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A Light antecipou o Plano Verão depois que 117 mil clientes ficaram sem energia por furto de transformador, e agora vai inspecionar 11.600 quilômetros de rede e podar 413 mil árvores até o fim do ano
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 05/09/2026 às 14:39
Atualizado em 05/09/2026 às 14:40
Geração de Energia
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A Light antecipou o Plano Verão de olho no El Niño e colocou na conta 11.600 quilômetros de rede para inspecionar e 413 mil podas de árvores até o fim do ano, num sistema em que 117 mil clientes ficaram sem energia entre dezembro e abril por causa de transformadores queimados por furto.
O anúncio saiu em 3 de setembro. Antecipar o plano significa começar o trabalho preventivo antes da estação em que a rede costuma sofrer.
Verão no Rio de Janeiro combina três coisas ruins para o sistema elétrico ao mesmo tempo: calor extremo, que dispara o consumo de ar-condicionado, temporal com vento, que derruba galho sobre a linha, e sobrecarga de transformador. De acordo com a Agência iNFRA, é esse cenário que o Plano Verão tenta atacar antes que chegue.
O número que não deveria estar na conta
Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, 117 mil clientes ficaram sem energia por um motivo que não é técnico nem climático: transformadores queimados por furto.
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Paulo Nogueira
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A mecânica é conhecida por quem opera rede em área de ligação clandestina. O equipamento é dimensionado para uma carga; quando dezenas de ligações irregulares se penduram nele, a carga real ultrapassa o projeto e o transformador queima.
Quando isso acontece, quem paga a conta em dia cai junto. O transformador não distingue cliente regular de ligação clandestina: ele simplesmente para, e o bairro inteiro fica no escuro.
Esse é o tipo de perda que não se resolve com mais cabo nem com mais equipe. É um problema de rede que virou problema urbano, e a concessionária opera no meio dele.
O que entra no pacote preventivo
O item de maior volume é a inspeção: 11.600 quilômetros de rede de distribuição vistoriados, com 56 mil serviços executados a partir do que for encontrado.
Inspecionar rede é procurar o defeito antes que ele vire interrupção. Isso significa identificar isolador trincado, conexão frouxa, poste inclinado e cabo desgastado, e corrigir com a linha ainda funcionando.
O segundo item é a poda, e o número impressiona: 413 mil podas previstas até o fim de 2026. Árvore encostando em cabo é a causa clássica de queda durante temporal, porque basta o vento balançar o galho para provocar curto.
Há um detalhe operacional interessante nesse item. Em parceria com a Comlurb, 315 árvores já foram podadas com a linha energizada, técnica que evita desligar o trecho para fazer a manutenção.
O terceiro item é automação. Foram instalados 247 equipamentos de proteção telecomandados, dispositivos que permitem isolar um trecho defeituoso à distância, sem esperar a equipe chegar ao local.
Gente na rua quando o problema aparece
Prevenção não elimina ocorrência. Por isso a empresa também trabalha a capacidade de resposta, e informa que pode ampliar em até quatro vezes o número de profissionais mobilizados ao longo do dia em períodos de alta demanda.
A operação é coordenada por três centros: o Centro de Operação Integrado, o Centro de Operações Rio e o CICC. É de lá que se decide para onde a equipe vai primeiro quando dez bairros reclamam ao mesmo tempo.
Essa priorização é o ponto que o cliente não vê e que define a percepção do serviço. Religar um alimentador que atende hospital e milhares de casas vem antes de resolver um ramal isolado, mesmo que a reclamação do ramal tenha chegado primeiro.
Vale lembrar que o El Niño entra aqui como agravante conhecido, e não como surpresa. O fenômeno altera o padrão de chuva e temperatura, e no Sudeste costuma se traduzir em calor mais intenso e temporal mais concentrado.
Antecipar o plano é reconhecer que a janela de preparação encolheu. Se o verão chega mais quente e mais cedo, a poda feita em novembro já chega atrasada.
Fico imaginando quanto desses 413 mil cortes de galho vai realmente acontecer até dezembro, porque poda depende de autorização, de acesso à árvore e de equipe treinada para trabalhar perto do cabo. É um número que só significa alguma coisa se for cumprido.
O teste chega em janeiro, no primeiro temporal forte com calor de quarenta graus. É ali que se vê se a inspeção preventiva valeu.
Vale entender por que a área de concessão da Light é particularmente difícil de operar. Ela cobre a capital fluminense e municípios vizinhos, com densidade populacional altíssima e trechos de ocupação irregular onde a rede convive com construção improvisada.
Nesse ambiente, a manutenção preventiva enfrenta um obstáculo que não aparece em manual técnico: o acesso. Há regiões em que a equipe só entra com acordo prévio, e há dias em que simplesmente não entra.
Some-se a isso a topografia. Rede que sobe morro, atravessa vegetação densa e desce encosta é bem mais exposta a queda de galho e a deslizamento do que rede em terreno plano.
Por isso o número de podas impressiona tanto. Quatrocentas e treze mil intervenções pressupõem uma operação diária, contínua, com equipe dedicada só a isso durante meses.
Não é tarefa que se resolve em mutirão.
Há ainda o componente regulatório. A distribuidora responde por indicadores de continuidade fiscalizados pela ANEEL, e ultrapassar os limites gera compensação automática na conta do cliente afetado, além de sanção. Preparação de verão, portanto, também é gestão de risco financeiro.
Além disso, vale observar que prevenção e reparo disputam a mesma equipe. Conforme a empresa mobiliza gente para inspecionar rede e podar árvore, ela precisa manter contingente disponível para atender ocorrência emergencial.
Portanto, antecipar o plano tem uma vantagem operacional concreta: fazer o trabalho preventivo antes da estação crítica evita que as duas demandas colidam em janeiro.
No entanto, nada disso resolve a causa dos 117 mil clientes afetados no verão passado. Furto de transformador é problema de segurança pública tanto quanto de rede elétrica, e dessa forma segue fora do alcance de qualquer plano de manutenção, por mais bem executado que seja.
Você ficou sem luz no último verão? Quanto tempo demorou até a energia voltar na sua rua?
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Fonte
Agência iNFRA
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

