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Motorista de Uber de 38 anos atende a corrida de um passageiro de 41 que só queria chegar ao novo emprego, percebe que ele suava e não conseguia respirar, interrompe a viagem, faz reanimação por até 8 minutos e ajuda a salvá-lo de hemorragia cerebral
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 09/09/2026 às 20:46
Atualizado em 09/09/2026 às 20:47
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Taras Zvir levava Justin Anderson em fevereiro de 2025, num Uber até o novo emprego no condado de Bucks, na Pensilvânia. Após suar e perder a consciência, o passageiro recebeu reanimação por até oito minutos. No hospital, médicos descobriram uma hemorragia cerebral e realizaram uma cirurgia de emergência
Taras Zvir, de 38 anos, havia começado recentemente a trabalhar como motorista de Uber quando aceitou uma corrida na manhã de 25 de fevereiro de 2025, na Filadélfia. O passageiro, Justin Anderson, de 41 anos, seguia para o novo emprego quando começou a suar, teve dificuldade para respirar e perdeu a consciência. Taras interrompeu o trajeto, telefonou para a emergência e realizou reanimação por até oito minutos.
As informações foram publicadas pela People em 17 de maio de 2025, em reportagem de David Chiu, com relatos do motorista e informações fornecidas pela família de Justin.
Corrida de 45 minutos começou com uma conversa sobre música e trabalho para aplicativos
Taras buscou Justin em um apartamento na Filadélfia. O destino ficava no condado de Bucks, onde o passageiro havia começado a trabalhar.
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A viagem deveria durar aproximadamente 45 minutos. Durante parte do caminho, os dois conversaram sobre música e descobriram que compartilhavam uma experiência profissional.
Justin também havia trabalhado como motorista de Uber. Por isso, eles falaram sobre a rotina de quem transporta passageiros por aplicativo.
Nada naquele momento indicava que a corrida terminaria com uma ambulância e uma cirurgia cerebral de emergência.
Cabeça começou a pender e passageiro parecia não conseguir respirar
Quando o veículo se aproximava do destino, Taras percebeu que Justin estava diferente.
A cabeça do passageiro começou a pender repetidamente. Embora ainda conseguisse se comunicar, ele parecia ter dificuldade para respirar e suava intensamente.
Taras perguntou se estava tudo bem. Justin levantou um dedo, num gesto que indicava que precisava de um momento.
O motorista abriu os vidros e aumentou o ar-condicionado na tentativa de ajudá-lo. A condição, no entanto, continuou piorando.
Pouco depois, Justin parou de responder.
Taras interrompeu a corrida, telefonou para a emergência e retirou Justin do carro
Ao perceber que o passageiro estava inconsciente, Taras parou o veículo e ligou imediatamente para o serviço de emergência dos Estados Unidos.
O motorista descreveu os sintomas ao atendente. Durante a ligação, recebeu a orientação de iniciar a reanimação cardiopulmonar.
Taras correu até a porta onde Justin estava, retirou o passageiro do carro e o colocou deitado. Ele também tentou proteger a cabeça do homem para evitar que batesse contra o concreto.
Em seguida, começou as compressões e permaneceu ao lado do passageiro até ouvir as sirenes da equipe de resgate.
Reanimação durou entre seis e oito minutos até a chegada dos paramédicos
Taras estimou que realizou a reanimação durante aproximadamente seis a oito minutos.
O motorista só interrompeu as manobras quando os paramédicos chegaram e assumiram o atendimento.
Assista o vídeo
Inicialmente, a equipe ainda não sabia se Justin enfrentava uma emergência clínica ou uma possível intoxicação. Por isso, os profissionais também administraram naloxona, medicamento usado em suspeitas de overdose por opioides.
Justin foi levado às pressas ao Abington Hospital, na Pensilvânia. Os exames mostrariam que o passageiro sofrera uma grave hemorragia cerebral.
Experiência como motorista de ambulância ajudou Taras a agir sem perder tempo
Antes de se mudar para os Estados Unidos, Taras havia trabalhado como motorista de ambulância.
Ele não atuava como paramédico. Contudo, a experiência permitiu que aprendesse a realizar reanimação e reconhecesse a necessidade de agir rapidamente.
