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Copec fecha acordo para assumir parque solar de 165 MWp no Chile com bateria gigante de até 925 MWh e prepara salto para 550 MWp de geração solar própria
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 14/09/2026 às 15:40
Atualizado em 14/09/2026 às 15:52
Energia Renovável
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A Copec assinou um acordo com a METLEN para incorporar o projeto híbrido Tamarico II, na região chilena do Atacama. A instalação reunirá 165 MWp de geração fotovoltaica e um sistema BESS inicialmente dimensionado para 725 MWh, mas com possibilidade de expansão para 925 MWh. Quando o negócio avançar para a etapa final, a carteira solar da companhia deverá alcançar 550 MWp.
A Copec acelerou sua expansão no setor de energia renovável ao firmar, por meio da Copec Flux, um acordo com a METLEN Energy & Metals para assumir o projeto híbrido Tamarico II, localizado na Região do Atacama, no Chile. O empreendimento combinará geração solar em larga escala com armazenamento em baterias, duas tecnologias que ganharam espaço rapidamente no sistema elétrico chileno.
O projeto terá 165 MWp de capacidade fotovoltaica e contará inicialmente com um sistema de baterias de 725 MWh. Além disso, o desenho prevê uma expansão futura para 925 MWh, o que acrescentaria outros 200 MWh ao sistema de armazenamento.
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Apesar do anúncio, a transferência ainda não terminou. A Copec Flux deverá adquirir 100% da sociedade proprietária do Tamarico II quando o projeto entrar em operação comercial. Portanto, a empresa fechou um acordo de aquisição futura, e não uma compra já concluída de uma usina operacional.
As companhias também não divulgaram o valor da transação.
Tamarico II terá 165 MWp solares e bateria de até 925 MWh
O Tamarico II nasce como um projeto híbrido. Na prática, a instalação não dependerá apenas da geração instantânea dos painéis solares, porque também poderá armazenar eletricidade e disponibilizá-la em outro momento.
A planta fotovoltaica terá 165 MWp, enquanto o sistema BESS oferecerá inicialmente 725 MWh de capacidade energética. Posteriormente, a estrutura poderá crescer para 925 MWh, caso a expansão prevista avance.
Essa combinação faz sentido especialmente no norte do Chile. A região possui enorme disponibilidade de radiação solar e concentra alguns dos maiores projetos fotovoltaicos do país. Entretanto, o excesso de geração em determinados horários criou novos desafios para a rede.
Por isso, as baterias passaram a desempenhar um papel cada vez mais importante. Elas podem absorver parte da eletricidade durante as horas de maior produção e devolvê-la posteriormente, quando a demanda aumenta ou a geração solar cai.
O CPG já mostrou a dimensão desse movimento ao relatar que 38 sistemas de armazenamento estavam em construção no Chile, somando 4,6 GW e cerca de US$ 4,1 bilhões em investimentos. Assim, o Tamarico II entra em um mercado no qual baterias deixaram de ser projetos experimentais e passaram a integrar a expansão estrutural do sistema elétrico.
Baterias podem deslocar a energia solar para outros horários
A capacidade de 725 MWh não deve ser confundida com os 165 MWp da planta fotovoltaica. Os MWp representam a potência de pico da usina solar, enquanto os MWh indicam quanta energia o sistema de baterias consegue armazenar.
Essa diferença ajuda a entender por que os projetos híbridos avançam tão rapidamente. Uma usina solar produz mais durante determinadas horas do dia, mas a demanda não necessariamente acompanha essa mesma curva.
Consequentemente, quando a geração supera a capacidade momentânea da rede ou o consumo disponível, o sistema pode enfrentar restrições. As baterias oferecem uma alternativa porque deslocam parte dessa eletricidade para outros períodos.
Em julho, o CPG mostrou justamente como um leilão no Chile passou a oferecer 960 GWh anuais de energia solar armazenada para fornecimento durante a noite. Esse tipo de operação demonstra como o armazenamento começa a mudar não apenas a geração, mas também a forma de comercializar eletricidade renovável.
Tamarico II será o terceiro grande parque solar da Copec desde 2024
A aquisição faz parte de uma estratégia mais ampla. Desde 2024, a Copec vem acelerando a incorporação de ativos solares de grande porte.
