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Fim da escala 6×1 pode provocar mudanças em 5 setores estratégicos da economia, mas instituto de logística alerta para impactos em custos, operações e disponibilidade de mão de obra, colocando empresas diante de uma nova realidade trabalhista
Escrito por Hilton Libório
Publicado em 09/09/2026 às 20:15
Atualizado em 09/09/2026 às 20:21
Economia
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Fim da escala 6×1 avança e pode mudar a jornada de trabalho em cinco setores afetados, com impactos no mercado de trabalho e nos custos.
De acordo com informações publicadas em 1° de setembro de 2026 pelo Poder360, o fim da escala 6×1 avançou no Congresso e pode alterar a rotina de empresas que dependem de operações contínuas. A PEC 221/2019 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 1° de setembro de 2026 e está pronta para análise do Plenário. O texto prevê redução gradual da jornada de trabalho para 40 horas semanais, dois dias de repouso remunerado e manutenção dos salários.
O Instituto Brasil Logística (IBL), porém, alerta para possíveis efeitos sobre custos, contratação e funcionamento de atividades essenciais. Na avaliação da entidade, cinco setores afetados merecem atenção especial: ferroviário, rodoviário, portuário, aviação e agronegócio.
Fim da escala 6×1 avança e muda o debate sobre a jornada de trabalho
A proposta em discussão estabelece que a jornada semanal máxima passe de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O texto também prevê dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.
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A mudança não ocorreria de uma só vez. Conforme o texto aprovado na CCJ, a jornada de trabalho seria reduzida inicialmente para 42 horas e, depois, chegaria às 40 horas semanais previstas pela proposta. A escala 5×2 passaria a ser a referência geral. A PEC ainda precisa ser votada pelo Plenário do Senado em dois turnos. São necessários 49 votos favoráveis entre os 81 senadores para a aprovação.
Escala 6×1 exige adaptação em atividades contínuas
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A preocupação do IBL está principalmente na necessidade de manter operações que não podem simplesmente interromper suas atividades quando ocorre uma redução da jornada de trabalho.
Segundo a entidade, logística e infraestrutura reúnem serviços essenciais, operações contínuas e funções que dependem de trabalhadores especializados. Uma alteração rápida poderia exigir novas equipes, mudanças nos turnos e mais treinamento.
O instituto defende que a transição considere as características de cada atividade. A proposta inclui negociação coletiva, regimes diferenciados e mecanismos para adaptar contratos de infraestrutura, concessões e parcerias público-privadas.
Os cinco setores afetados pelos efeitos da mudança
O IBL apresentou estimativas específicas para os segmentos representados em seu conselho. Os números não são projeções oficiais do governo, mas fazem parte da avaliação divulgada pela entidade sobre os possíveis efeitos da mudança.
Entre os principais pontos levantados estão:
- aumento da necessidade de trabalhadores em determinadas operações;
- maior pressão sobre horas extras, treinamento e custos operacionais;
- dificuldade para substituir profissionais especializados em curto prazo;
- necessidade de reorganizar turnos e períodos de descanso.
Esses fatores podem ter efeitos diferentes conforme a estrutura de cada empresa. Por isso, os setores afetados não devem ser analisados como se tivessem as mesmas necessidades de mão de obra.
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Ferroviário pode enfrentar pressão sobre custos e qualificação
No setor ferroviário, o IBL estima um impacto de R$ 168 milhões por ano. A entidade também aponta possível aumento das horas extras e preocupação com fadiga dos trabalhadores.
Outro desafio está na disponibilidade de profissionais especializados. A formação desses trabalhadores pode levar tempo, o que dificulta uma resposta imediata caso as empresas precisem ampliar suas equipes.
Rodoviário enfrenta desafio para reorganizar viagens
No transporte rodoviário, a principal dificuldade apontada está na organização dos períodos de repouso durante viagens de longa distância. Uma jornada de trabalho menor pode exigir mais profissionais para manter a cobertura das operações. O IBL também cita possível redução de produtividade, dependendo da maneira como as novas escalas forem estruturadas.
O impacto pode ser relevante porque o transporte rodoviário está diretamente ligado ao abastecimento, à distribuição de produtos e ao deslocamento de cargas em diferentes regiões do país.
Portos e aviação dependem de equipes especializadas
As atividades portuárias e aeroportuárias apresentam particularidades que tornam o planejamento de pessoal ainda mais importante. Em ambos os casos, não basta simplesmente reduzir horas: é necessário garantir que haja trabalhadores disponíveis para manter a operação.
No setor portuário, o IBL prevê aumento dos custos para preservar os atuais níveis de produção. A entidade menciona ainda adicional mínimo de 50% e déficit operacional em um segmento que já enfrenta dificuldades para encontrar profissionais qualificados.
