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Aos 8 anos, menina do Rio troca a própria festa de aniversário por 50 quentinhas para moradores de rua, ajuda a preparar a comida com a família e distribui tudo pessoalmente em Realengo; depois de ver a reação das pessoas, decide que prefere abrir mão do bolo para repetir a ação solidária todos os anos
Escrito por Carla Teles
Publicado em 09/09/2026 às 19:44
Atualizado em 09/09/2026 às 20:01
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Adrielly Pacheco completou oito anos em 10 de fevereiro de 2019 e pediu que a comemoração virasse ajuda a moradores de rua. A menina de 8 anos participou da preparação de 50 quentinhas com a família, entregou as refeições em Realengo e afirmou depois que queria repetir a iniciativa anualmente.
A menina de 8 anos Adrielly Pacheco decidiu que seu aniversário poderia ter um significado diferente naquele ano: em vez de pedir aos pais uma festa convencional, quis distribuir comida para moradores de rua que encontrava na região de Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O pedido foi colocado em prática em 10 de fevereiro de 2019, data em que completou oito anos.
Ao lado da família, Adrielly participou da preparação das quentinhas e saiu para entregá-las pessoalmente. Foram 50 refeições distribuídas no dia do aniversário, em uma iniciativa que nasceu das pessoas que ela costumava observar no trajeto entre casa e escola. Depois da experiência, a menina afirmou que queria repetir a ação nos anos seguintes.
Ideia começou no caminho que Adrielly fazia para a escola
Adrielly morava em Realengo e estudava na Escola Municipal Stella Guerra Duval. Nas idas e vindas entre a residência e a escola, passou a observar pessoas vivendo nas ruas da região. Uma delas era Dona Ednalva, moradora da Rua Capitão Teixeira havia cerca de três anos, segundo a reportagem publicada em 18 de março de 2019.
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Esses encontros ajudaram a transformar uma ideia infantil em um pedido concreto para a família. A menina de 8 anos começou a dizer que não queria comemorar apenas com uma ida ao shopping, ao cinema ou a uma lanchonete: queria usar a data para entregar comida.
Vídeos de ações solidárias reforçaram vontade de ajudar
O desejo também ganhou força a partir de vídeos que Adrielly assistia na internet. Ela contou que via pessoas distribuindo dinheiro, roupas e alimentos e relacionou aquelas imagens ao que encontrava diariamente no próprio bairro.
A princípio, ela já tinha até escolhido o que gostaria de colocar nas quentinhas: macarrão com carne moída, um de seus pratos preferidos. A proposta não surgiu de uma campanha organizada por alguma instituição, mas de uma decisão tomada dentro da própria família.
Menina pediu 50 quentinhas como presente de aniversário
Quando explicou o que queria ganhar, Adrielly apresentou um número específico: 50 refeições. O pedido surpreendeu os pais porque vinha de uma criança prestes a completar oito anos e que, segundo a família, gostava de festas e de dançar.
A menina de 8 anos manteve a ideia mesmo depois da reação inicial dos adultos. Luciana Pacheco, mãe de Adrielly, contou que no começo ela e o marido chegaram a imaginar que o pedido pudesse não passar de uma vontade passageira.
Feijoada doada ajudou família a montar as refeições
O cardápio originalmente cogitado acabou mudando. Na véspera do aniversário, houve uma festa com feijoada no hostel onde Luciana trabalhava. Ao saber da iniciativa da criança, a proprietária do estabelecimento decidiu doar a comida.
Assim, em 10 de fevereiro foram preparadas e distribuídas 50 quentinhas. Adrielly participou com os pais da preparação das refeições que seriam entregues, conforme mostram também os registros fotográficos da reportagem.
Família ainda cantou parabéns antes de sair para distribuição
Embora Adrielly tivesse pedido para trocar a festa pela ação, a comemoração não desapareceu completamente. Antes da família sair para entregar a comida, houve bolo em casa e os parentes cantaram parabéns.
O detalhe é importante para compreender exatamente o que aconteceu: ela abriu mão da festa que havia imaginado para priorizar as 50 refeições, mas ainda teve uma pequena comemoração familiar antes da distribuição. A mãe explicou que não queria deixar a data passar sem o tradicional parabéns.
Entrega provocou reação que surpreendeu os próprios pais
Ricardo Soares, pai de Adrielly, acompanhou a ação e relatou que algumas pessoas perguntavam a qual igreja a família pertencia. Ele então explicava que aquela distribuição acontecia porque era aniversário da filha.
Em determinado momento, os próprios beneficiados cantaram parabéns para Adrielly. Para Ricardo, o impacto da experiência foi além do ato de entregar comida, porque a interação com as pessoas marcou a comemoração de uma forma que a família não havia previsto.
Pai passou a considerar ações semelhantes todos os meses
O resultado também mudou a percepção dos adultos envolvidos. Ricardo, que trabalhava como pedreiro e também era músico, afirmou que pensava em organizar outras iniciativas do tipo com frequência mensal.
Carlos Cavanha, músico e amigo da família, também participou depois de ser convidado pela própria Adrielly. Segundo seu relato, inicialmente não levou o pedido tão a sério, mas a menina continuou cobrando a presença dele conforme a data se aproximava.
Aos oito anos, rotina ainda era de brincadeiras, boneca e cozinha
A iniciativa não significava que Adrielly tivesse deixado de viver uma rotina típica da infância. A reportagem descreve uma criança que gostava de brincar de pique, tinha Lulu como boneca favorita, gostava de roupas, sapatos e principalmente de samba.
Ela também demonstrava interesse pela cozinha. Adrielly havia aprendido com a irmã Marcelly a fazer arroz e farofa, enquanto entre seus pratos favoritos estavam macarrão com carne moída e estrogonofe de frango.
Menina decidiu que queria repetir a iniciativa todos os anos
Depois da primeira experiência, Adrielly foi direta ao falar sobre os aniversários seguintes. A menina de 8 anos afirmou que pretendia continuar abrindo mão das festas em benefício das pessoas que viviam nas ruas.
Ela resumiu a decisão dizendo que preferia trocar o bolo por comida e queria repetir a iniciativa todos os anos. O plano era transformar a própria data de aniversário em um momento recorrente de distribuição de alimentos.
De uma festa infantil a 50 refeições distribuídas em Realengo
O que começou como um pedido incomum de aniversário terminou com Adrielly, seus pais e pessoas próximas distribuindo 50 quentinhas. A menina de 8 anos havia visto moradores de rua no cotidiano, levado a ideia para dentro de casa e insistido até que a família colocasse o plano em prática.
Depois de participar da preparação e da entrega, ela saiu da experiência querendo repeti-la. Você acha que iniciativas desse tipo, quando partem das próprias crianças, podem mudar também a forma como os adultos da família enxergam solidariedade e comemorações? Conte sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

