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Depois que o avô recebe diagnóstico de glaucoma, estudante da Flórida usa as impressoras 3D da própria escola para fabricar um olho humano sintético em que futuros médicos podem treinar procedimentos sem colocar pacientes em risco e leva a invenção ao 1º lugar em competição nacional nos EUA
Escrito por Ana Alice
Publicado em 03/09/2026 às 19:06
Atualizado em 03/09/2026 às 19:07
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Uma consulta do avô levou uma estudante da Flórida a transformar impressoras 3D da escola em ferramentas para criar um olho sintético de treinamento, projeto que depois conquistou reconhecimento nacional em uma competição de invenções.
Uma consulta médica do avô acabou levando Sonia Patel a olhar para o olho humano de um jeito que provavelmente não imaginava.
Ainda no ensino médio, na Flórida, ela descobriu que estudantes e médicos em formação nem sempre têm acesso fácil a modelos sintéticos baratos para praticar determinados procedimentos oftalmológicos.
Em vez de deixar a dúvida na sala de consulta, decidiu tentar construir um.
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O resultado foi o Corneal Applanation Suturing Model, o C.A.S.M., um modelo sintético de olho desenvolvido para permitir que estudantes de medicina e residentes treinem procedimentos sem precisar praticá-los pela primeira vez em um paciente.
Sonia utilizou o makerspace de sua própria escola, impressoras 3D e diferentes resinas para produzir e aperfeiçoar as versões do dispositivo.
A invenção acabou saindo da bancada escolar para uma competição nacional.
Em 2024, Sonia conquistou o primeiro lugar entre estudantes do 12º ano no RTX Invention Convention U.S. Nationals, promovido pelo The Henry Ford, e recebeu também o Invention Award for Societal Benefit, concedido pela Lemelson Foundation.
A lista oficial de vencedores confirma os dois reconhecimentos.
A história não terminou com a formatura.
Sonia passou a estudar na Universidade da Pensilvânia, onde mantém interesse em seguir uma carreira médica ligada à oftalmologia, segundo perfil publicado pela Lemelson Foundation.
Diagnóstico de glaucoma do avô inspirou o projeto
A ideia começou quando o avô de Sonia recebeu diagnóstico de glaucoma.
Ela o acompanhou em uma consulta e aproveitou para conversar com médicos sobre um procedimento importante no acompanhamento da doença: a medição da pressão dentro do olho.
O glaucoma reúne doenças capazes de provocar danos ao nervo óptico, e a pressão intraocular é um dos fatores observados durante a avaliação e o acompanhamento dos pacientes.
O que chamou a atenção de Sonia foi outra parte da consulta.
Ela quis saber como profissionais aprendiam a realizar a medição da pressão ocular antes de fazê-la em pacientes.
Segundo o relato que posteriormente deu à Lemelson Foundation, os médicos explicaram que as opções de modelos sintéticos e ferramentas de treinamento eram limitadas.
Sonia passou então a pensar em uma alternativa que pudesse reproduzir características importantes do olho sem exigir um equipamento sofisticado ou muito caro.
A ideia não era criar um olho artificial para transplante nem substituir o órgão humano.
O objetivo era produzir um simulador físico para treinamento médico.
Impressoras 3D da escola ajudaram a criar o olho sintético
Sonia estudava na Community School of Naples, na Flórida, e encontrou dentro da própria escola parte da infraestrutura de que precisava.
O makerspace do colégio permitiu que ela utilizasse impressão 3D e experimentasse diferentes resinas enquanto desenvolvia o modelo.
Construir algo que parecesse simples por fora exigiu várias tentativas.
Sonia buscou reproduzir as dimensões de um olho humano e algumas de suas características essenciais, permitindo que o modelo fosse utilizado em exercícios relacionados a procedimentos oftalmológicos.
As versões foram se tornando mais complexas conforme ela identificava limitações.
Criar os moldes foi uma das dificuldades mencionadas pela estudante.
