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Jan De Nul lança navio gigante de 215 metros capaz de carregar 28 mil toneladas de cabos, operar a 4.000 metros de profundidade e instalar até 4 linhas simultaneamente para conectar megaprojetos eólicos no Mar do Norte
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 29/08/2026 às 18:25
Atualizado em 29/08/2026 às 18:57
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William Thomson é o segundo navio de nova geração lançado pela empresa belga, terá três carrosséis para cabos e sistema híbrido com bateria de 2,5 MWh; primeira missão envolve programa que prevê instalar mais de 2.800 km de cabos submarinos de 525 kV.
A Jan De Nul lançou seu segundo navio de nova geração para instalação de cabos submarinos, o William Thomson, uma embarcação de 215 metros de comprimento capaz de transportar 28 mil toneladas de cabos e trabalhar em águas de até 4.000 metros de profundidade. Conforme informações publicadas pela Marine Technology News, o gigante foi lançado no estaleiro CMHI Haimen, na China, e deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2027 para atender projetos ligados principalmente à expansão da energia offshore e das interconexões elétricas.
O tamanho, porém, representa apenas uma parte da capacidade.
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O William Thomson possui três carrosséis para armazenamento de cabos, pode instalar até quatro cabos simultaneamente e foi projetado para trabalhar com tensões de cabo de até 150 toneladas.
Além disso, a capacidade de transportar 28 mil toneladas permite instalar trechos submarinos mais longos em uma única campanha. Assim, a embarcação reduz a necessidade de retornar ao porto para reabastecimento de cabos durante determinadas operações.
O navio também não estará sozinho.
Ele é praticamente idêntico ao Fleeming Jenkin, embarcação irmã lançada em outubro de 2025. Juntas, as duas unidades deverão se tornar os maiores navios de instalação de cabos de seu tipo, segundo a publicação especializada.
William Thomson leva 28 mil toneladas de cabos em navio de 215 metros
Construir um navio para instalar cabos no fundo do oceano exige resolver um problema de escala.
Projetos offshore modernos podem demandar centenas ou milhares de quilômetros de conexões submarinas. Portanto, quanto mais cabo uma embarcação consegue transportar, maior pode ser o trecho instalado antes que ela precise retornar para buscar novo carregamento.
Nesse ponto aparece um dos principais números do William Thomson.
O navio possui capacidade para transportar 28 mil toneladas de cabos dentro de uma estrutura com 215 metros de comprimento.
A Jan De Nul também distribuiu essa capacidade entre três carrosséis.
Esses grandes sistemas circulares armazenam os cabos durante a viagem e permitem sua alimentação controlada para os equipamentos de lançamento enquanto o navio avança pelo percurso planejado.
Com isso, a embarcação pode trabalhar com até quatro cabos ao mesmo tempo.
A escala acompanha uma tendência de crescimento dos projetos marítimos ligados à geração e transmissão de energia. No setor offshore brasileiro, por exemplo, embarcações e plataformas também avançam para dimensões cada vez maiores, como mostram os FPSOs gigantes destinados à Petrobras, cada um projetado para produzir até 225 mil barris de petróleo por dia.
Navio poderá instalar cabos a até 4.000 metros de profundidade
A capacidade de armazenamento não é o único número que chama atenção.
O William Thomson foi projetado para realizar operações em águas com profundidade de até 4.000 metros.
Além disso, seus equipamentos conseguem trabalhar com tensões de cabo de até 150 toneladas.
Essa combinação amplia o tipo de projeto que pode ser atendido pela embarcação.
Cabos submarinos precisam sair dos carrosséis, atravessar equipamentos de controle e chegar ao fundo do mar de maneira precisa. Consequentemente, controlar tensão e posicionamento torna-se essencial para evitar danos durante a instalação.
A Jan De Nul afirma que desenvolveu internamente os dois navios, aproveitando aproximadamente 15 anos de experiência acumulada pela companhia em instalação de cabos.
Segundo Wouter Vermeersch, diretor de Subsea Cables Offshore Energy da empresa, William Thomson e Fleeming Jenkin reúnem o conhecimento adquirido pela companhia nesse período.
Porém, a capacidade real das embarcações será demonstrada em grandes projetos depois que elas entrarem efetivamente em serviço.
Fleeming Jenkin chega primeiro e William Thomson começa a operar em 2027
Embora os dois navios já tenham sido lançados, isso não significa que ambos estejam operando comercialmente.
O Fleeming Jenkin tem entrega prevista para o quarto trimestre de 2026.
Já o William Thomson deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2027.
Essa diferença é importante porque o lançamento ao mar representa uma etapa da construção naval, e não o início automático das operações.
Depois dessa fase, ainda existem trabalhos de conclusão, integração, testes e preparação antes da entrega definitiva.
O avanço simultâneo das duas embarcações mostra como a Jan De Nul está ampliando capacidade antes de uma sequência de grandes contratos submarinos.
Ao mesmo tempo, outras tecnologias offshore começam a buscar materiais e configurações diferentes para trabalhar no ambiente marinho. Na China, por exemplo, uma plataforma solar offshore de 100 kW feita com compósito de bambu foi concluída como parte de uma tentativa de levar o material resistente à corrosão para estruturas energéticas no mar.
Primeira missão envolve mais de 2.800 km de cabos submarinos de 525 kV
Depois da entrega, William Thomson e Fleeming Jenkin já têm um desafio de grande escala pela frente.
As duas embarcações serão mobilizadas em sua primeira missão para o programa offshore 2GW da TenneT, que envolve projetos nos Países Baixos e na Alemanha.
O programa prevê instalar mais de 2.800 quilômetros de cabos submarinos de corrente contínua de 525 kV.
