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Três furacões avançam ao mesmo tempo pelo Pacífico: Marie ganhou força perto do México e chega a cerca de 630 km de largura, Karina alcançou a categoria 4 e Lowell atingiu a potência máxima da categoria 5 em raro cenário alimentado pelo El Niño
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 05/09/2026 às 17:15
Atualizado em 05/09/2026 às 17:20
Ciência e Tecnologia
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Marie, Karina e Lowell chegaram a dividir o Pacífico em um cenário meteorológico incomum, com sistemas de grande intensidade separados por milhares de quilômetros e um deles alcançando o nível máximo da escala de furacões
O Oceano Pacífico passou a concentrar três furacões simultaneamente, formando uma configuração impressionante vista por imagens de satélite. Marie ganhou força próximo à região da Baixa Califórnia, no México, enquanto Karina chegou à categoria 4 e Lowell conseguiu alcançar a categoria 5, o nível máximo da escala Saffir-Simpson.
A ocorrência simultânea de Marie, Karina e Lowell chama atenção não apenas pela quantidade de sistemas ativos, mas também pela intensidade atingida por dois deles em poucos dias.
Dados oficiais do National Hurricane Center (NHC) mostram que Karina alcançou ventos sustentados de 125 nós, cerca de 231 km/h, intensidade correspondente à categoria 4. Lowell foi ainda além: chegou a 140 nós, aproximadamente 259 km/h, passando a ser classificado como furacão de categoria 5.
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Marie chegou a espalhar ventos de tempestade tropical por uma faixa de aproximadamente 630 km
Marie é o sistema que se encontrava mais próximo da Baixa Califórnia entre os três furacões e ganhou força depois de começar sua trajetória como tempestade tropical.
Um detalhe ajuda a visualizar a dimensão do fenômeno.
Em boletim emitido pelo NHC, os ventos com intensidade mínima de tempestade tropical — pelo menos 34 nós — alcançavam até 170 milhas náuticas, aproximadamente 315 quilômetros, a partir do centro de Marie em determinado quadrante. Considerando uma extensão equivalente de um lado ao outro, o campo de ventos poderia chegar à ordem de 630 quilômetros de largura.
Isso não significa que toda essa faixa estivesse submetida a ventos com força de furacão. A área realmente mais intensa era muito menor.
No mesmo boletim, os ventos com força de furacão alcançavam até cerca de 45 milhas náuticas, ou 83 quilômetros, do centro, enquanto o olho tinha aproximadamente 25 milhas náuticas de diâmetro, cerca de 46 quilômetros.
Esse contraste é importante: quando se fala no “tamanho” de um furacão, diferentes medidas podem ser utilizadas. O campo de ventos de tempestade tropical pode se estender por centenas de quilômetros, enquanto o núcleo de ventos destrutivos ocupa uma região consideravelmente menor.
Acompanhe os boletins oficiais do furacão Marie no National Hurricane Center
Lowell alcançou a categoria 5 com ventos próximos de 260 km/h
Entre os três sistemas, Lowell registrou a maior intensidade.
O Central Pacific Hurricane Center, em boletim emitido pelo National Hurricane Center, confirmou que Lowell alcançou 140 nós de ventos sustentados, equivalentes a aproximadamente 259 km/h, entrando oficialmente na categoria 5.
As imagens de satélite mostravam um olho pequeno e bem definido, com aproximadamente 15 milhas náuticas de diâmetro, cercado por uma estrutura organizada de nuvens profundas.
O próprio boletim descreveu uma intensificação rápida do ciclone enquanto ele avançava sobre águas oceânicas extremamente quentes.
A categoria 5 começa quando os ventos sustentados ultrapassam 252 km/h. Nessa faixa, o ciclone ocupa o degrau mais alto da escala utilizada para classificar furacões pela velocidade máxima de seus ventos.
Karina também passou por rápida intensificação e chegou à categoria 4
Karina já havia dado sinais de que o Pacífico entrava em uma sequência especialmente ativa.
O sistema passou de furacão menos intenso para um grande furacão em pouco tempo. Em 30 de agosto, o NHC registrou 125 nós de ventos sustentados, aproximadamente 231 km/h, classificando Karina como um poderoso furacão de categoria 4.
As condições sobre o oceano ajudaram nessa evolução. Em uma das análises, meteorologistas do NHC apontaram temperaturas da superfície do mar próximas de 29 °C, além de um ambiente atmosférico favorável ao fortalecimento do sistema.
A formação de um olho definido e a organização das tempestades ao redor do centro indicavam que o ciclone havia desenvolvido uma estrutura extremamente organizada.
Mesmo distante dos grandes centros populacionais naquele momento, um furacão dessa intensidade pode produzir ondas de grande porte e correntes marítimas perigosas a centenas ou até milhares de quilômetros de distância.
El Niño ajuda a criar condições favoráveis no Pacífico
O cenário ocorre em um período marcado pela influência do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento anormal de partes do Pacífico equatorial e capaz de alterar circulação atmosférica, temperaturas oceânicas e padrões de chuva em diferentes regiões do planeta.
Águas mais quentes fornecem uma das fontes de energia necessárias para o desenvolvimento de ciclones tropicais. Isso, porém, não significa que o El Niño sozinho “criou” Marie, Karina ou Lowell.
Cada furacão depende de uma combinação de fatores, entre eles temperatura do oceano, umidade atmosférica, organização da circulação e baixo cisalhamento vertical dos ventos.
O que torna o episódio especialmente visual é a simultaneidade: três grandes sistemas tropicais ocuparam diferentes áreas do Pacífico ao mesmo tempo, enquanto Karina chegou à categoria 4 e Lowell alcançou a categoria 5.
Marie começou a perder força, mas permanece sendo acompanhado
A intensidade de um furacão pode mudar rapidamente.
Na madrugada de 5 de setembro, o NHC informou que Marie havia enfraquecido um pouco enquanto avançava para noroeste. Seus ventos máximos sustentados estavam próximos de 150 km/h, e o centro encontrava-se aproximadamente 1.020 quilômetros a oeste da extremidade sul da Baixa Califórnia. Naquele boletim, não havia alertas ou avisos costeiros em vigor relacionados ao sistema.
O enfraquecimento de Marie não diminui a excepcionalidade da sequência registrada no Pacífico. Em poucos dias, três furacões compartilharam a bacia, dois chegaram às categorias mais altas da escala e Lowell alcançou o limite máximo.
Agora, meteorologistas acompanham principalmente a evolução e as trajetórias dos sistemas, já que pequenas alterações atmosféricas podem modificar velocidade, intensidade e direção de ciclones tropicais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

