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Jovem superdotado de 19 anos que cresceu em fazenda de suínos e estudou na rede pública ganha bolsa de mais de R$ 1,7 milhão para estudar engenharia na Duke, após criar alimentador e irrigação aos 10 anos, desenvolver dispositivo para Parkinson e se destacar também em ciência e tecnologia
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/09/2026 às 14:42
Atualizado em 13/09/2026 às 15:31
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Trajetória de Wanghley Soares Martins liga soluções criadas ainda na infância, pesquisa aplicada à saúde e uma candidatura internacional que só seria viável com apoio financeiro. Quatro anos após a bolsa, a própria Duke voltou a destacar sua formação e seus trabalhos com tecnologias médicas.
Wanghley Soares Martins tinha 19 anos quando recebeu uma bolsa superior a R$ 1,7 milhão para estudar Engenharia Elétrica e da Computação na Duke University, nos Estados Unidos. Filho de um auxiliar administrativo e de uma agente comunitária de saúde, ele havia estudado durante toda a educação básica na rede pública.
Uma reportagem do Correio Braziliense publicada em 2022 informou que o jovem morava em uma fazenda de suínos no PAD-DF, na zona rural do Paranoá, em Brasília. A condição financeira da família tornava a ajuda financeira decisiva para que ele pudesse considerar uma graduação fora do país.
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Paulo Nogueira
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A história acadêmica começou muito antes da candidatura internacional. Aos 10 anos, Wanghley construiu um alimentador automático para galinhas e um sistema de irrigação para ajudar os pais nas tarefas da propriedade, usando problemas cotidianos da fazenda como ponto de partida para suas primeiras soluções técnicas.
Aos 13 anos, uma avaliação psicológica de Altas Habilidades e Superdotação apontou desempenho especialmente elevado em ciências naturais, ciências exatas, engenharia e computação. No ano seguinte, ele foi aprovado para o curso técnico em Informática do Instituto Federal de Brasília, onde ampliou o contato com programação e pesquisa.
Das invenções na fazenda à pesquisa sobre Parkinson
Durante a formação técnica, Wanghley passou a desenvolver projetos de tecnologia ligados à área médica. Entre eles estava um dispositivo de baixo custo voltado ao diagnóstico da doença de Parkinson, trabalho que o levou a feiras científicas e recebeu premiação na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, a Febrace.
O Correio Braziliense também registrou que o projeto contribuiu para que o estudante fosse incluído entre quatro Jovens Inventores de 2021 reconhecidos pelo então Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Depois de concluir o curso técnico, ele continuou ligado ao IFB como pesquisador voluntário e externo.
O interesse por tecnologia aplicada à saúde permaneceu no centro de sua formação. O trabalho com Parkinson, iniciado ainda no ensino médio, reapareceu anos depois na universidade americana, já em pesquisas que combinavam engenharia elétrica, computação, neurologia e processamento de sinais.
Antes de escolher o exterior, Wanghley havia conseguido aprovação em quatro universidades públicas brasileiras: Universidade de Brasília, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Estadual de Campinas e Universidade de São Paulo. A possibilidade de estudar fora ganhou força após ele ser selecionado, no fim de 2019, para um programa de Engenharia Aeroespacial na Flórida.
A viagem não ocorreu por causa da pandemia, mas a seleção levou o estudante a considerar candidaturas nos Estados Unidos. Em 2021, ele preparou inscrições para dez instituições, processo que incluía documentação acadêmica e redações pessoais diferentes das provas normalmente usadas nos vestibulares brasileiros.
Uma dessas redações exigiu 81 versões até chegar ao texto final, segundo relatou ao Correio. Duke ocupava lugar central entre as candidaturas porque reunia engenharia, computação e estrutura médica compatível com os interesses que Wanghley já havia desenvolvido em seus projetos.
A bolsa da Duke e a continuidade da pesquisa
A aprovação veio acompanhada da ajuda financeira que tornou a mudança possível. A reportagem de 2022 informou que a bolsa superava R$ 1,7 milhão no valor considerado na época e estava vinculada à formação em Engenharia Elétrica e da Computação na universidade da Carolina do Norte.
Em maio deste ano, um perfil da Pratt School of Engineering, da Duke voltou a contar a trajetória de Wanghley e o apresentou como formando com dupla graduação em Engenharia Elétrica e da Computação e Ciência da Computação, além de um certificado em inovação e empreendedorismo.
A universidade informou que ele atuou como assistente de pesquisa em laboratórios ligados à engenharia biomédica, engenharia elétrica e neurologia. Os trabalhos envolveram monitoramento do sono, estimulação cerebral profunda e doença de Parkinson, mantendo a aproximação entre computação e saúde que já aparecia em seus projetos no Brasil.
No projeto de conclusão, Wanghley trabalhou com aprendizado de máquina para tratar sinais cerebrais durante procedimentos de estimulação cerebral profunda. Outro trabalho citado pela Duke envolvia sensores capacitivos sem contato para detectar tremores sem a necessidade de prender sensores ao corpo do paciente.
O perfil institucional também registrou que Wanghley chegou à Duke como Karsh International Scholar. Em vez de abandonar o tema que havia começado a estudar no ensino médio, ele continuou participando de pesquisas sobre Parkinson e integrou uma equipe que desenvolvia tecnologia para detectar tremores por sensoriamento capacitivo.
A Duke informou ainda que, após a graduação, o passo seguinte previsto era um doutorado em Engenharia Elétrica e da Computação na Rice University, com foco em biossensores e processamento de dados próximo aos próprios dispositivos para aplicações em saúde. O anúncio mantinha a pesquisa médica no centro do plano acadêmico apresentado pela universidade.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

