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Inflação cai, mas jovens argentinos afundam em dívidas e Congresso coloca 50 propostas na mesa para limitar juros e facilitar pagamentos
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 20/09/2026 às 22:42
Atualizado em 20/09/2026 às 22:49
Economia
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Quase metade dos 45 milhões de argentinos possui dívidas, enquanto jovens com menos de 25 anos lideram a inadimplência e recorrem a empréstimos caros para cobrir alimentação e despesas básicas em meio à crise econômica
Quase metade dos 45 milhões de argentinos possui dívidas, enquanto jovens com menos de 25 anos lideram a inadimplência e recorrem a empréstimos caros para cobrir alimentação e despesas básicas em meio à crise econômica.
A desaceleração da inflação ainda não trouxe alívio para milhões de argentinos. Quase metade dos 45 milhões de habitantes do país possui algum tipo de dívida e mais de 5 milhões estão com pagamentos atrasados, segundo reportagem da Associated Press (AP).
O problema é especialmente grave entre os mais jovens. Argentinos com menos de 25 anos apresentam uma taxa de inadimplência de 37,6%, a maior entre todas as faixas etárias analisadas.
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O avanço das dívidas cria um novo desafio para o presidente Javier Milei. Embora seu governo tenha reduzido a inflação anual de um pico de 289% para aproximadamente 34%, muitas famílias continuam enfrentando salários insuficientes, redução de subsídios e custos elevados para financiar compras básicas.
Empréstimos para pagar comida e despesas diárias
De acordo com a AP, parte da população passou a recorrer a aplicativos de crédito e empréstimos digitais com juros elevados para comprar alimentos e cobrir despesas comuns.
A ampliação da oferta de crédito ocorreu em meio ao aperto monetário e à estabilização parcial dos preços. Entretanto, a renda de muitos trabalhadores não acompanhou o custo de vida, transformando o crédito em uma forma de sobrevivência, e não apenas em um recurso para compras maiores.
O caso de Martín Taborda, de 20 anos, ajuda a mostrar o tamanho do problema. Aos 18, ele começou a estudar Direito na Universidade de Buenos Aires e esperava se tornar a primeira pessoa de sua família a concluir uma graduação.
Dois anos depois, as dificuldades financeiras colocaram esse objetivo fora de alcance. Mesmo estudando em uma universidade pública e gratuita, Taborda não conseguiu sustentar os demais custos necessários para continuar sua formação.
Congresso discute cerca de 50 propostas
O aumento da inadimplência levou manifestantes às ruas de Buenos Aires. Em agosto, um grupo protestou diante do Ministério da Economia, cobrando providências do governo para enfrentar a chamada crise das dívidas familiares.
A pressão chegou ao Congresso argentino, onde parlamentares concordaram em analisar cerca de 50 propostas relacionadas ao problema. Entre as medidas discutidas estão limites para taxas de juros e programas que permitam refinanciar as dívidas em condições mais acessíveis.
Até integrantes do partido libertário de Milei aceitaram abrir o debate, embora isso não signifique apoio automático às propostas de intervenção no mercado de crédito.
Crise ameaça apoio entre os mais jovens
A situação econômica também começa a produzir efeitos políticos. Segundo os dados apresentados pela AP, a aprovação de Milei caiu de 49%, no final de 2025, para 33%.
Os números revelam um contraste delicado para o governo: a inflação perdeu força, mas grande parte da população ainda não sente uma melhora equivalente no orçamento doméstico.
Para os jovens, o impacto é ainda mais direto. Dívidas, salários apertados e empréstimos caros estão adiando estudos, projetos profissionais e planos de independência financeira, justamente entre os eleitores que terão peso importante na disputa presidencial argentina de 2027.
Fonte: reportagem de Débora Rey, da Associated Press, publicada em 9 de setembro de 2026.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

