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Brasileiro sai para pescar por 12 dias, vê onda de 10 metros atingir barco no Atlântico, fica à deriva com outros cinco pescadores e passa 23 dias enfrentando fome e sede até ser encontrado a mais de 200 km da costa; nove dias depois do resgate, ainda está internado no Rio e diz que não pretende mais pescar
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/09/2026 às 18:50
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O pesqueiro Witamar 3º sofreu uma pane elétrica durante um temporal na Bacia de Campos. O caso ocorreu em 2011 e levou seis tripulantes a enfrentar falta de água, comida e debilidade física antes de serem localizados por um navio mercante.
O pescador Zenildo de Oliveira Pacheco tinha 31 anos quando uma viagem de trabalho prevista para durar 12 dias se transformou em 23 dias à deriva no Atlântico. Mestre da embarcação, ele permaneceu com outros cinco homens a bordo enquanto água e alimentos se tornavam insuficientes.
Zenildo trabalhava havia cerca de 12 anos como pescador. O grupo saiu de Itapemirim, no Espírito Santo, passou por Cabo Frio, no Rio de Janeiro, para abastecer e seguiu para uma área de pesca na Bacia de Campos, de onde deveria retornar para casa após a jornada planejada.
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Durante um forte temporal, uma onda estimada em 10 metros atingiu o Witamar 3º e provocou uma pane no sistema elétrico, segundo reportagem do UOL sobre o caso. O pesqueiro tinha 12,5 metros de comprimento e 4 metros de largura.
Fome, sede e perda de forças durante a deriva
Sem conseguir retomar a navegação normal, os seis pescadores ficaram sujeitos ao deslocamento da embarcação. Enquanto o barco se afastava da região onde o grupo pretendia trabalhar, as reservas disponíveis diminuíam e a tripulação passou a enfrentar condições cada vez mais severas.
A falta de água tornou-se um dos principais problemas. Zenildo relatou ao UOL que os homens chegaram a beber a própria urina para enfrentar a sede e que, no período final da deriva, alguns já tinham dificuldade para caminhar ou permanecer em pé.
O desgaste também atingiu o estado psicológico dos tripulantes. Alguns começaram a delirar, e Zenildo contou que integrantes do grupo chegaram a falar em suicídio diante da fome, da sede e da incerteza sobre a possibilidade de serem encontrados.
Como mestre do pesqueiro, ele procurava convencer os companheiros a continuar resistindo. Zenildo disse que pensava na esposa e na família enquanto tentava manter os demais concentrados na possibilidade de um resgate, mesmo com a debilidade física aumentando.
Outras embarcações chegaram a passar pelas proximidades sem perceber o Witamar 3º. Em determinado momento, os pescadores cogitaram incendiar o próprio barco para criar um sinal mais visível no oceano, mas a medida não foi executada.
Resgate ocorreu longe da área de pesca
O pesqueiro foi finalmente avistado por um navio mercante de bandeira italiana, a mais de 200 quilômetros da costa de Santa Catarina. A localização estava muito distante da Bacia de Campos, região onde o temporal e a pane haviam interrompido a viagem planejada.
As condições dos homens ficaram evidentes durante a retirada da embarcação. Parte da tripulação ainda conseguiu subir pelas escadas utilizadas no resgate, enquanto outros pescadores estavam fracos demais para se movimentar sem ajuda depois de mais de três semanas no mar.
Todos precisaram de atendimento médico após chegar ao Rio de Janeiro. A reportagem do UOL informou, com base em dados atribuídos à Secretaria Municipal de Saúde, que os homens apresentavam desidratação e que alguns desenvolveram problemas renais e necessitaram de hemodiálise.
Zenildo foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto. Nove dias depois de chegar ao Rio, ainda permanecia internado, embora apresentasse quadro clínico considerado bom e estivesse em melhores condições entre quatro integrantes da tripulação que continuavam hospitalizados naquele momento.
Outros pescadores enfrentavam quadros mais delicados. Um deles permanecia em estado grave, no centro de terapia intensiva e com suporte respiratório, enquanto companheiros continuavam sob observação por complicações que incluíam insuficiência renal e febre.
Experiência levou Zenildo a abandonar os planos de pesca
A hospitalização prolongou a espera da família. A esposa, Gleice da Silva Pacheco, acompanhou a recuperação de Zenildo no Rio depois de passar semanas sem saber se o marido e os demais tripulantes seriam encontrados. O casal tinha três filhos pequenos na época.
Ausências prolongadas já faziam parte da rotina familiar antes da deriva. Zenildo contou que chegava a permanecer três ou quatro meses longe de casa durante algumas viagens de pesca e que havia dedicado cerca de 12 anos à atividade pesqueira.
A experiência no Witamar 3º mudou seus planos profissionais. Depois de sobreviver às semanas sem água e alimentação suficientes e acompanhar a deterioração das condições dos companheiros, ele afirmou que não pretendia voltar à pesca e que desejava dedicar mais tempo à família.
A situação hospitalar de Zenildo mudou ainda no mesmo dia em que sua permanência no Miguel Couto foi noticiada. O Correio Braziliense informou que ele recebeu alta, embora continuasse temporariamente na unidade enquanto aguardava a chegada de familiares.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

