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Casal de São Paulo vende tudo, transforma uma Land Rover Defender em casa com cozinha, geladeira e reservatório de água, cruza 17 países até o Alasca ajudando cães abandonados e, 11 anos depois, continua vivendo na estrada e levando ração e água a animais encontrados pelo caminho
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 13/09/2026 às 08:13
Atualizado em 13/09/2026 às 08:14
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Eleni Alvejan e Sérgio Medeiros saíram de São Caetano do Sul em fevereiro de 2015 e chegaram ao Alasca em julho de 2016. Pelo caminho, o Projeto Mundo Cão deixou potes de ração e água para animais. Hoje o casal está em Viana do Castelo, no litoral norte de Portugal
Eleni Alvejan e Sérgio Medeiros venderam os bens que tinham no ABC Paulista, compraram uma Land Rover Defender 110 e a transformaram em moradia para viajar pelo continente ajudando cães em situação de abandono. A travessia até o Alasca passou por 17 países e durou um ano e cinco meses, mas o que deveria terminar com a volta ao Brasil virou um modo de vida que já dura 11 anos.
As informações foram publicadas pelo Diário do Litoral em 5 de setembro de 2026, em texto assinado por Giovanna Camiotto, com base na trajetória do casal e nos registros divulgados por eles no perfil @projetomundocao no Instagram.
Casal distribuía comida e cobertores a pessoas em situação de rua no ABC
Antes de pegar a estrada, Eleni e Sérgio moravam em São Caetano do Sul e conciliavam o trabalho convencional com ações de voluntariado na região. Entre as atividades estava a distribuição de alimentos, roupas e cobertores para pessoas em situação de rua.
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Foi nesse contato frequente com a população de rua que Eleni passou a reparar em outro grupo: os animais que acompanhavam essas pessoas. A observação repetida desses cães, que dividiam a mesma condição de abandono dos donos, acabou se tornando o ponto de partida da causa que o casal abraçaria anos depois.
Ideia de mudar de vida surgiu em 2014
A decisão de romper com a rotina começou a ganhar forma em 2014. Naquele momento, Eleni queria reduzir o consumo e buscar uma forma de viver diferente da que levava no ABC Paulista.
O desejo de mudança se juntou a duas afinidades que ela já tinha: o gosto por viagens e a preocupação com os animais de rua. Da combinação desses três elementos nasceu o projeto que definiria os anos seguintes do casal.
Projeto Mundo Cão mapeia cães de rua e distribui ração e água
O Projeto Mundo Cão foi criado com um objetivo prático: mapear cães de rua nos lugares por onde o casal passasse e distribuir ração e água a esses animais.
A iniciativa também tem um lado de conscientização sobre a situação dos animais abandonados. Em vez de atuar em uma única cidade, como faziam no voluntariado do ABC, Eleni e Sérgio levaram a ajuda para a estrada, alcançando cães em diferentes regiões e países.
Venda dos bens bancou uma Land Rover Defender 110
Para colocar o projeto em prática, o casal vendeu tudo o que possuía e comprou uma Land Rover Defender 110. O veículo passou a ser, ao mesmo tempo, meio de transporte, casa e base das ações com os animais.
A adaptação incluiu barraca de teto, cozinha, geladeira e reservatório de água. Com essa estrutura, os dois ganharam autonomia para dormir, cozinhar e se abastecer em trajetos longos, sem depender de hospedagem fixa ao longo do caminho.
Primeira expedição percorreu 15 mil km por Brasil, Argentina e Chile
O primeiro teste do Projeto Mundo Cão foi uma viagem de cerca de 15 mil quilômetros por três países: Brasil, Argentina e Chile.
Essa expedição pela América do Sul funcionou como etapa inicial da proposta. Foi durante esse percurso que o casal viveu a situação que acabaria reforçando a decisão de seguir com a ideia em escala maior.
Cadela com ninhada em buraco no Chile reforçou a decisão
Em uma noite de Réveillon no Chile, Eleni e Sérgio encontraram uma cadela que tinha acabado de dar à luz dentro de um buraco na rua.
O casal resgatou os animais e prestou os primeiros cuidados à ninhada. O episódio reforçou a decisão de continuar com o projeto, ao mostrar na prática o tipo de situação que eles pretendiam encontrar e socorrer pelo caminho.
Plano de 2015 previa 60 mil km até o Alasca em um ano
Em fevereiro de 2015, os dois partiram de São Caetano do Sul para a viagem mais longa. A intenção era percorrer aproximadamente 60 mil quilômetros até o Alasca no prazo de um ano e, depois, retornar ao Brasil.
O novo trajeto multiplicava por quatro a distância da primeira expedição. A meta envolvia atravessar praticamente todo o continente americano de sul a norte com a Land Rover adaptada como casa.
Travessia durou um ano e cinco meses e passou por 17 países
A viagem levou mais tempo do que o previsto: foram um ano e cinco meses até a chegada ao Alasca, em julho de 2016.
Nesse período, o casal passou por 17 países, entre eles Peru, Equador, México, Estados Unidos e Canadá. O prazo de um ano se estendeu em cinco meses, enquanto os dois seguiam distribuindo ração e água aos cães encontrados no percurso.
Potes com ‘Coloque amor e alimento’ ficaram pelo caminho em três idiomas
Ao longo da travessia, Eleni e Sérgio deixaram potes de plástico identificados com a mensagem “Coloque amor e alimento”, escrita em português, inglês e espanhol.
A estratégia buscava estender a ajuda para além da passagem do casal. A proposta era incentivar os moradores das regiões visitadas a continuar abastecendo os potes com comida e água para os animais depois que a Land Rover seguisse viagem.
Casal desistiu de voltar à rotina convencional
video: redes sociais/instagram
O plano original de retornar ao Brasil depois de chegar ao Alasca não se concretizou. A experiência de viver na estrada levou o casal a abandonar a ideia de voltar à rotina convencional.
O que começou como uma expedição com prazo definido passou a ser o modo de vida dos dois. A Land Rover, que seria a casa temporária de uma viagem, se tornou endereço permanente.
Onze anos na estrada, sem trabalho fixo
Eleni e Sérgio estão há 11 anos vivendo na estrada, sem uma rotina profissional fixa e sem as garantias associadas a um modelo convencional de trabalho.
Segundo os dois, a escolha envolve renúncias e dificuldades. Em contrapartida, afirmam que a vida itinerante trouxe experiências que não teriam sido possíveis na antiga rotina e permite, ao mesmo tempo, conhecer novos lugares e manter a assistência a animais abandonados.
Casal está em Viana do Castelo, no norte de Portugal
Atualmente, o casal está em Viana do Castelo, cidade que é capital da sub-região do Alto Minho, no litoral norte de Portugal.
Na região, Eleni Alvejan e Sérgio Medeiros chegaram a participar de um evento de Land Rover, mantendo a rotina itinerante e o trabalho do Projeto Mundo Cão iniciados com a saída de São Caetano do Sul em 2015.
Na sua opinião, vender tudo para viver na estrada ajudando animais abandonados, como fizeram Eleni e Sérgio, é um projeto de vida que vale as renúncias, ou a falta de trabalho fixo e de garantias torna essa escolha arriscada demais? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

