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Ex-farmacêutica de 70 anos passa dois anos morando dentro de uma SUV com seus dois cães em estacionamento de supermercado, duas desconhecidas batem no vidro para perguntar se ela está bem, mobilizam toda a vizinhança e conseguem apartamento com aluguel pago por dois anos
Escrito por Ana Alice
Publicado em 11/09/2026 às 23:54
Atualizado em 11/09/2026 às 23:55
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Dois anos vivendo dentro de uma SUV com os próprios cães mudaram quando duas desconhecidas perceberam o que acontecia em um estacionamento e decidiram agir, dando início a uma mobilização comunitária que conseguiu moradia, apoio cotidiano e estabilidade financeira para uma ex-farmacêutica.
Durante cerca de dois anos, Lynn Schutzman, ex-farmacêutica de 70 anos, viveu dentro de uma SUV com seus cães Chaucer e Chase em diferentes pontos de King of Prussia, na Pensilvânia, até que duas moradoras perceberam sua situação e decidiram ajudá-la.
Foi no estacionamento coberto de uma loja Target que Jennifer Husband-Elsier e Melissa Akacha notaram a presença constante da mulher, aproximaram-se do veículo e tentaram compreender por que ela permanecia naquele local acompanhada pelos animais e por seus pertences.
A conversa revelou uma trajetória distante daquela rotina no carro: Schutzman havia construído uma vida de classe média, trabalhado como farmacêutica e planejado a aposentadoria, mas enfrentou a morte repentina do marido, problemas graves de saúde e dificuldades financeiras sucessivas.
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Ex-farmacêutica passou a viver dentro de uma SUV com dois cães
Antes de chegar ao estacionamento onde seria encontrada, ela havia deixado uma casa ampla, passado por um apartamento alugado e, depois de ser despejada em 2017, transferido seus pertences para um Mercedes ML 350 de 2007, segundo o Philadelphia Inquirer.
Transformado em moradia improvisada, o veículo também permitia que Chaucer e Chase permanecessem ao lado da tutora, já que Schutzman não aceitava se separar dos cães e relatou que os abrigos disponíveis não permitiam a permanência conjunta com os animais.
Sem uma alternativa imediata de habitação subsidiada, a ex-farmacêutica passou a alternar os locais onde estacionava, enfrentando períodos de frio com cobertores e o aquecedor do veículo e recorrendo ocasionalmente a um motel quando precisava tomar banho.
Mesmo depois de décadas de trabalho e de uma aposentadoria planejada, Schutzman acabou vivendo quase invisível para quem circulava ao redor, enquanto uma SUV estacionada passou a concentrar seus pertences, seus dois cães e praticamente toda a estrutura disponível para o cotidiano.
Uma abordagem no estacionamento mudou a rotina
Quando Jennifer e Melissa finalmente se aproximaram, o carro estava sem combustível, e o contato começou sem qualquer grande promessa: as duas perguntaram se Schutzman estava bem e, a partir da resposta, passaram a organizar medidas práticas para tirá-la daquela situação.
Em vez de limitar a ajuda àquele encontro, elas providenciaram comida, combustível, recarga da bateria e hospedagem temporária em um motel, enquanto Jennifer divulgava o caso no Nextdoor e Melissa procurava contatos ligados à área farmacêutica para obter mais informações.
Por meio dessas conversas, antigos colegas reconheceram Schutzman como uma profissional respeitada, generosa e dedicada, percepção que ajudou Jennifer e Melissa a compreender melhor sua trajetória e reforçou a decisão de buscar uma solução mais estável para a ex-farmacêutica.
Moradores se mobilizaram para conseguir uma nova moradia
À medida que a situação se tornou conhecida na vizinhança, moradores começaram a oferecer refeições, cobertores, ração e outros itens necessários, enquanto uma campanha de financiamento coletivo reunia recursos destinados às despesas imediatas e à procura por uma moradia permanente.
Segundo a ABC News, apenas dez dias depois a arrecadação já permitia instalar Schutzman em um apartamento do tipo estúdio, enquanto cerca de uma dúzia de moradores ajudava a pintar, organizar o imóvel e posicionar móveis doados antes da mudança.
Além de oferecer um endereço fixo, o novo apartamento em King of Prussia aceitava Chaucer e Chase, preservando a convivência que Schutzman considerava indispensável depois de permanecer com os dois cães durante todo o período em que dependia do veículo para morar.
Outros cuidados continuaram depois da mudança, pois moradores passaram a auxiliar em questões relacionadas ao automóvel, aos animais e às necessidades médicas, enquanto entregas de alimentos e ajuda para passear com os cães complementavam a rede formada ao redor dela.
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Campanha ultrapassou US$ 30 mil e garantiu aluguel
Meses após o início da mobilização, a ABC News informou que a campanha de financiamento coletivo havia ultrapassado US$ 30 mil e que o aluguel do apartamento estava garantido pelos dois anos seguintes, ampliando a estabilidade que a mudança já havia proporcionado.
O apoio, porém, não permaneceu restrito às despesas de moradia, porque Schutzman também começou a conviver com as famílias das mulheres que a encontraram e chegou a planejar uma celebração de Ação de Graças ao lado de Jennifer e seus parentes.
Ao recordar a própria trajetória, a ex-farmacêutica contou à ABC News que havia mantido um bom emprego e estruturado sua aposentadoria, mas problemas de saúde e custos médicos comprometeram a condição financeira até que ela ficasse sem familiares próximos aos quais pudesse recorrer.
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Quarenta centavos e um carro sem combustível
Pouco antes da abordagem que desencadeou a mobilização, a situação financeira havia chegado a um ponto especialmente delicado: conforme relatado pelo Philadelphia Inquirer, Schutzman tinha apenas 40 centavos, estava sem gasolina e temia não conseguir continuar cuidando de Chaucer e Chase.
A dificuldade de pedir ajuda também pesava sobre sua rotina, já que Schutzman dizia sentir vergonha de admitir que estava sem casa, enquanto Jennifer avaliava que a mobilização só avançou porque diferentes pessoas decidiram participar depois da primeira aproximação.
Com o passar dos dias, antigos colegas, comerciantes, profissionais de saúde e moradores passaram a oferecer serviços ou apoio, permitindo que a ex-farmacêutica permanecesse na própria comunidade, região onde havia crescido e construído uma parte importante de sua trajetória profissional.
Se Jennifer e Melissa tivessem apenas passado pelo estacionamento sem se aproximar daquele carro, quantas outras pessoas em situações semelhantes poderiam continuar vivendo diante de todos, mas ainda assim permanecer invisíveis para quem cruza diariamente o mesmo caminho?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

