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Por 26 anos, uma fábrica gaúcha colocou Celta e Onix nas ruas, marcou gerações de motoristas e produziu 5 milhões de carros, mas agora se prepara para deixar essa história para trás e abrir uma nova era com o Sonic
Escrito por Ana Alice
Publicado em 04/08/2026 às 23:51
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De um compacto popular vendido pela internet a um SUV com inteligência artificial e versões híbridas no horizonte, a fábrica gaúcha atravessa uma transformação que acompanha a história recente do automóvel brasileiro.
O carro de número 5 milhões produzido pela General Motors em Gravataí, no Rio Grande do Sul, não foi um Celta nem um Onix.
O modelo escolhido para marcar a passagem foi um Chevrolet Sonic 2027, sinal de uma mudança importante dentro do complexo industrial que ajudou a popularizar alguns dos automóveis mais conhecidos do país.
A marca foi alcançada em julho de 2026, quando a unidade completou 26 anos de operação.
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Inaugurada em 20 de julho de 2000, a fábrica foi a primeira da GM brasileira construída fora do estado de São Paulo e começou sua trajetória produzindo um compacto desenvolvido para ser simples, leve e acessível: o Celta.
Mais de duas décadas depois, a mesma linha passou a reunir Onix, Onix Plus e Sonic.
A transformação não ficou restrita aos carros.
Robôs, câmeras inteligentes, sistemas digitais e aplicações de inteligência artificial passaram a acompanhar diferentes etapas da produção, da formação da carroceria ao controle de qualidade.
O complexo tem capacidade instalada para fabricar até 330 mil veículos por ano.
Dentro de sua estrutura funcionam áreas de estamparia, produção de componentes plásticos, funilaria, pintura e montagem final, além de 13 fornecedores e um operador logístico instalados no próprio terreno.
Fábrica da GM em Gravataí nasceu ao redor do Celta
Quando a unidade entrou em operação, o Celta representava a principal razão para a existência do novo complexo.
O carro havia sido pensado para ocupar uma faixa de entrada do mercado brasileiro, com carroceria compacta, mecânica simples e custos de aquisição e manutenção mais baixos.
A fábrica também chegou com uma organização industrial que chamava atenção naquele período.
Em vez de receber todos os componentes de fornecedores distantes, a GM adotou o conceito de condomínio industrial, reunindo empresas parceiras próximas à linha de montagem.
Na prática, peças e conjuntos podiam percorrer distâncias menores antes de chegar ao veículo.
Esse modelo reduzia etapas logísticas, facilitava a comunicação entre as empresas e ajudava a manter o ritmo de uma operação projetada desde o início para produzir grandes volumes.
O crescimento apareceu rapidamente nos números.
Em menos de cinco anos, Gravataí alcançou 500 mil veículos montados.
A marca de 1 milhão foi superada no oitavo ano de atividade, enquanto o total chegou a 3,5 milhões em 2018.
O Celta também ocupou um lugar particular na história comercial da Chevrolet no país.
Além de se tornar um dos compactos mais conhecidos de sua geração, foi apresentado pela fabricante como o primeiro carro comercializado pela internet no Brasil.
Prisma e Onix ampliaram a produção da Chevrolet
A primeira ampliação relevante ocorreu em 2006, quando o complexo recebeu investimento de R$ 240 milhões para produzir o Prisma.
O sedã compartilhava parte de sua base com o Celta, mas oferecia uma carroceria diferente e ampliava o alcance da fábrica entre consumidores que buscavam mais espaço para bagagem.
A mudança seguinte foi maior.
Entre 2010 e 2012, a GM destinou R$ 1,4 bilhão à expansão da unidade para preparar a chegada do Onix, modelo que assumiria um papel central na estratégia da Chevrolet no Brasil.
Lançado em 2012, o Onix passou a ser fabricado em Gravataí desde o início.
Hatch e sedã atravessaram atualizações de projeto, mudanças de geração e a incorporação de recursos como central multimídia, conexão com smartphones, Wi-Fi nativo, controle eletrônico de estabilidade e sistemas de assistência ao motorista.
Em agosto de 2025, a família Onix atingiu 3 milhões de unidades produzidas no Brasil e ultrapassou o Corsa no ranking interno da marca.
Com isso, tornou-se a linha Chevrolet de maior produção acumulada na história do país.
A marca também ajuda a dimensionar o peso de Gravataí dentro da operação brasileira.
Dos 5 milhões de veículos que deixaram o complexo desde 2000, mais de 3 milhões pertencem à família Onix, considerando o volume confirmado pela fabricante até 2025.
Chevrolet Sonic abre novo ciclo na fábrica de Gravataí
O Sonic que passou a ser produzido em Gravataí em 2026 não é uma nova geração do antigo hatch importado que usou o mesmo nome no Brasil entre 2012 e 2014.
O modelo atual é um SUV de estilo cupê desenvolvido para ocupar o espaço entre o Onix Activ e o Tracker no portfólio da Chevrolet.
Apresentado globalmente no Brasil em abril de 2026, o veículo começou a ser comercializado em maio.
Sua produção foi concentrada na fábrica gaúcha, com previsão de atender tanto o mercado nacional quanto outros países da América do Sul.
O Sonic mede 4,23 metros de comprimento, 1,77 metro de largura e 1,53 metro de altura.
