Enquanto autoridades, militares, estudantes e forças de segurança se preparavam para o desfile cívico de 7 de Setembro, em Rio Branco, populares que chegaram cedo ao Centro da capital para acompanhar a programação falaram sobre uma percepção em comum: a perda gradual do interesse da população, especialmente dos mais jovens, pelas celebrações cívicas.
Aos 68 anos, Aurino da Mata Silva, morador do bairro Nova Estação, contou que frequentava os desfiles da Independência com mais regularidade no passado. Neste domingo, ele decidiu retomar o costume e acompanhar novamente a programação. “Quase todos os anos eu vinha. Antigamente era diferente. Tinha muita coisa aqui. Os guardas, o Exército. É o que a gente mais gostava de ver”, lembrou.
A percepção é semelhante à do morador da Vila Acre, João José, de 58 anos. Ele próprio admitiu que havia deixado de participar do desfile de 7 de Setembro há vários anos e decidiu levar os filhos pequenos para conhecer a celebração.
“Faz tempo que eu não participava, faz tempo que eu não vinha ao 7 de Setembro”, contou.
Na avaliação de João, o distanciamento da população em relação às comemorações da Independência está relacionado também ao atual cenário político e à perda de confiança nas instituições. “Acho que a população está descrente, principalmente com a situação do país. A situação política, ninguém acredita mais em nada”, afirmou.
João, que serviu ao Exército em 1989, disse perceber uma mudança significativa na forma como o patriotismo era trabalhado nas décadas anteriores, inclusive dentro das escolas. “Antigamente, desde a pré-escola, tinha um patriotismo maior. A gente via mais, enxergava mais. De lá para cá mudou muita coisa”, observou.
Ele também acredita que símbolos ligados ao patriotismo passaram a ser utilizados de forma excessiva no debate político, o que, segundo ele, contribuiu para afastar parte da população dessas manifestações. “Foi muito usado politicamente e isso acaba mudando o sentido para muitas pessoas”, avaliou.
Apesar da percepção de perda dessa tradição, João fez questão de levar os filhos ao desfile. Segundo ele, era a primeira vez que as crianças participavam de uma celebração do tipo. “Eu estou com meus filhos aqui, pequenos. Acho que é a primeira vez que eles vêm participar de um desfile. A gente tenta passar isso para as gerações mais novas, mas, aos poucos, até dentro da própria família, esse costume vai ficando para trás”, disse.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

