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Chuva de meteoritos caiu sobre Putinga, no interior do Rio Grande do Sul, moradores saem catando as pedras espalhadas por mais de 10 propriedades, a cidade vira a “Cidade do Meteorito”, fragmentos terminam em museus dos EUA e da Europa e o maior fica na UFRGS, caso aconteceu em 1937
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 19/09/2026 às 15:38
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Fragmentos recolhidos após a explosão sobre a então comunidade rural foram distribuídos para instituições científicas no Brasil e no exterior. A maior peça conhecida, com cerca de 45 quilos, permanece no acervo do Museu de Mineralogia e Petrologia Luiz Englert, da UFRGS.
Mais de oito décadas depois da queda, as pedras encontradas na região de Putinga continuam divididas entre acervos científicos, instituições brasileiras e coleções no exterior. O episódio também foi incorporado à identidade do município gaúcho, que passou a utilizar a expressão “Cidade do Meteorito”.
A maior peça conhecida, com aproximadamente 45 quilos, integra o Museu de Mineralogia e Petrologia Luiz Englert, ligado ao Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Outros fragmentos seguiram para instituições brasileiras, europeias e norte-americanas.
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A queda ocorreu em 16 de agosto de 1937, quando Putinga ainda era distrito de Encantado. Cerca de 400 pessoas participavam de uma celebração diante da igreja Nossa Senhora da Purificação quando o céu escureceu rapidamente, situação inicialmente interpretada pelos moradores como a aproximação de uma tempestade.
O que veio em seguida foi uma intensa bola de fogo atravessando o céu, acompanhada por estrondos. Cestílio De Mari, que estava na festa, contou em reportagem especial da GaúchaZH que o impacto produziu tamanho barulho que “chegou a tremer a terra”.
Moradores de Linha Carlos Barbosa, nas proximidades, também perceberam clarões e explosões. Depois da passagem do objeto, pedras escuras começaram a ser localizadas nas propriedades rurais, e em um dos pontos atingidos havia um buraco profundo com uma grande rocha escura e brilhante.
A presença de fragmentos em diferentes locais indicava que o corpo havia se partido durante sua passagem pela atmosfera. A procura pelas pedras começou imediatamente entre os moradores, mas ganhou organização no dia seguinte ao fenômeno.
O então subprefeito Hermínio Cé coordenou uma equipe para retirar pedaços encontrados em mais de dez propriedades. Parte do material permaneceu com famílias da região, enquanto outros fragmentos foram encaminhados às autoridades e começaram posteriormente a chegar a instituições interessadas em estudá-los ou preservá-los.
Das propriedades rurais aos acervos científicos
Dois fragmentos seguiram para Porto Alegre e chegaram a ser exibidos no saguão do jornal Diário de Notícias, que havia noticiado o episódio no Rio Grande do Sul. Depois dessa exposição, as peças tomaram caminhos diferentes.
A maior, com cerca de 45 quilos, ficou sob os cuidados da UFRGS. Outra, de aproximadamente nove quilos, foi incorporada ao acervo do Colégio Anchieta, também na capital gaúcha.
Há ainda registros de material relacionado à queda em instituições como o Museu Nacional e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, além do Museu Geológico da Bahia, em Salvador. Fora do Brasil, a distribuição alcançou centros científicos de diferentes países.
O médico Hardy Grunewaldt, de Arroio do Meio, teve participação nesse processo. Interessado pelo fenômeno, ele reuniu pesquisadores, recuperou novos fragmentos e participou do encaminhamento de amostras para museus, bibliotecas e instituições científicas.
Entre os destinos citados pela reconstrução da GaúchaZH estão o Observatório do Vaticano e o Instituto de Mineralogia de Modena, na Itália, além do Museu de História Natural de Londres e de uma instituição em Munique, na Alemanha.
Nos Estados Unidos, partes do meteorito foram encaminhadas a instituições em Washington, Nova York e Albuquerque. Com isso, pedaços retirados de propriedades rurais do Vale do Taquari terminaram separados por milhares de quilômetros em coleções de diferentes continentes.
Nem todos os fragmentos, porém, foram incorporados a acervos formais. Algumas famílias mantiveram pedras em casa durante anos, e houve casos em que pedaços foram cortados e distribuídos como lembrança a visitantes interessados na história da queda.
O material preservado pela UFRGS
Estudos da UFRGS classificam o meteorito de Putinga como um condrito ordinário do tipo L6. Esse tipo de meteorito é formado por material antigo do Sistema Solar e, por isso, permite análises sobre processos ocorridos muito antes da formação das estruturas atuais da Terra.
A descrição mineralógica reunida em trabalho acadêmico da UFRGS sobre o meteorito de Putinga identifica principalmente olivina, ortopiroxênio e material metálico composto por ferro e níquel, além de minerais presentes em proporções menores.
O material também apresenta sinais de processos térmicos e impactos sofridos antes de chegar à Terra. As características ajudaram a manter o interesse científico sobre amostras que, em 1937, foram inicialmente recolhidas por moradores sem que se soubesse até onde aquela distribuição chegaria.
A reconstrução da GaúchaZH aponta que cerca de 200 quilos de fragmentos chegaram a ser recuperados na região ao longo das buscas. Parte desse material deixou de permanecer reunida com o passar das décadas, devido à distribuição entre instituições, moradores e colecionadores.
Décadas depois da queda, Putinga passou a incorporar o meteorito à memória local e à própria apresentação do município. A maior peça conhecida permanece preservada na UFRGS, enquanto outros fragmentos continuam espalhados entre acervos brasileiros, instituições estrangeiras e coleções formadas a partir das pedras encontradas nas propriedades rurais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

