6 min de leitura
Land Rover adia em pelo menos dois anos a nova geração do Defender e empurra a versão elétrica para o início da próxima década, enquanto prioriza Range Rover Sport e Range Rover GT a bateria e revê sua plataforma para também aceitar sistemas híbridos em meio à redução de custos
Escrito por Carla Teles
Publicado em 21/09/2026 às 13:44
Atualizado em 21/09/2026 às 13:45
Automotivo
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A Land Rover adiou a próxima geração do Defender por pelo menos dois anos, levando a versão elétrica para o início dos anos 2030, enquanto mantém projetos como Range Rover Sport Electric e Range Rover GT, amplia a flexibilidade híbrida da plataforma EMA e executa programa de redução de custos.
A Land Rover entrou em uma nova fase de revisão de seus planos de eletrificação ao postergar a próxima geração do Defender, modelo que deverá abrir caminho para uma variante totalmente elétrica. O redesenho era esperado entre 2028 e 2029, mas passou a ser projetado para o início da década de 2030.
Segundo a Electrive, informações atribuídas ao jornal britânico The Times apontam que o redesenho foi empurrado aproximadamente dois anos. A JLR, porém, não havia anunciado publicamente uma data oficial para a estreia do Defender elétrico.
Defender atual cria obstáculo para versão totalmente elétrica
O principal desafio está na arquitetura utilizada pelo Defender atual. O modelo é construído sobre a plataforma D7x, desenvolvida para oferecer elevada rigidez estrutural e suportar motores a combustão e sistemas híbridos, mas sem ter sido concebida para receber um conjunto de baterias de grande porte.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Isso significa que uma versão elétrica equivalente aos Defender 90, 110 e 130 não pode ser criada apenas substituindo o motor atual. A solução depende de uma nova geração capaz de acomodar as baterias necessárias sem comprometer características fundamentais do veículo, o que torna o cronograma mais complexo.
Nova geração deixa janela de 2028 e 2029 e avança para os anos 2030
Os relatos indicavam inicialmente uma renovação completa do Defender entre 2028 e 2029. Com a revisão do projeto, essa janela teria sido deslocada em cerca de dois anos, colocando a chegada do sucessor no começo da década seguinte.
Como a variante elétrica depende dessa nova base, o adiamento atinge diretamente o futuro Defender movido exclusivamente por bateria. A Land Rover deverá, portanto, continuar explorando por mais tempo a geração atual com opções a combustão e eletrificadas antes de realizar a transição completa.
Land Rover mantém flexibilidade entre elétricos e híbridos
A revisão do Defender acontece enquanto a JLR adota uma estratégia mais flexível para seus sistemas de propulsão. Em junho de 2026, a companhia confirmou que Range Rover, Defender e Discovery deverão oferecer, conforme o modelo e o mercado, alternativas mild hybrid, híbridas convencionais, híbridas plug-in e totalmente elétricas.
A mudança reduz a dependência de uma transição exclusivamente baseada em veículos elétricos a bateria. A empresa argumenta que diferentes mercados estão adotando a eletrificação em velocidades distintas, o que exige arquiteturas capazes de acomodar mais de uma tecnologia.
Plataforma EMA também será preparada para receber sistema híbrido
Um dos principais exemplos dessa mudança é a Electrified Modular Architecture, conhecida como EMA. Inicialmente associada aos novos modelos elétricos do grupo, a plataforma terá flexibilidade para receber também um sistema híbrido convencional HEV em veículos futuros produzidos em Halewood, no Reino Unido.
Isso permite que a Land Rover e as demais marcas do grupo compartilhem uma base moderna sem depender exclusivamente da demanda por elétricos puros. A medida dá à JLR margem para ajustar volumes e motorizações conforme o comportamento dos consumidores em diferentes mercados.
Range Rover GT estreia nova fase da plataforma EMA
O Range Rover GT será o primeiro modelo totalmente elétrico da família Range Rover desenvolvido sobre a EMA. A empresa apresentou oficialmente o veículo em julho de 2026 e confirmou que ele será produzido em Halewood.
A própria JLR informou que o GT começará como elétrico a bateria, enquanto a arquitetura foi planejada para ganhar maior flexibilidade posteriormente, incluindo a possibilidade de propulsão híbrida em futuros veículos. O modelo se torna uma peça importante da estratégia enquanto o Defender elétrico de grande porte permanece mais distante.
Range Rover Sport Electric segue entre lançamentos de curto prazo
Outro projeto que continua avançando é o Range Rover Sport Electric. A versão elétrica foi apresentada publicamente em 2026 e integra o ciclo de novos produtos que a companhia pretende levar ao mercado antes da renovação completa do Defender.
Diferentemente do futuro GT, o Range Rover Sport permanece sobre a arquitetura MLA, que já foi preparada para trabalhar com diferentes sistemas de propulsão. A estratégia permite à empresa colocar novos elétricos nas ruas sem precisar esperar pela próxima geração do Defender.
Redução de custos acompanha revisão dos projetos
A mudança de cronograma também ocorre durante um amplo programa de eficiência financeira. Em junho de 2026, a JLR anunciou que suas chamadas Enterprise Missions pretendem gerar £1,7 bilhão em redução de custos ao longo de dois anos, envolvendo despesas com materiais, garantias e custos fixos.
A empresa pretende reduzir o volume necessário para atingir o ponto de equilíbrio para cerca de 300 mil veículos. Em agosto, a JLR reiterou que essas iniciativas começariam a contribuir para as economias planejadas enquanto continuava investindo em novos produtos.
Defender continua entre os produtos mais importantes da JLR
Mesmo com o atraso da próxima geração, o Defender permanece central no portfólio. No primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, Range Rover, Range Rover Sport e Defender representaram juntos 80,8% dos volumes globais de atacado da JLR, acima dos 77,2% registrados um ano antes.
Esse peso comercial ajuda a explicar por que uma mudança estrutural no Defender exige cautela. Substituir rapidamente um produto relevante por uma geração baseada em uma arquitetura completamente nova envolve custos industriais, riscos técnicos e decisões sobre quais motorizações continuarão disponíveis.
Defender menor segue caminho diferente do modelo tradicional
O adiamento reportado da nova geração maior não necessariamente altera todos os projetos ligados ao nome Defender. A própria JLR confirmou em junho que um novo integrante da família será o segundo veículo da marca a utilizar a plataforma EMA.
Esse futuro modelo terá acesso à arquitetura preparada tanto para BEV quanto para uma opção híbrida. Assim, a expansão da família Defender pode continuar antes da chegada do sucessor elétrico dos modelos maiores que atualmente ocupam o centro da linha.
Land Rover recalibra eletrificação sem abandonar carros a bateria
O cenário mostra uma transição menos linear do que os primeiros planos de eletrificação sugeriam. A Land Rover continua ligada ao desenvolvimento de modelos totalmente elétricos, mas a estratégia da JLR passou a enfatizar simultaneamente baterias, híbridos plug-in, híbridos convencionais e motores a combustão conforme o produto e o mercado.
Enquanto o Defender elétrico de grande porte se distancia para o início dos anos 2030, Range Rover Electric, Range Rover Sport Electric, Range Rover GT e novos modelos sobre a EMA mantêm a eletrificação em andamento. A diferença agora está no ritmo e na flexibilidade escolhidos para chegar até lá.
Na sua opinião, a Land Rover faz sentido ao manter híbridos por mais tempo e adiar o Defender totalmente elétrico, ou a marca deveria acelerar a mudança para veículos movidos apenas por bateria? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

