campanha de arrecadação no Estádio Serra Dourada, em Goiânia, para ampliar o volume de ajuda enviado ao Estado.
Uma ação paralela envolvendo as empresas Rennova, Nutriex e Belfar utilizou uma aeronave cedida pelo cantor e mobilizou posteriormente sete carretas e quatro caminhões de empresas parceiras com outros suprimentos. Isso mostra que os carregamentos relacionados à mobilização foram resultado de uma rede formada pelo artista, empresas, transportadoras e doadores, e não exclusivamente de produtos comprados pessoalmente por Gusttavo Lima.
Caxias do Sul virou porta de entrada para ajuda enquanto Porto Alegre estava isolada pelo ar
A escolha de Caxias do Sul tinha uma razão logística. As enchentes atingiram diretamente o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, interrompendo as operações do principal terminal aéreo do Estado.
O Ministério de Portos e Aeroportos registra que o Salgado Filho foi fechado em 3 de maio, depois que os alagamentos comprometeram sua infraestrutura. A interrupção obrigou autoridades, empresas e organizações humanitárias a buscar rotas alternativas para o transporte de passageiros, equipes e cargas.
Foi nesse cenário que o Aeroporto Hugo Cantergiani ganhou uma função muito maior do que a habitual.
De acordo com a Prefeitura de Caxias do Sul, o terminal se tornou um hub para operações de ajuda humanitária. Somente em 6 de maio, data dos voos relacionados à operação de Gusttavo Lima, o aeroporto registrou mais de 35 operações, volume equivalente à média de uma semana inteira de movimentação no aeródromo.
O Exército Brasileiro também instalou uma base no aeroporto para auxiliar na triagem, organização e segurança das cargas que chegavam de diferentes partes do país.
Três dias depois, em 9 de maio, o Exército contabilizava 49 aeronaves com ajuda humanitária chegando a Caxias do Sul e mais de 20 toneladas de donativos recebidos pelo aeroporto. Entre os materiais transportados estavam água, cestas básicas, produtos de higiene, alimentos, roupas, fraldas e suprimentos hospitalares.
As 370 toneladas chegaram quando mais de 2,1 milhões de pessoas já haviam sido afetadas
O tamanho da mobilização pode ser entendido pelos números registrados justamente no período em que as carretas chegaram ao Rio Grande do Sul.
Na manhã de 13 de maio de 2024, a Defesa Civil estadual informava que 2.115.703 pessoas haviam sido afetadas pelas enchentes. Naquele momento, havia 806 feridos, 127 desaparecidos e 147 mortes confirmadas relacionadas ao desastre.
Mais de 76 mil pessoas já haviam sido resgatadas, além de 10,8 mil animais. A operação pública mobilizava 27.651 profissionais, mais de 4,4 mil veículos, 41 aeronaves e 340 embarcações.
Os números ainda aumentariam nas semanas seguintes. Um levantamento posterior do governo gaúcho apontou que 478 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul foram atingidos e que o desastre deixou 182 mortos.
Caxias do Sul também enfrentou volumes excepcionais de chuva. Entre 27 de abril e 31 de maio, foram registrados cerca de 1.023 milímetros, quantidade equivalente a mais da metade da média histórica anual do município, segundo relatório técnico estadual baseado em dados do Instituto Nacional de Meteorologia.
Água, alimentos e colchões seguiram de Caxias para diferentes regiões atingidas
Depois do descarregamento das nove carretas, o desafio passou a ser fazer os produtos chegarem a quem estava isolado ou havia perdido a casa.
A operação foi montada para que os donativos recebidos em Caxias do Sul fossem encaminhados conforme a demanda de cada região. Serra Gaúcha, vales e municípios da Região Metropolitana estavam entre os destinos previstos.
A participação da SER Caxias ajudou nessa etapa, enquanto transportadoras, voluntários, empresas e outras organizações trabalharam na movimentação das cargas.
O número de 370 toneladas refere-se ao volume informado para o comboio de nove carretas. As fontes consultadas não apresentam uma divisão detalhada de quantas toneladas de cada produto foram transportadas nem atribuem toda a compra dos itens exclusivamente ao patrimônio pessoal do cantor. Parte das doações veio de arrecadações realizadas com moradores de Goiânia e de ações com empresas parceiras.
Esse detalhe ajuda a dimensionar melhor o que ocorreu. Gusttavo Lima funcionou como um dos principais mobilizadores da operação, usando sua estrutura empresarial, capacidade de divulgação e transporte aéreo, enquanto cidadãos e empresas contribuíram para preencher os caminhões.
Com estradas interrompidas, cidades alagadas e o principal aeroporto do Estado fechado, a combinação entre nove carretas, dois voos e uma estrutura de distribuição montada em Caxias do Sul permitiu que centenas de toneladas de produtos entrassem no Rio Grande do Sul em poucos dias.
O que você acha desse tipo de mobilização de artistas e empresas em situações de calamidade?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