Esses cabos estarão distribuídos por quatro conexões de rede.
Cada uma terá capacidade para transmitir até 2 GW de potência.
Portanto, considerando as quatro conexões mencionadas pela fonte, o programa reúne até 8 GW de capacidade de transmissão. Esse valor resulta da soma das quatro ligações de 2 GW e serve para dimensionar a escala do sistema, não como um dado apresentado isoladamente pela publicação.
O objetivo é transportar eletricidade produzida offshore até as redes terrestres.
Nesse cenário, navios capazes de carregar grandes quantidades de cabos ganham importância porque precisam conectar instalações localizadas cada vez mais longe da costa.
Três carrosséis permitem instalar até quatro cabos simultaneamente
O desenho do William Thomson busca justamente aumentar a produtividade dessas campanhas.
Os três carrosséis permitem transportar diferentes cabos a bordo, enquanto os sistemas de instalação foram projetados para trabalhar com até quatro linhas simultaneamente.
Além disso, a capacidade de 28 mil toneladas reduz a necessidade de viagens intermediárias.
Esse detalhe pode ter impacto operacional relevante.
Cada retorno ao porto interrompe temporariamente a campanha offshore. Portanto, aumentar a quantidade de cabo transportada permite ampliar os trechos executados entre essas interrupções.
Ainda assim, a fonte não apresenta um percentual específico de redução de custos ou de tempo proporcionado pelos novos navios.
Por isso, não é possível afirmar que William Thomson reduzirá determinada porcentagem do custo de uma obra. O dado comprovado é que sua capacidade permite instalar cabos mais longos em uma única campanha e reduzir a necessidade de viagens de retorno.
Bateria de 2,5 MWh entra no sistema híbrido do navio
A Jan De Nul também incorporou um sistema híbrido de energia às novas embarcações.
O conjunto inclui uma bateria com capacidade de 2,5 MWh.
Além disso, os motores foram projetados para operar com biocombustível e metanol verde.
Os navios também incorporam tecnologias destinadas à redução de emissões para atender padrões ambientais europeus.
Assim, a companhia tenta combinar capacidade de instalação submarina com alternativas para diminuir o impacto ambiental da própria operação marítima.
Essa combinação entre armazenamento e sistemas energéticos aparece em diferentes escalas no setor. Pesquisadores, por exemplo, desenvolveram recentemente uma bateria de zinco e iodo que recarrega em três minutos e ultrapassou 60 mil ciclos em condições descritas no estudo, embora a tecnologia ainda precise avançar do laboratório para protótipos e eventual aplicação comercial.
No William Thomson, por outro lado, a bateria de 2,5 MWh integra diretamente o projeto híbrido da embarcação.
William Thomson também poderá trabalhar no hub energético Princess Elisabeth Island
A primeira missão não representa o limite dos planos para a nova frota.
Segundo a Jan De Nul, uma das embarcações também deverá apoiar futuros projetos envolvendo a instalação de cabos para a Princess Elisabeth Island, na Bélgica.
O projeto está sendo desenvolvido como um hub energético destinado a conectar parques eólicos offshore.
Além disso, a infraestrutura deverá reforçar interconexões entre países do Mar do Norte.
Nesse contexto, os cabos submarinos deixam de funcionar apenas como ligações entre um parque eólico e o continente.
Eles passam a integrar redes internacionais maiores, capazes de transportar eletricidade entre diferentes pontos e sistemas.
Consequentemente, a capacidade dos navios de instalação passa a acompanhar o crescimento físico dessas redes.
Jan De Nul amplia frota enquanto projetos offshore exigem mais infraestrutura submarina
William Thomson e Fleeming Jenkin fazem parte de uma expansão mais ampla.
A Jan De Nul também está aumentando sua frota de embarcações destinadas à proteção de cabos submarinos.
Isso inclui unidades de apoio para abertura de trincheiras e instalação de rochas no fundo do mar.
Essas operações aparecem depois ou em conjunto com a instalação dos cabos, dependendo das características de cada projeto.
A lógica é proteger infraestruturas que podem atravessar centenas de quilômetros no fundo do oceano.
Portanto, a empresa não está investindo apenas em navios capazes de transportar e lançar cabos.
Ela tenta montar uma frota capaz de participar de diferentes etapas da infraestrutura submarina necessária para projetos de energia renovável offshore.
De 215 metros e 28 mil toneladas de cabos a uma rede submarina de 2.800 km
O lançamento do William Thomson marca mais uma etapa dessa estratégia.
A Jan De Nul agora possui dois navios gigantes de nova geração lançados ao mar: Fleeming Jenkin e William Thomson.
Cada embarcação mede 215 metros, transporta até 28 mil toneladas de cabos, pode trabalhar em águas de até 4.000 metros de profundidade e instalar até quatro cabos simultaneamente.
Porém, o maior teste ainda está pela frente.
Depois da entrega do Fleeming Jenkin no quarto trimestre de 2026 e da entrada prevista do William Thomson em operação no primeiro semestre de 2027, os gigantes deverão participar de um programa que envolve mais de 2.800 km de cabos submarinos de 525 kV e quatro conexões de até 2 GW cada.
Assim, navios que parecem enormes quando vistos isoladamente passam a ser apenas uma peça de uma infraestrutura energética que atravessará milhares de quilômetros pelo fundo do Mar do Norte.
Você acredita que navios capazes de transportar 28 mil toneladas de cabos e instalar até quatro linhas simultaneamente serão decisivos para acelerar a expansão dos parques eólicos offshore e das redes elétricas submarinas?
Fonte
Marine Technology News
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