Embora use uma arquitetura modular da GM, recebeu proporções próprias e passou por um processo de desenvolvimento realizado integralmente em ambiente virtual, com ferramentas de inteligência artificial apoiando engenheiros e designers.
A chegada do SUV exigiu alterações na fábrica.
O investimento de R$ 1,2 bilhão anunciado em 2024 foi direcionado à modernização do complexo, à renovação do portfólio e à preparação da linha para o novo produto.
A adaptação precisava permitir a montagem simultânea de carros com diferentes formatos e níveis de complexidade.
Na mesma operação, a unidade passou a combinar os compactos Onix e Onix Plus com um veículo de carroceria mais alta, componentes próprios e novos sistemas eletrônicos.
Robôs e inteligência artificial transformaram a linha de montagem
A imagem de uma fábrica de automóveis ainda costuma ser associada a esteiras, soldas e trabalhadores instalando componentes.
Esses elementos continuam presentes, mas a produção atual também depende de sensores, softwares e decisões tomadas a partir de dados coletados em tempo real.
Segundo a GM, Gravataí opera com centenas de robôs e mais de 100 aplicações de inteligência artificial desenvolvidas pela equipe local.
Os sistemas são utilizados para otimizar processos, reduzir o consumo de energia, identificar desvios e melhorar a eficiência das operações.
Câmeras e equipamentos digitais acompanham diferentes pontos da linha.
Caso uma falha seja detectada, o processo pode ser interrompido para impedir que o problema avance para as fases seguintes, nas quais uma correção poderia exigir mais tempo e recursos.
A modernização também acompanha a evolução dos próprios veículos.
Sistemas como seis airbags, controle de estabilidade, conectividade, Wi-Fi nativo e assistentes de condução exigem mais componentes eletrônicos, novos testes e maior integração entre as etapas de montagem.
Em uma visita realizada durante o início da produção do Sonic, o Motor1 Brasil registrou uma velocidade próxima de 63 carros por hora, equivalente a aproximadamente um veículo a cada 55 segundos.
O ritmo depende da configuração da linha, da programação industrial e do modelo em montagem.
Investimentos na fábrica da GM somam cerca de R$ 6 bilhões
Desde a implantação, a unidade recebeu cerca de R$ 6 bilhões em grandes ciclos de investimento.
O primeiro aporte, de R$ 1,1 bilhão, viabilizou a inauguração e o início da produção do Celta em 2000.
Seis anos depois, R$ 240 milhões financiaram a ampliação para o Prisma.
Entre 2010 e 2012, outros R$ 1,4 bilhão prepararam a fábrica para o Onix.
Uma nova modernização, ligada aos Onix e Onix Plus atualizados, recebeu R$ 1,9 bilhão em 2019.
O ciclo mais recente começou com o anúncio de R$ 1,2 bilhão em 2024 para renovar a estrutura e receber o Sonic.
Essas etapas explicam por que a fábrica inaugurada para um carro popular conseguiu absorver modelos com exigências técnicas diferentes.
Partes da estrutura foram preservadas, enquanto equipamentos, processos e sistemas de controle mudaram conforme os novos projetos chegavam.
Próxima fase da GM em Gravataí deve incluir híbridos
A marca de 5 milhões também foi acompanhada por uma sinalização sobre os próximos produtos da unidade.
Durante a celebração em Gravataí, o presidente da GM América do Sul, Thomas Owsianski, afirmou que novos veículos híbridos seriam lançados nos meses seguintes.
Segundo informações divulgadas após o evento, a linha Sonic deverá receber outras versões, incluindo configuração híbrida, e ampliar sua presença em mercados sul-americanos.
O desenvolvimento e a homologação das motorizações estavam em fase final em julho de 2026.
A introdução de um híbrido acrescenta novas exigências à produção.
Além do motor a combustão, o veículo precisa receber componentes elétricos, módulos eletrônicos, sistemas de gerenciamento de energia e procedimentos específicos de controle e segurança.
A GM ainda não detalhou publicamente todas as versões, datas de lançamento ou volumes que poderão ser produzidos em Gravataí.
Por isso, não é possível afirmar qual será o peso dos híbridos no total fabricado pela unidade.
Fábrica reduziu resíduos e consumo de energia
A modernização da fábrica também alcançou indicadores ambientais.
De acordo com a General Motors, Gravataí foi a primeira unidade da companhia a obter a certificação “Zero Aterro”, com reciclagem dos resíduos industriais gerados pela operação.
A empresa informa ainda que o complexo reduziu em mais de 68% suas emissões diretas de carbono, classificadas como escopo 1.
A unidade possui certificações ligadas à qualidade, à gestão ambiental e ao uso de energia.
Esses resultados são divulgados pela própria montadora e integram sua estratégia ambiental.
O desempenho de uma fábrica, no entanto, envolve diferentes indicadores, como origem da energia, consumo de água, geração de resíduos, emissões da cadeia de fornecedores e impacto dos veículos durante o uso.
Ao completar 26 anos, Gravataí reúne camadas distintas da indústria brasileira.
O complexo começou com um automóvel compacto vendido até pela internet, passou pelo sedã Prisma, transformou-se com o Onix e entrou na fase dos SUVs cupês, da inteligência artificial e da preparação para veículos híbridos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