Primeiro, a companhia adquiriu o Granja Solar, localizado em Pozo Almonte, na Região de Tarapacá, com 123 MWp. Depois, em julho de 2026, anunciou a aquisição do La Huella, com 87 MWp, na Região de Coquimbo.
Agora, Tamarico II acrescentará outros 165 MWp quando a transação atingir a etapa prevista no acordo. Assim, em pouco mais de dois anos, a empresa estruturou uma sequência de três grandes movimentos no setor solar chileno.
Além desses ativos, a Copec Flux mantém projetos de geração distribuída e soluções energéticas voltadas a clientes comerciais e industriais. Por isso, Tamarico II reforça uma mudança de escala dentro do portfólio da companhia.
Carteira solar deverá chegar a 550 MWp
Com a incorporação do Tamarico II, a Copec calcula que seu portfólio alcançará 550 MWp de geração solar.
A empresa também possui 145 MWp em plantas de geração distribuída, além de aproximadamente 30 MWp associados a projetos ESCO. Portanto, o crescimento não depende apenas dos três grandes parques solares.
Essa expansão mostra que a companhia pretende ampliar sua presença direta na geração de eletricidade. Em vez de atuar somente na distribuição, comercialização ou fornecimento de combustíveis e energia, a Copec começa a acumular ativos próprios de geração e armazenamento.
Segundo a companhia, o novo projeto permitirá ampliar as soluções oferecidas aos clientes e, ao mesmo tempo, contribuir para a integração de fontes renováveis ao sistema elétrico chileno.
METLEN vende o ativo dentro de sua estratégia de rotação
Para a METLEN Energy & Metals, o negócio segue uma lógica diferente. A empresa desenvolve projetos renováveis, amadurece esses ativos e depois vende parte deles dentro de uma estratégia conhecida como Asset Rotation.
Nesse modelo, a companhia transforma projetos em ativos comercialmente prontos e, em seguida, libera capital por meio da venda. Assim, consegue direcionar recursos para novos empreendimentos.
O Tamarico II se encaixa nessa estratégia. A METLEN desenvolve o projeto, enquanto a Copec deverá assumir a sociedade proprietária quando a planta alcançar a operação comercial.
Portanto, as duas empresas cumprem papéis diferentes na transação. Enquanto a METLEN monetiza um ativo desenvolvido, a Copec amplia sua carteira própria de geração e armazenamento.
METLEN também avança com grandes baterias na Europa
A estratégia de armazenamento da METLEN vai além do Chile. A companhia mantém projetos BESS em diferentes mercados europeus e busca ampliar sua atuação em sistemas de grande capacidade.
O CPG mostrou recentemente que a METLEN avança com sistemas BESS de 362 MWh na Inglaterra e 790 MWh na Grécia, além de uma carteira que pode chegar a 3 GWh entre Romênia, Bulgária e Itália. Dessa forma, Tamarico II integra uma estratégia internacional baseada em geração renovável e armazenamento.
Ao mesmo tempo, o projeto chileno mostra outra vertente do negócio da companhia. Em vez de manter todos os ativos em seu balanço por longos períodos, a METLEN também desenvolve projetos para posterior venda.
Para a Copec, porém, a lógica segue no sentido contrário. A empresa chilena está construindo uma carteira própria e aumentando sua exposição direta à geração.
Relação entre Copec e METLEN começou antes do Tamarico II
As duas empresas já trabalhavam juntas antes da nova operação.
Em julho de 2025, a METLEN assinou um contrato de compra e venda de energia de longo prazo com a Copec EMOAC. O acordo possui duração de 15 anos e envolve aproximadamente 450 GWh de geração solar por ano provenientes de quatro plantas chilenas.
Além disso, o fornecimento utiliza aproximadamente 322 MW de sistemas de armazenamento da METLEN.
Portanto, Tamarico II amplia uma relação comercial que já envolvia energia renovável e baterias. A nova operação leva essa parceria para uma etapa diferente, porque agora envolve a transferência futura de um ativo híbrido completo.
