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Ursa mantida sozinha em pequena jaula de concreto de resort na Armênia passa anos sem explorar, brincar ou sentir a terra sob as patas, até ser resgatada e levada para um santuário no país, onde passa a viver com outros ursos, recupera os instintos e finalmente demonstra alegria novamente
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 29/08/2026 às 19:24
Atualizado em 29/08/2026 às 19:48
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Retta deixou um recinto dominado pelo concreto para iniciar uma recuperação acompanhada em um santuário, onde o acesso a solo natural, enriquecimento ambiental e convivência com outros animais permitiu que comportamentos antes limitados pelo confinamento voltassem a fazer parte de sua rotina.
Margaretta, conhecida como Retta, passou anos confinada em uma pequena jaula de concreto de um resort na Armênia, sem oportunidades normais para explorar, brincar ou sentir a terra sob as patas. Depois do resgate, a ursa iniciou uma adaptação a condições completamente diferentes.
A International Animal Rescue (IAR), organização que divulgou a história, descreveu o antigo recinto como um espaço reduzido de concreto que havia se tornado praticamente todo o ambiente disponível para Retta, mantida no resort como atração para visitantes.
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A vida naquele espaço restringia atividades elementares para um animal selvagem. Sem variedade de superfícies e com poucas possibilidades de movimento, Retta não conseguia investigar diferentes áreas, procurar estímulos ou utilizar o ambiente de maneiras compatíveis com o repertório natural de um urso.
A retirada do resort foi realizada pela IAR em parceria com a Foundation for the Preservation of Wildlife and Cultural Assets (FPWC), organização armênia responsável pelo santuário que recebe animais resgatados no país, com participação de autoridades locais e da polícia na operação.
O resgate encerrou o confinamento, mas não eliminou imediatamente seus efeitos. Depois de anos em uma área restrita, Retta precisou conhecer gradualmente novas superfícies, cheiros, objetos e espaços, enquanto os responsáveis acompanhavam como ela reagia às experiências que antes não faziam parte de sua rotina.
Da jaula de concreto a um ambiente com novos estímulos
No santuário, a reabilitação passou a oferecer condições para que Retta explorasse o espaço no próprio ritmo, com enriquecimento ambiental e manejo voltado a reduzir o estresse e estimular comportamentos que haviam sido prejudicados pelo longo período de confinamento.
Entre as mudanças mais significativas estava algo básico: Retta passou a caminhar sobre terra. Para uma ursa que havia permanecido cercada por concreto, o contato com solo natural e a possibilidade de investigar diferentes partes do recinto representavam experiências ausentes de sua antiga rotina.
O espaço maior também devolveu escolhas ao cotidiano da ursa, permitindo que ela decidisse onde caminhar, parar e investigar em vez de permanecer limitada à mesma pequena área, uma mudança percebida na crescente curiosidade e na forma como passou a responder ao ambiente.
O programa de proteção de ursos na Armênia informa que animais retirados de cativeiros inadequados podem apresentar problemas físicos e alterações de comportamento. A reabilitação inclui alimentação adequada e enriquecimento ambiental para aliviar o estresse e favorecer a recuperação.
Em alguns ursos resgatados, a equipe observa movimentos repetitivos associados ao confinamento, como andar continuamente de um lado para outro ou circular pelo recinto, sinais que ajudam a dimensionar os efeitos que ambientes pequenos e pouco estimulantes podem produzir sobre esses animais.
Convivência com outros ursos amplia a nova rotina
Depois da fase inicial de adaptação, Retta passou a viver com outros ursos, acrescentando ao cotidiano uma experiência que não existia enquanto permanecia isolada no resort. A convivência passou a integrar uma rotina já marcada por maior espaço e diversidade de estímulos.
O contraste apareceu principalmente na forma como ela começou a utilizar o ambiente: explorar, investigar e interagir com os elementos disponíveis voltaram a fazer parte de seus dias, comportamentos que haviam permanecido severamente limitados pelas condições físicas do antigo recinto.
A IAR associou essa transformação à recuperação dos instintos e ao retorno de sinais de alegria. Alan Knight, presidente da organização, destacou o valor de observar Retta redescobrir esses comportamentos depois do esforço necessário para retirá-la do confinamento e levá-la a um local seguro.
O caso de Retta integra um problema mais amplo enfrentado pelo projeto na Armênia, que recebe ursos encontrados em pequenas jaulas próximas a restaurantes e atrações de estrada ou mantidos em propriedades particulares, inclusive animais usados para entretenimento.
Alguns chegam ao santuário com danos físicos e alterações comportamentais relacionados às condições anteriores. A organização registra problemas nas patas associados ao contato prolongado com concreto, dificuldades dentárias e movimentos repetitivos entre as situações encontradas nos animais retirados desses cativeiros.
A possibilidade de retorno à natureza depende da avaliação de cada animal e de sua recuperação; quando comportamentos naturais importantes reaparecem e as condições permitem, alguns ursos podem ser considerados para soltura, enquanto outros precisam permanecer sob cuidados especializados.
Retta está neste segundo grupo: a IAR informa que ela precisará de cuidados e apoio diários pelo restante da vida, mantendo no santuário o acompanhamento necessário para continuar tendo acesso às condições que lhe foram negadas durante os anos de confinamento no resort.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