O treinamento especializado também aparece como fator de preocupação. Quando uma função exige conhecimento técnico específico, substituir trabalhadores ou ampliar rapidamente as equipes pode não ser uma tarefa simples.
Aviação pode ter impacto sobre rotas e equipes
Na aviação, o instituto chama atenção para a segurança operacional, a remuneração variável e a disponibilidade de equipes certificadas. A necessidade de profissionais habilitados torna a reorganização da jornada de trabalho particularmente sensível. Dependendo da operação, a empresa pode precisar rever escalas, composição das equipes e até a viabilidade econômica de determinadas rotas.
Isso não significa que a mudança necessariamente provocará cancelamentos ou redução de voos. Trata-se de um risco apontado pelo IBL caso não existam mecanismos adequados de adaptação.
Agronegócio pode absorver custos adicionais
Entre os números apresentados pelo IBL está uma estimativa superior a R$ 800 milhões de custo adicional somente no Estado de Mato Grosso. O cálculo considera novas contratações e aumento do custo de produção de grãos.
O agronegócio possui períodos de atividade mais intensa e depende de uma cadeia que envolve produção, armazenagem, transporte e escoamento. Alterações na disponibilidade de trabalhadores podem, portanto, exigir planejamento antecipado.
A estimativa de R$ 800 milhões deve ser entendida como uma projeção apresentada pelo instituto, e não como um cálculo oficial de impacto econômico nacional.
Mercado de trabalho terá papel central na transição
O debate sobre o fim da escala 6×1 também envolve o mercado de trabalho. De um lado, os defensores da redução da jornada argumentam que mais descanso pode melhorar a qualidade de vida e contribuir para produtividade. A própria ficha da PEC no Senado registra como possíveis consequências a criação de empregos e ganhos de produtividade, além da manutenção dos salários.
De outro lado, empresas de setores intensivos em mão de obra precisam avaliar como manter suas operações. Se a produtividade por trabalhador não compensar a redução das horas, pode haver necessidade de novas contratações. O resultado dependerá de fatores como disponibilidade de profissionais, capacidade de treinamento, produtividade, negociação coletiva e adaptação dos processos internos.
Fim da escala 6×1 também pode mudar contratos e escalas
O IBL propõe uma transição específica para atividades essenciais. Entre as alternativas citadas estão regimes como 12×36, 4×4 e 3×3, além de uma transição setorial de 14 meses em uma única etapa.
A entidade também defende o reequilíbrio de contratos de infraestrutura, concessões e PPPs. A preocupação é que contratos firmados considerando determinadas condições de trabalho possam sofrer aumento de custos após uma mudança constitucional.
A proposta do instituto procura, portanto, conciliar a redução da jornada de trabalho com a continuidade dos serviços. A ideia é evitar que empresas tenham de fazer ajustes abruptos em operações que dependem de planejamento de longo prazo.
O que empresas e trabalhadores devem acompanhar
Enquanto a PEC aguarda análise do Plenário, empresas e trabalhadores ainda precisam acompanhar a tramitação antes de considerar qualquer mudança definitiva nas escalas.
Alguns pontos serão especialmente importantes:
- definição do cronograma efetivo de redução da jornada;
- regulamentação de regimes diferenciados;
- efeitos sobre acordos e convenções coletivas;
- regras para atividades que funcionam aos domingos e feriados;
- medidas de transição para empresas e setores específicos.
A PEC também mantém espaço para regimes diferenciados aplicáveis a determinadas atividades, conforme as regras previstas no texto e a legislação correspondente.
Uma nova realidade para o mercado de trabalho
O fim da escala 6×1 pode representar uma das mudanças mais relevantes na organização da jornada de trabalho em décadas. A proposta combina redução da carga horária, dois dias de descanso remunerado e preservação dos salários.
Ao mesmo tempo, os alertas do IBL mostram que a transição não será igual para todas as empresas. Ferrovia, transporte rodoviário, portos, aviação e agronegócio possuem estruturas operacionais distintas e dependem, em diferentes níveis, de profissionais especializados.
O desafio será encontrar um modelo capaz de ampliar o descanso dos trabalhadores sem comprometer serviços essenciais ou provocar aumentos de custos que se espalhem pela cadeia produtiva.
Para o mercado de trabalho, a discussão está apenas entrando em uma nova fase. A aprovação na CCJ representa um avanço importante, mas o texto ainda precisa passar pelo Plenário do Senado. Até lá, empresas, trabalhadores e entidades setoriais terão de acompanhar de perto as próximas decisões e seus possíveis efeitos sobre a economia brasileira.
Fonte
Poder 360
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Hilton Libório.