A METLEN também indicou que as empresas podem avaliar novas oportunidades conjuntas no mercado chileno.
Projeto anterior indicava investimento próximo de US$ 250 milhões
Há um número financeiro associado ao histórico do Tamarico II, mas ele exige cautela.
Quando uma configuração anterior do projeto entrou no processo de avaliação ambiental, em 2024, os documentos indicavam um investimento estimado de aproximadamente US$ 250 milhões. Naquele momento, o empreendimento previa capacidade fotovoltaica próxima de 169 MWdc.
Esse número, entretanto, não representa o preço pago pela Copec à METLEN.
Os US$ 250 milhões correspondiam à estimativa de investimento do projeto apresentado naquela etapa ambiental. Já o valor da atual transação comercial permanece sob sigilo.
Além disso, a configuração divulgada em 2026 mudou. Agora, Copec e METLEN destacam 165 MWp solares e um sistema BESS de 725 MWh, expansível para 925 MWh.
Versão anterior previa mais de 280 mil módulos solares
A documentação ambiental também ajuda a dimensionar fisicamente o empreendimento.
Uma configuração anterior previa aproximadamente 281.700 módulos fotovoltaicos bifaciais, distribuídos em uma área próxima de 378 hectares.
Além disso, o projeto contemplava infraestrutura elétrica associada, incluindo subestação e conexão em alta tensão.
Esses números ajudam a ilustrar a escala do Tamarico II. Entretanto, como pertencem a uma fase anterior de desenvolvimento, o desenho final poderá apresentar alterações.
Por isso, os dados mais seguros para descrever a versão atual continuam sendo os números divulgados em 2026: 165 MWp de geração solar, 725 MWh de armazenamento inicial e potencial de expansão para 925 MWh.
Atacama reúne algumas das melhores condições solares do planeta
A localização também explica a estratégia.
A Região do Atacama integra uma das áreas de maior incidência solar do mundo. Consequentemente, o norte do Chile atraiu uma grande concentração de investimentos fotovoltaicos.
Entretanto, esse sucesso criou um novo problema. Quando várias usinas produzem grandes volumes no mesmo horário, a rede precisa transportar ou consumir toda essa eletricidade.
Caso contrário, o sistema pode limitar parte da produção.
É justamente nesse ponto que o armazenamento ganha relevância. As baterias conseguem absorver energia durante períodos de excesso e devolvê-la depois, reduzindo parte da pressão sobre o sistema.
Chile transformou baterias em peça central da transição energética
O avanço do Tamarico II ocorre dentro de uma transformação mais ampla.
O Chile acelerou a implantação de sistemas BESS para lidar com o crescimento da energia solar e eólica. Além dos projetos já em construção, o país acumula uma extensa carteira em desenvolvimento.
O CPG também mostrou que o Chile pode se transformar em um dos maiores mercados de baterias per capita do mundo, com dezenas de gigawatts de projetos em desenvolvimento. Portanto, o Tamarico II não representa um caso isolado, mas uma peça de uma expansão nacional muito maior.
Nesse cenário, as baterias já começam a integrar o conceito dos projetos desde a fase inicial.
Antes, muitas usinas surgiam apenas com geração solar e adicionavam armazenamento posteriormente. Agora, empreendimentos como Tamarico II já nascem como sistemas híbridos.
Armazenamento ajuda, mas não elimina a necessidade de transmissão
As baterias podem reduzir parte dos problemas causados pelos excedentes renováveis, mas não resolvem tudo.
Embora consigam deslocar eletricidade entre diferentes horários, os sistemas BESS não substituem novas linhas de transmissão, reforços de rede ou planejamento operacional.
O CPG analisou esse tema ao mostrar como um projeto de baterias de US$ 44 milhões no Chile passou a chamar atenção no Brasil em meio ao aumento dos cortes de geração solar e eólica. Assim, o armazenamento surge como parte da solução, mas precisa funcionar junto com uma rede capaz de escoar a energia.
Essa combinação de geração, baterias e transmissão deverá ganhar ainda mais importância à medida que a participação das renováveis crescer.
No Tamarico II, a inclusão do sistema BESS desde o desenvolvimento inicial já demonstra essa mudança de planejamento.
