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Comerciante de arte paga cerca de R$ 260 por quadro em venda de celeiro nos EUA, leva a peça para avaliação e descobre que comprou uma Emily Carr, após casa de leilões confirmar a autenticidade, obra chega a ser vendida por quase R$ 1,3 milhão
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/09/2026 às 18:57
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A Heffel estimou Masset, Q.C.I. em até 200 mil dólares canadenses, mas a disputa superou esse teto; a documentação do lote relaciona a pintura à viagem de Carr a Haida Gwaii em 1912 e registra sua passagem pelos Hamptons.
A diferença entre o preço de uma venda informal e o de um leilão especializado ficou marcada no caso de Masset, Q.C.I.: a obra só passou a ser negociada como trabalho de Emily Carr depois de avaliação da Heffel, que a estimou em até 200 mil dólares canadenses.
O quadro havia sido encontrado pelo comerciante de arte nova-iorquino Allen Treibitz em uma venda de celeiro nos Hamptons, no estado de Nova York. Ele pagou US$ 50, cerca de R$ 260 pelo parâmetro de conversão adotado no título, e levou a peça para avaliação.
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O The Art Newspaper informou que a Heffel Fine Art Auction House confirmou a autenticidade da pintura após o contato de Treibitz. Identificada como Masset, Q.C.I., a tela recebeu estimativa de 100 mil a 200 mil dólares canadenses antes de ser oferecida a compradores especializados.
A venda ocorreu em Toronto, em novembro de 2024. A disputa elevou o lance para perto de 300 mil dólares canadenses antes das taxas, e o custo final para o comprador chegou a 349.250 dólares canadenses, cerca de US$ 250 mil no valor citado pelo veículo.
Da venda de celeiro ao catálogo da Heffel
O catálogo da Heffel registra Masset, Q.C.I. como um óleo sobre tela de 1912, com 41,3 por 33 centímetros. A ficha informa que a obra é assinada por Emily Carr e também registra uma inscrição de US$ 35 no verso, além de referência a um endereço no Boulevard Montparnasse, em Paris.
A pintura representa um poste memorial encimado por um urso em Masset, na região de Haida Gwaii, na costa oeste do Canadá. A casa de leilões relaciona o trabalho à viagem de Carr em 1912 a comunidades indígenas do norte da Colúmbia Britânica, período em que a artista produziu imagens de postes e vilas da região.
A proveniência publicada pela Heffel indica que a obra possivelmente foi presenteada por Carr a Nell Cozier, em Victoria. Depois, teria seguido para Nova York e permanecido em uma propriedade privada nos Hamptons antes de reaparecer na venda de celeiro em que Treibitz a encontrou.
Os US$ 50 pagos por Treibitz não correspondiam a uma avaliação profissional da pintura como obra de Carr. Eram o preço pedido naquele ambiente informal, antes de a autoria ser reconhecida, a proveniência ser organizada e a tela entrar no catálogo de uma casa especializada.
A comparação, portanto, envolve situações comerciais diferentes. De um lado estava uma compra informal; do outro, um lote identificado, documentado e apresentado em uma casa de leilões a colecionadores interessados em obras de Emily Carr.
O resultado também separa estimativa de preço efetivamente alcançado. A Heffel projetava de 100 mil a 200 mil dólares canadenses, mas a competição entre interessados levou o valor de martelo para perto de 300 mil, antes da inclusão das taxas cobradas do comprador.
Resultado ficou milhares de vezes acima do preço inicial
Com as taxas, o custo final de 349.250 dólares canadenses ficou acima do teto estimado pela casa. O The Art Newspaper calculou a valorização em relação aos US$ 50 em aproximadamente 500.000%, diferença entre o desembolso inicial e o resultado efetivamente registrado no leilão.
Usando o valor final de cerca de US$ 250 mil citado pelo veículo, a quantia paga pelo vencedor correspondeu a aproximadamente 5 mil vezes o desembolso feito na venda de celeiro. A comparação utiliza o preço da transação concluída, e não apenas a estimativa anunciada antes da sessão.
Mesmo assim, Masset, Q.C.I. não se tornou a obra mais cara de Emily Carr. O The Art Newspaper registrou que o recorde de leilão da artista era de 3,39 milhões de dólares canadenses, alcançado por The Crazy Stair em uma venda da Heffel realizada em 2013, com taxas incluídas.
Na mesma sessão de 2024, o quadro redescoberto também não liderou os resultados entre os trabalhos de Carr. Metchosin, composição maior produzida por volta de 1934, foi vendida por 541.250 dólares canadenses, enquanto outras três obras da artista também integraram o leilão.
A presença desses lotes situa Masset, Q.C.I. dentro de uma venda que reuniu diferentes nomes da arte canadense. A sessão também incluiu trabalhos de Tom Thomson, Marcelle Ferron e Kenojuak Ashevak, entre outros artistas.
Segundo o The Art Newspaper, as diferentes partes do evento movimentaram 22,7 milhões de dólares canadenses, total que dimensiona a sessão em que a pintura encontrada nos Hamptons foi negociada ao lado de obras já inseridas no mercado especializado.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

