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Motoristas pagam mais por carros cheios de tecnologia, mas muitos simplesmente desligam os assistentes de condução, enquanto mais de 25% nunca usam o piloto automático adaptativo, cerca de 20% ignoram a frenagem automática e quase 18% evitam o sistema de permanência em faixa por considerar as intervenções incômodas
Escrito por Carla Teles
Publicado em 21/09/2026 às 13:43
Atualizado em 21/09/2026 às 13:45
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Pesquisa com 1.350 motoristas do Reino Unido mostra que muitos assistentes de condução permanecem desligados: 25,9% dos proprietários com controle de cruzeiro adaptativo nunca o usam, 21,3% desativam a frenagem automática de emergência e quase 18% evitam o assistente de permanência em faixa, citando intervenções consideradas agressivas no cotidiano diário.
Os assistentes de condução estão cada vez mais presentes nos carros modernos, mas a disponibilidade dessas tecnologias não significa que os motoristas estejam realmente dispostos a utilizá-las. Uma pesquisa realizada no Reino Unido encontrou índices relevantes de proprietários que deixam sistemas de auxílio desligados, evitam determinadas funções ou sequer sabem como acioná-las.
Segundo levantamento da Censuswide encomendado pelo grupo britânico Dick Lovett, foram ouvidos 1.350 motoristas britânicos durante o verão de 2026. Os resultados colocam em contraste a quantidade crescente de tecnologia embarcada e o uso efetivo que os proprietários fazem desses recursos.
Um em cada quatro proprietários nunca usa o piloto automático adaptativo
Entre os participantes que possuem controle de cruzeiro adaptativo, conhecido como ACC ou piloto automático adaptativo, 25,9% disseram nunca utilizar o recurso. Outros 7% afirmaram que nem saberiam como operá-lo caso quisessem.
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O sistema foi desenvolvido para ajustar automaticamente a velocidade do veículo e manter uma distância definida em relação ao carro da frente. Ainda assim, os dados mostram que a presença do equipamento no automóvel não garante que o motorista incorpore a função à rotina.
Frenagem automática também é desligada por parte dos motoristas
Outro resultado envolve a frenagem automática de emergência. Entre os proprietários pesquisados que dispunham do recurso, 21,3% afirmaram desativá-lo, mesmo se tratando de uma tecnologia concebida para intervir em situações de possível colisão.
A pesquisa relaciona parte dessa rejeição à forma como alguns usuários percebem as intervenções dos assistentes de condução. Há motoristas que consideram determinados sistemas excessivamente agressivos ou sensíveis, avaliando que algumas correções acabam provocando incômodo durante a condução.
Quase 18% evitam o sistema de permanência em faixa
A resistência aparece também no assistente de permanência em faixa. Quase 18% dos motoristas com acesso ao equipamento afirmaram evitar seu uso, formando outro grupo relevante de usuários que prefere dirigir sem a intervenção automática.
Esse tipo de sistema pode atuar sobre a direção quando detecta que o veículo está se aproximando ou atravessando as marcações da pista. Para parte dos entrevistados, porém, a sensação de interferência no volante ajuda a explicar por que a função permanece desligada.
Assistentes de condução enfrentam problema além da simples rejeição
Os resultados não indicam apenas pessoas que experimentaram uma tecnologia e decidiram abandoná-la. No caso do piloto automático adaptativo, 7% dos proprietários declararam não saber como utilizar a função, apesar de ela estar instalada no automóvel.
Esse dado acrescenta outro elemento à discussão: veículos podem oferecer uma quantidade crescente de recursos sem que todos os compradores compreendam claramente como cada sistema funciona. Isso ajuda a separar rejeição consciente de falta de familiaridade com os equipamentos.
Recursos simples aparecem entre os mais usados
Enquanto sistemas mais complexos enfrentam resistência, algumas tecnologias relativamente simples têm aceitação muito maior. A conectividade Bluetooth foi apontada por 58,3% dos entrevistados entre os recursos utilizados, liderando o levantamento.
A câmera de ré aparece com 45,7%, seguida pela navegação integrada, com 44,5%, e pelo para-brisa aquecido, utilizado por 41%. O contraste sugere que facilidade de compreensão e utilidade imediata pesam bastante no uso cotidiano da tecnologia embarcada.
Modos de condução também passam boa parte do tempo esquecidos
Mesmo funções presentes em muitos modelos atuais não necessariamente se transformam em hábitos. Apenas 27,3% dos participantes disseram utilizar regularmente os modos de condução disponíveis em seus veículos.
Esses modos normalmente permitem alterar características de funcionamento do automóvel conforme opções como conforto, economia ou condução esportiva. A pesquisa mostra, porém, que oferecer várias configurações não significa que o proprietário vá alternar frequentemente entre elas.
Bancos com massagem e realidade aumentada também têm baixo uso
A baixa adesão não ocorre apenas com assistentes de condução. Entre os entrevistados que possuíam bancos com função de massagem, somente 22% afirmaram utilizá-los regularmente. O head-up display com realidade aumentada tinha uso frequente de 22,4% entre quem possuía o recurso.
No caso do sistema de realidade aumentada, 17,1% dos proprietários afirmaram não acioná-lo, enquanto outros 7% disseram não saber como operar a tecnologia. A partida remota, por sua vez, era utilizada regularmente por 24,5% dos proprietários que tinham acesso à função.
Idade também muda a forma como a tecnologia é utilizada
O levantamento encontrou diferenças importantes entre faixas etárias. Entre pessoas de 25 a 34 anos, 68,5% utilizavam Bluetooth, percentual semelhante aos 68,8% registrados entre motoristas de 35 a 44 anos. Entre os condutores com 55 anos ou mais, o índice caiu para 49,7%.
O carregamento sem fio mostrou diferença ainda maior: 44,4% entre motoristas de 35 a 44 anos, contra 20,7% entre aqueles com pelo menos 55 anos. Já o uso do para-brisa aquecido aumentava entre faixas etárias mais velhas, aproximando-se de 45% entre condutores de 45 a 54 anos.
Tecnologia disponível nem sempre significa tecnologia compreendida
Alex Lee, especialista em automóveis ligado ao Dick Lovett, avaliou que proprietários podem obter mais benefício dos veículos ao dedicar tempo para entender os equipamentos disponíveis. Na visão apresentada junto ao levantamento, conhecer melhor as funções pode contribuir não apenas para aproveitar o valor do carro, mas também para segurança e conforto.
Os números mostram que a discussão sobre assistentes de condução não depende apenas de instalar cada vez mais sensores, câmeras e sistemas eletrônicos. A experiência do usuário, a clareza dos comandos e a forma como o veículo interfere na direção também influenciam se aquela tecnologia permanecerá ligada.
Motoristas revelam limite entre auxílio eletrônico e controle ao volante
O levantamento britânico expõe um paradoxo dos carros atuais: equipamentos são incorporados para auxiliar o motorista, mas parte dos proprietários prefere conduzir sem algumas dessas intervenções. A situação fica especialmente evidente quando 25,9% nunca usam o ACC, 21,3% desligam a frenagem automática e quase 18% evitam a permanência em faixa.
Ao mesmo tempo, funções simples como Bluetooth e câmera de ré aparecem entre as mais aproveitadas. Para os fabricantes, o desafio pode não ser apenas colocar mais tecnologia no carro, mas desenvolver sistemas que os motoristas compreendam, aceitem e realmente queiram manter funcionando.
E você: costuma deixar todos os assistentes de condução ligados no seu carro ou existe algum sistema que prefere desativar porque considera a intervenção incômoda? Conte sua experiência nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