Mudanças nos materiais, nos filamentos e na própria geometria precisaram ser testadas à medida que novos componentes eram incorporados.
Em vez de simplesmente imprimir uma esfera e chamá-la de olho, o trabalho passou por diferentes protótipos para tentar oferecer uma experiência de treinamento mais próxima daquela encontrada em procedimentos reais.
Médicos ajudaram a aperfeiçoar o C.A.S.M.
A estudante também procurou profissionais que já conheciam a rotina da oftalmologia.
Segundo a Lemelson Foundation, Sonia conversou com médicos durante uma conferência da American Society of Retina Specialists e teve contato com residentes ligados a Stanford.
Posteriormente, ela procurou o Wills Eye Institute, tradicional centro oftalmológico dos Estados Unidos, para que profissionais avaliassem o modelo e sugerissem melhorias.
Esse contato levou a alterações no projeto.
Entre os pontos considerados estava o ajuste das dimensões do modelo para representar melhor estruturas relacionadas aos músculos do olho.
A participação dos profissionais também ajudou Sonia a entender uma diferença importante entre construir algo visualmente parecido com um órgão e desenvolver uma ferramenta realmente útil para quem precisa treinar.
Modelo foi pensado para permitir treinamento repetido
O preço dos simuladores disponíveis também entrou na conta.
Em entrevista à Lemelson Foundation, Sonia afirmou que alguns modelos sintéticos usados para treinamento podiam custar cerca de US$ 600, além de haver opções destinadas a poucos procedimentos ou com utilização limitada.
Por isso, uma das metas do C.A.S.M. foi criar uma alternativa de menor custo que pudesse ser utilizada repetidamente em diferentes exercícios.
Um deles está ligado à chamada aplanação, técnica utilizada na medição da pressão intraocular.
De maneira simplificada, o procedimento avalia a força necessária para achatar levemente uma pequena região da córnea, permitindo estimar a pressão dentro do olho.
O modelo também foi desenvolvido pensando na prática de suturas e em outras habilidades que exigem precisão em uma região pequena e sensível.
A vantagem de um simulador é permitir que erros façam parte do aprendizado.
Se um estudante posicionar um instrumento incorretamente ou precisar repetir determinado movimento, pode tentar novamente sem colocar uma pessoa em risco.
Invenção conquistou primeiro lugar em competição nacional
O projeto ganhou reconhecimento em 2024.
No RTX Invention Convention U.S. Nationals, realizado pelo The Henry Ford, Sonia representou a Invention Convention Florida e conquistou o primeiro lugar na categoria do 12º ano com o C.A.S.M.
Na mesma edição, recebeu o Invention Award for Societal Benefit, apresentado pela Lemelson Foundation.
O prêmio reconhece projetos cujo potencial de impacto social faz parte central da proposta.
Sonia também recebeu em 2024 o primeiro Genspiration Young Inventors Prize da National Academy of Inventors por seu trabalho relacionado ao modelo de treinamento oftalmológico.
A organização mantém seu nome entre os premiados da categoria destinada a estudantes do ensino médio.
Antes de deixar a Community School of Naples, ela ainda terminou o ensino médio como oradora da turma de 2024, de acordo com a própria escola.
Da escola para a Universidade da Pensilvânia
Depois da competição e da conclusão do ensino médio, Sonia passou a estudar na Universidade da Pensilvânia.
A atualização publicada pela Lemelson Foundation em 2025 informa que ela continuava interessada em medicina e considerava seguir uma especialização em oftalmologia.
A mesma área que entrou em sua vida por causa da consulta do avô passou, portanto, a fazer parte também dos planos acadêmicos da estudante.
O objetivo declarado para o C.A.S.M. é igualmente mais amplo do que uma competição escolar.
Sonia espera que modelos sintéticos de menor custo possam ser utilizados em faculdades de medicina, programas de residência e locais com menos recursos, onde equipamentos caros para treinamento podem ser ainda mais difíceis de obter.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