Quando Justin perdeu a consciência, Taras não esperou a chegada de outra pessoa para iniciar o atendimento. Ele seguiu as orientações da emergência e usou o conhecimento que já possuía.
O episódio ocorreu pouco tempo depois de o motorista começar a fazer corridas pela Uber como atividade paralela. Naquele período, ele também trabalhava para colocar a própria empresa em funcionamento.
Exames encontraram grande sangramento no lado direito do cérebro
No hospital, uma tomografia identificou um grande sangramento no lado direito do cérebro de Justin.
Os médicos diagnosticaram um hematoma subdural, causado por uma fístula arteriovenosa. A condição consiste em uma conexão anormal entre uma artéria e uma veia.
Segundo Deborah Anderson, mãe de Justin, provavelmente o filho nasceu com a alteração, mas passou 41 anos sem saber que ela existia.
A quantidade de sangue aumentou a pressão dentro do crânio, deslocou estruturas cerebrais e provocou danos em parte do tecido.
Passageiro passou por craniotomia para aliviar a pressão no cérebro
Justin precisou passar por uma craniotomia, procedimento no qual os médicos abrem parte do crânio para acessar o cérebro e aliviar a pressão causada pelo sangramento.
Além da hemorragia, ele sofreu três acidentes vasculares cerebrais isquêmicos. Um deles atingiu uma área próxima à parte superior do tronco cerebral.
O passageiro permaneceu inconsciente e precisou enfrentar diferentes procedimentos médicos. A família informou que a recuperação exigiria tempo, tratamentos e acompanhamento prolongado.
Apesar da gravidade, Justin apresentou pequenos sinais de evolução. Em uma atualização publicada em 29 de março de 2025, Deborah contou que o filho piscou duas vezes em resposta a duas perguntas.
Para a família, mesmo uma reação discreta representava uma nova esperança.
Justin era pai de uma adolescente e seguia para um emprego recém-conquistado
Justin tinha uma filha de 17 anos e havia começado um novo emprego pouco antes da emergência.
Naquela manhã, ele utilizou o Uber porque deveria voltar para casa no veículo de trabalho disponibilizado pela empresa. Caso contrário, provavelmente teria dirigido o próprio carro.
A mãe acredita que essa mudança circunstancial ajudou a salvar sua vida. Se estivesse sozinho em casa ou ao volante, talvez não recebesse atendimento com a mesma rapidez.
Justin perdeu a consciência dentro de um veículo conduzido por alguém que percebeu os sinais, sabia fazer reanimação e decidiu agir imediatamente.
Mãe afirmou que resposta rápida do motorista ajudou a salvar o filho
Deborah atribuiu parte da sobrevivência de Justin à rapidez de Taras ao chamar o serviço de emergência.
A mãe também destacou que o motorista poderia ter interpretado o comportamento do passageiro de outra forma. Em vez disso, acompanhou a piora dos sintomas e interrompeu a viagem assim que percebeu o risco.
Uma campanha de arrecadação foi criada para ajudar com cirurgias, tratamentos, terapias, despesas médicas e custos pessoais durante o afastamento de Justin.
Quando o caso ganhou repercussão, a vaquinha já havia recebido mais de US$ 7,1 mil.
Motorista manteve contato com a família e esperava reencontrar Justin
Depois do resgate, Taras continuou conversando com Deborah para acompanhar a recuperação do passageiro.
Ele afirmou que gostaria de encontrar Justin quando seu estado de saúde permitisse. Também rejeitou a ideia de que sua atitude tivesse sido algo extraordinário.
Para Taras, havia uma pessoa precisando de ajuda, e ele apenas fez o que considerava necessário naquele momento.
A Uber também reconheceu publicamente a rapidez, a solidariedade e a capacidade de reação do motorista durante a emergência.
A corrida nunca chegou ao endereço profissional indicado no aplicativo. No entanto, a atenção de Taras permitiu que Justin chegasse ao hospital a tempo de receber os procedimentos necessários.
Na sua opinião, motoristas de aplicativo deveriam receber treinamento básico de primeiros socorros para saber como agir quando um passageiro sofre uma emergência dentro do veículo?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

