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Para que uma menina de 8 anos pudesse acompanhar os cinco irmãos nos passeios da família, universitários desmontaram carrinhos elétricos de brinquedo, trocaram o pedal por um botão no volante, moldaram bancos sob medida e entregaram aos pais o controle remoto que devolveu mobilidade e alegria às crianças
Escrito por Ana Alice
Publicado em 01/08/2026 às 17:30
Curiosidades
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Carrinhos elétricos comuns ganharam bancos moldados, botões no volante e controles remotos para permitir que crianças com limitações motoras participassem de passeios, brincadeiras e experiências familiares antes inacessíveis ao lado de outras crianças.
Para uma criança, dirigir um carrinho elétrico de brinquedo pela calçada pode representar apenas diversão.
Para Olive, de 8 anos, a experiência também significava a possibilidade de acompanhar os cinco irmãos durante os passeios da família sem depender de um brinquedo fabricado para movimentos que ela não conseguia executar com facilidade.
O carrinho entregue à menina havia passado por um processo de desmontagem, avaliação clínica e reconstrução conduzido por estudantes universitários.
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O pedal original foi substituído por um botão instalado no volante, o assento recebeu contornos adaptados ao corpo da criança e os pais ganharam um controle remoto capaz de comandar direção, avanço e marcha a ré.
Carrinho adaptado permitiu acompanhar os irmãos
Olive recebeu o veículo por meio do Go Baby Go Music City, iniciativa que reúne estudantes de Engenharia Biomédica da Universidade Vanderbilt e alunos de Terapia Ocupacional da Universidade Belmont, nos Estados Unidos.
O projeto modifica carrinhos elétricos vendidos em lojas para que crianças com dificuldades de controle muscular, equilíbrio comprometido ou paralisia nos membros inferiores possam utilizá-los.
A história foi divulgada pela Escola de Engenharia de Vanderbilt em fevereiro de 2025.
Na ocasião, Olive apresentou seu novo veículo diante dos estudantes responsáveis pelo projeto, enquanto a mãe, Amelia Platt, explicava o que a adaptação representaria para a rotina doméstica.
“Olive poderá acompanhar nossos passeios em família no carrinho pelas calçadas”, afirmou Amelia.
A mãe acrescentou que o trajeto ficaria movimentado, já que a menina tem cinco irmãos.
Projeto também atendeu outras crianças
O veículo de Olive fazia parte de um grupo de carrinhos preparados para crianças com necessidades diferentes.
Entre os participantes estavam Ronnie, que dirigiu um modelo vermelho com a ajuda da mãe, e JoJo, que recebeu o equipamento na véspera de completar 2 anos.
Também havia um carrinho destinado a Aaron, outra criança próxima dos 2 anos.
Como ele não pôde comparecer à entrega por estar em uma consulta médica, o pai, Jason Eaves, foi buscar o veículo, que recebeu uma pequena estrutura traseira para transportar os equipamentos utilizados pelo menino.
Terapeutas avaliaram as necessidades de cada criança
As modificações começavam antes do encontro presencial com as famílias.
Terapeutas pediátricos do Vanderbilt University Medical Center indicavam crianças que poderiam se beneficiar do projeto, enquanto estudantes de Terapia Ocupacional avaliavam postura, controle do corpo, alcance dos braços e outras necessidades individuais.
As informações clínicas eram compartilhadas com os alunos de Engenharia Biomédica.
A partir desses dados, as equipes precisavam determinar como alterar a parte elétrica, o assento, o volante e os apoios sem impedir o funcionamento do brinquedo.
Carrinhos comuns exigiam movimentos inacessíveis
Carrinhos convencionais geralmente exigem que a criança permaneça sentada sem apoio adicional, pressione um pedal com o pé e utilize o volante com alcance e força suficientes.
Para quem possui movimentos limitados, esses três requisitos podem tornar o brinquedo inacessível antes mesmo de a bateria ser ligada.
No projeto, os assentos rígidos e angulares eram retirados ou cobertos por estruturas moldadas para sustentar cada criança.
Cintos, encostos, suportes laterais e acolchoamentos podiam ser acrescentados de acordo com a avaliação realizada pelos estudantes de Terapia Ocupacional.
Acolchoamento protegia joelhos e pontos de contato
A proteção dos joelhos também recebia atenção.
Almofadas eram instaladas nos pontos de possível contato com a estrutura plástica, reduzindo o risco de impactos durante os deslocamentos ou nos momentos em que os pais ajudavam a colocar e retirar a criança.
Pedal foi substituído por botão no volante
Uma das principais mudanças ocorria no sistema de aceleração.
O pedal era desconectado e a fiação passava a acionar um botão maior instalado em uma área acessível do volante.
Ao pressioná-lo com a mão, o braço ou outra parte do membro superior, a criança conseguia colocar o carrinho em movimento.
A solução eliminava a necessidade de manter o pé sobre o acelerador original e permitia ajustar o comando às habilidades de cada usuário.
Controle remoto aumentava a segurança
O controle remoto entregue aos responsáveis acrescentava outra camada de segurança.
Por meio dele, um adulto podia comandar os movimentos para a esquerda e para a direita, avançar, recuar ou intervir quando a criança se aproximasse de um obstáculo.
