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Jovem de 24 anos recebe mensagem destinada ao antigo dono de seu número, começa a conversar com um fotógrafo de 72 anos e transforma o engano em amizade com encontros semanais; ao descobrir que ele vivia sem aquecimento para economizar e temia pelo futuro de 500 mil fotos, cria campanha, refaz o site e ajuda a preservar a obra
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 19/09/2026 às 15:40
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Campanha criada para apoiar Wernher Krutein já reuniu US$ 63.476, perto da meta de US$ 65 mil, enquanto Lauren Stevens trabalha na divulgação e organização digital de um acervo produzido durante mais de cinco décadas.
A mobilização criada por Lauren Stevens para ajudar o fotógrafo e arquivista Wernher Krutein segue ligada a duas necessidades que ela conheceu depois da aproximação: aliviar as dificuldades financeiras dele e ampliar as condições de preservação de um arquivo formado por cerca de meio milhão de fotografias.
A história começou quando Lauren, então com 24 anos, recebeu um novo número de telefone para usar no trabalho e passou a encontrar mensagens destinadas ao proprietário anterior. Uma delas mencionava alguém chamado “Verndawg” e tratava de direitos autorais relacionados a uma fotografia.
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Do número errado aos encontros semanais
Em vez de apenas avisar ao remetente que o número havia mudado de dono, Lauren procurou descobrir quem era o destinatário. A pesquisa levou a Wernher Krutein, fotógrafo de 72 anos da região da Baía de São Francisco que havia construído seu arquivo ao longo de mais de cinco décadas.
A fotografia criou um assunto comum entre os dois. Lauren tinha interesse por fotografia em filme, enquanto Krutein havia registrado pessoas, arquitetura, natureza, objetos, acontecimentos e diferentes lugares, formando um conjunto estimado em aproximadamente 500 mil imagens.
As conversas deixaram de se limitar ao telefone. Com a aproximação, os dois passaram a se encontrar presencialmente uma ou duas vezes por semana, apesar da diferença de 48 anos entre eles, e Lauren começou a conhecer com mais detalhes a trajetória profissional e a rotina do fotógrafo.
Entre as imagens preservadas no arquivo estão registros relacionados ao terremoto de Loma Prieta, que atingiu a Califórnia em 1989 e causou danos importantes na região de São Francisco. Fotografias associadas ao trabalho de Krutein mostram também consequências do desastre na Bay Bridge.
Dificuldade financeira levou à campanha
A dimensão do arquivo não era a única preocupação apresentada durante os encontros. Em reportagem publicada em junho deste ano, a ABC News informou que Krutein enfrentava dificuldades para obter renda suficiente com o negócio de fotografia.
A situação havia levado o fotógrafo a reduzir despesas domésticas. De acordo com o relato publicado pelo veículo, ele chegou a deixar de usar aquecimento e água quente em casa para economizar, enquanto também se preocupava com o destino futuro do material acumulado durante a carreira.
Lauren decidiu então usar sua familiaridade com ferramentas digitais e redes sociais para ampliar a exposição do trabalho. Ela criou perfis dedicados ao fotógrafo, começou a publicar histórias relacionadas às imagens e participou da reformulação do site onde parte da coleção era apresentada.
O projeto recebeu o nome de Verndawgtales, referência ao apelido que aparecia justamente na mensagem enviada ao número errado. O detalhe que havia despertado a curiosidade de Lauren passou, assim, a identificar o trabalho de divulgação desenvolvido em torno das fotografias e da trajetória de Krutein.
Outra iniciativa foi a criação de uma campanha para ajudar nas despesas pessoais do fotógrafo enquanto o trabalho de preservação avançava. A arrecadação no GoFundMe chegou a US$ 63.476, com cerca de 1.200 doações e meta estabelecida em US$ 65 mil.
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Um arquivo formado antes da distribuição digital
A preocupação com o destino das fotografias envolve características do próprio acervo. Grande parte da produção de Krutein foi realizada em um período no qual filmes, slides e outros suportes físicos faziam parte da rotina profissional, exigindo catalogação e conservação para que o material pudesse permanecer acessível.
Krutein desenvolveu seu próprio sistema de arquivo e manteve o PhotoVault como vitrine para a coleção. A expansão das plataformas digitais, porém, mudou a maneira de pesquisar, divulgar e comercializar fotografias produzidas durante décadas anteriores à circulação de imagens por redes sociais.
O trabalho assumido por Lauren passou a incluir justamente essa adaptação. Além da campanha financeira, ela começou a produzir conteúdo sobre o acervo e a reorganizar sua apresentação digital, buscando facilitar o contato de novos públicos com fotografias que permaneciam reunidas na coleção de Krutein.
A mudança também alterou a rotina dos dois. O contato que nasceu de uma mensagem destinada a outra pessoa passou a incluir telefonemas frequentes, encontros presenciais e conversas sobre fotografia, experiências pessoais e acontecimentos registrados por Krutein ao longo da carreira.
Para o fotógrafo, a ajuda passou a alcançar tanto despesas imediatas quanto uma preocupação que já existia antes da amizade: o que aconteceria com seu arquivo no futuro. Lauren, por sua vez, passou a participar diretamente da tentativa de tornar esse material mais acessível em meios digitais.
A campanha permanece aberta enquanto o trabalho de divulgação continua. Os recursos arrecadados ajudam Krutein com despesas pessoais, e Lauren mantém a organização do projeto criado para apresentar e preservar um acervo de cerca de 500 mil fotografias produzido pelo amigo durante mais de cinco décadas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

