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Menina viu nas ruas de São Paulo que crianças viviam descalças, juntou doces por quatro meses e transformou uma única ideia infantil na ONG que já impactou mais de 500 mil pessoas no Brasil
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/09/2026 às 14:13
Atualizado em 13/09/2026 às 14:49
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Criado a partir de uma mobilização iniciada por Beatriz Martins aos seis anos, o Olhar de Bia ampliou a atuação para educação e desenvolvimento humano. Duas décadas depois, a fundadora afirma que a organização já alcançou mais de 500 mil pessoas.
O Olhar de Bia nasceu de uma iniciativa simples: uma criança decidiu guardar os doces que recebia para entregá-los a outras crianças em situação de vulnerabilidade. A mobilização cresceu, deixou de ser uma ação familiar e passou a reunir projetos de educação, desenvolvimento humano e criação de oportunidades.
Beatriz Martins de Souza, conhecida como Bia Martins, tinha seis anos em 2006, quando acompanhava o pai pelas ruas de São Paulo e viu crianças de idade semelhante à sua em situação de vulnerabilidade, algumas descalças e pedindo ajuda.
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Paulo Nogueira
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O Plenarinho, portal da Câmara dos Deputados voltado ao público infantil, registra que Bia passou a guardar balas e outros doces que recebia. Foram quatro meses juntando guloseimas antes de pedir a ajuda do pai para fazer a entrega.
Ricardo Martins, pai de Bia, mobilizou amigos e conhecidos depois de conhecer a intenção da filha. As contribuições acrescentaram doces, brinquedos e outros itens ao que ela havia separado e permitiram ampliar a primeira distribuição.
A mobilização resultou em mais de 600 kits destinados a crianças em situação de vulnerabilidade. A experiência não terminou naquela entrega: dela surgiu o Olhar de Bia, que começou a organizar novas ações com a participação de familiares e apoiadores.
Dos doces a uma organização permanente
Duas décadas depois, Bia retomou a origem do projeto em entrevista publicada pelo jornal O POVO em março deste ano. Ela relatou que estava com o pai quando encontrou crianças da mesma idade pedindo ajuda e comida.
Sem dinheiro próprio ou conhecimento sobre organizações sociais, começou com aquilo que estava ao seu alcance. As balas que recebia depois de refeições com os pais passaram a ser guardadas com a intenção de entregá-las às crianças que haviam despertado sua atenção.
O envolvimento de adultos ampliou uma ideia que, inicialmente, caberia apenas no volume de doces reunido por uma menina. A participação de outras pessoas permitiu que aquela primeira ação atendesse centenas de crianças e criasse uma rede que continuaria depois da distribuição.
Com a continuidade do trabalho, a atuação deixou de depender somente de campanhas de arrecadação. O Olhar de Bia passou a desenvolver iniciativas voltadas principalmente à educação, ao desenvolvimento humano e à formação de crianças e jovens, além de manter ações solidárias.
A mudança exigiu uma rede maior de participação. O projeto, que começou com Bia, o pai e pessoas próximas, passou a envolver voluntários, parceiros e outros apoiadores em atividades que já não se limitavam à entrega de alimentos, doces, brinquedos ou outros itens.
A educação ganhou espaço entre as frentes da organização, com ações direcionadas à formação e ao desenvolvimento de jovens. A proposta passou a incluir oportunidades ligadas ao crescimento pessoal, aos estudos e à preparação para caminhos profissionais, conforme a atuação descrita pela própria entidade e por sua fundadora.
Essa ampliação não significou o abandono da assistência imediata que marcou a origem do projeto. As ações solidárias continuaram integrando o trabalho, ao mesmo tempo em que programas de formação passaram a ocupar uma parcela maior das atividades desenvolvidas.
Bia cresceu junto com o projeto
A trajetória da fundadora acompanhou a transformação da iniciativa. Bia deixou de ser apenas a criança que separava doces em casa e passou a representar publicamente uma organização que, com o tempo, incorporou outras pessoas à execução cotidiana de seus projetos.
Aos 26 anos, ela afirmou ao O POVO que já não participa diariamente da operação do Olhar de Bia e exerce uma função mais ligada à estratégia e à representação. A execução das atividades passou a ser compartilhada por uma estrutura mais ampla, em vez de depender diretamente da fundadora.
Bia também apontou a pandemia como um período de aproximação com empresários, doadores e outras redes de apoio. Segundo o relato feito ao jornal, essa articulação contribuiu para ampliar os contatos do projeto com pessoas e organizações dispostas a apoiar suas atividades.
Assista o vídeo
A presença do pai permaneceu ligada à trajetória desde a primeira arrecadação. Foi Ricardo quem procurou amigos para ampliar a coleta iniciada pela filha, transformando o volume de doces guardado em casa em uma distribuição que alcançou centenas de crianças.
Ao relembrar aquele começo, Bia explicou ao O POVO que, aos seis anos, não conhecia o funcionamento de uma organização não governamental e queria apenas ajudar as crianças que havia encontrado. A estrutura institucional surgiu depois, conforme as ações passaram a exigir continuidade e divisão de responsabilidades.
Em aproximadamente duas décadas de atuação, o alcance informado pela fundadora também aumentou. Bia afirmou ao jornal que o Olhar de Bia já impactou mais de 500 mil pessoas, número que reúne a trajetória acumulada da organização desde a primeira mobilização.
A marca contrasta com o ponto de partida de pouco mais de 600 kits, mas pertence a etapas diferentes da mesma história: a primeira distribuição foi uma ação específica, enquanto o número mais recente apresentado por Bia corresponde ao impacto acumulado de diferentes iniciativas ao longo dos anos.
Com a operação cotidiana compartilhada por uma equipe mais ampla, Bia permanece ligada à estratégia e à representação do Olhar de Bia. A organização segue reunindo ações sociais e programas de educação e desenvolvimento, enquanto a fundadora deixou de concentrar em si a execução diária das atividades.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