Essas adaptações eram realizadas em carrinhos elétricos de 12 volts disponíveis comercialmente.
Em vez de desenvolver um veículo inteiramente novo, os universitários aproveitavam a estrutura existente e alteravam os pontos que impediam o uso por crianças com diferenças motoras.
Ajustes finais eram feitos com a criança no carrinho
A entrega ocorria no Wond’ry, centro de inovação da Universidade Vanderbilt.
A presença das crianças no local era parte importante do processo porque permitia testar o encaixe do assento, verificar o alcance do botão e corrigir detalhes que não poderiam ser previstos apenas por medidas e relatórios.
Os estudantes permaneciam próximos durante os primeiros deslocamentos para solucionar problemas imediatamente.
Um cinto poderia precisar de ajuste, um apoio lateral poderia ficar mais alto do que o necessário ou a posição do volante poderia dificultar o acionamento.
“Tem sido muito gratificante traduzir nossa pesquisa e observar o impacto”, declarou o estudante Seth Hemingway durante uma das entregas.
Assista o vídeo
Cada carrinho exigia uma solução diferente
A professora Amanda Lowery, que atua na área de Engenharia Biomédica de Vanderbilt, explicou que os carrinhos oferecem aos alunos um problema aberto, sem uma única solução pronta.
Cada criança chega com medidas, movimentos, preferências e necessidades que exigem uma combinação diferente de recursos.
“A mobilidade na primeira infância é importante para os marcos do desenvolvimento. Queremos ajudar essas crianças a ganhar mobilidade ao mesmo tempo que seus pares”, afirmou Lowery.
Mobilidade também participa do desenvolvimento infantil
O uso dos veículos não se limita a atravessar uma sala ou acompanhar um passeio.
Ao controlar a própria direção, a criança precisa observar o ambiente, decidir para onde pretende ir, alcançar o comando e relacionar a pressão exercida ao movimento produzido.
A adaptação também cria oportunidades para brincar ao lado de irmãos e outras crianças.
No caso de Olive, o objetivo mencionado pela mãe era diretamente ligado à convivência familiar: permitir que a menina participasse dos passeios pelas calçadas com os cinco irmãos.
Veículos eram personalizados para cada usuário
Os veículos não saíam da universidade como produtos produzidos em série.
Cada um era tratado como um projeto individual, desenvolvido a partir da avaliação funcional da criança que o receberia.
Essa diferença explica por que as equipes não se limitavam a instalar o mesmo botão em todos os modelos.
Algumas crianças precisavam de maior sustentação na cabeça, outras necessitavam de cintos de cinco pontos, volantes elevados, comandos deslocados ou estruturas para levar equipamentos.
Engenharia e Terapia Ocupacional trabalharam juntas
O trabalho também aproximava duas áreas que atuam de maneiras complementares.
Os estudantes de Terapia Ocupacional sabiam identificar como a criança se posicionava e quais movimentos poderia realizar, enquanto os alunos de Engenharia dominavam conhecimentos necessários para desmontar, conectar fios e instalar os novos dispositivos.
Segundo Lowery, os participantes comentavam que a experiência fazia com que se sentissem engenheiros de verdade.
A observação estava relacionada à necessidade de transformar conteúdos vistos em aula em uma solução que seria utilizada por uma família fora da universidade.
Projeto fazia parte da formação universitária
As adaptações integravam disciplinas obrigatórias de projeto biomédico ministradas por Amanda Lowery e Eric Spivey.
Além dos carrinhos, estudantes também modificavam brinquedos que cantam e dançam para que crianças com deficiência pudessem acioná-los por comandos mais acessíveis.
Até a divulgação da história de Olive, as atividades coordenadas por Lowery haviam envolvido mais de 200 estudantes de Engenharia de Vanderbilt, 30 alunos do ensino médio e 150 integrantes da comunidade.
As equipes tinham entregado 80 carrinhos modificados, 178 brinquedos adaptados e 19 livros infantis produzidos pelos próprios estudantes.
Go Baby Go Music City atua desde 2013
O Go Baby Go Music City possui uma trajetória anterior à participação de Olive.
Registros da Universidade Belmont mostram que, em 2017, estudantes de Terapia Ocupacional já trabalhavam com alunos ligados a Vanderbilt para adaptar carrinhos destinados a crianças com paralisia cerebral, espinha bífida, lesões traumáticas e outras condições que afetavam a mobilidade.
Assista o vídeo
Naquele período, as equipes utilizavam recursos como cintos de cinco pontos, apoios laterais, suportes de cabeça e volantes elevados.
O princípio era semelhante: avaliar o que a criança conseguia fazer e modificar um brinquedo comum para tornar o comando acessível.
Programa bateu recorde de atendimento em 2026
A iniciativa continuou depois da entrega dos veículos apresentados em 2025.
Em abril de 2026, a Universidade Belmont informou que o capítulo Music City realizou o maior evento de sua história, com carrinhos personalizados para nove crianças.
O programa, promovido anualmente pela instituição desde 2013, ampliou naquele ano a participação de fornecedores de tecnologia assistiva.
Representantes de empresas especializadas acompanharam cada equipe, ajudando os universitários a construir estruturas mais resistentes e adequadas ao uso das famílias.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