Copec amplia negócio muito além dos combustíveis tradicionais
A operação também possui um significado estratégico para a própria Copec.
Historicamente, a companhia construiu grande parte de sua presença regional em torno de combustíveis e distribuição de energia. Entretanto, nos últimos anos, passou a ampliar investimentos em geração renovável, armazenamento, eletromobilidade e soluções energéticas.
Tamarico II reforça essa transformação porque reúne justamente duas tecnologias centrais da nova matriz elétrica: geração fotovoltaica e armazenamento de grande escala.
Além disso, a companhia passa a controlar uma quantidade crescente de ativos de geração.
Com 550 MWp solares previstos na carteira, a Copec começa a formar um portfólio suficientemente grande para transformar sua participação no mercado elétrico.
Terceiro grande parque em pouco mais de dois anos
A velocidade da expansão também chama atenção.
Em 2024, a Copec adicionou o Granja Solar, com 123 MWp. Depois, em julho de 2026, anunciou La Huella, com 87 MWp.
Agora, apenas alguns meses depois, firmou o acordo para assumir Tamarico II, com mais 165 MWp.
Assim, a empresa acumulou três movimentos relevantes em pouco mais de dois anos.
Além da geração adicional, Tamarico II traz um diferencial importante: uma bateria que começa com 725 MWh e pode alcançar 925 MWh.
Portanto, a companhia não amplia apenas a quantidade de painéis solares sob seu controle. Ela também passa a incorporar infraestrutura capaz de administrar quando parte dessa energia chegará ao sistema.
Expansão poderá acrescentar 200 MWh ao BESS
Caso a Copec avance com toda a expansão prevista, a capacidade do sistema de armazenamento subirá de 725 MWh para 925 MWh.
Isso representa um aumento de aproximadamente 27,6%.
Entretanto, os 925 MWh ainda representam uma capacidade potencial. As empresas anunciaram a possibilidade de expansão, e não a instalação imediata dessa capacidade adicional.
Por isso, o número de 725 MWh descreve melhor a primeira etapa do BESS.
Já os 925 MWh mostram até onde o projeto poderá chegar posteriormente.
Compra depende da entrada em operação comercial
Esse continua sendo o principal detalhe do negócio.
Copec e METLEN já assinaram o acordo. Entretanto, a Copec Flux só deverá adquirir 100% da sociedade proprietária do Tamarico II após a entrada do projeto em operação comercial.
Assim, não convém apresentar a Copec como proprietária definitiva de uma usina já concluída.
O Tamarico II ainda precisa avançar até a etapa operacional. Depois disso, a operação societária poderá seguir conforme as condições negociadas.
Quando essa etapa terminar, a Copec pretende incorporar o ativo à carteira que deverá totalizar 550 MWp de geração solar.
Chile vira laboratório para solar com armazenamento em grande escala
O Tamarico II resume uma transformação que já aparece em diferentes partes do sistema elétrico chileno.
Primeiro, o país aproveitou a enorme disponibilidade solar do norte para instalar grandes volumes de geração fotovoltaica.
Depois, o crescimento rápido expôs limitações de transmissão e criou períodos de excesso de oferta.
Agora, o mercado começa a responder com uma nova geração de projetos que combinam painéis solares e baterias de centenas de MWh desde o início.
Para a METLEN, esse modelo cria ativos que podem ser desenvolvidos e posteriormente vendidos.
Para a Copec, cria uma oportunidade de construir uma carteira própria de geração e armazenamento.
Ao mesmo tempo, o sistema elétrico ganha infraestrutura capaz de deslocar parte da produção solar para horários de maior necessidade.
Com 165 MWp de geração, 725 MWh de armazenamento inicial e potencial de expansão para 925 MWh, o Tamarico II se tornará uma das peças dessa nova fase da transição energética chilena.
A operação também mostra que a corrida por baterias deixou de envolver apenas empresas especializadas em renováveis. Grandes grupos tradicionais de energia já colocam o armazenamento no centro de suas estratégias.
E você, acredita que projetos que combinam grandes usinas solares com centenas de MWh em baterias também podem se tornar padrão no mercado brasileiro?
Fonte
Empresas Copec
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

