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Praia “desaparece” no Sudeste do Brasil, mar avança até 5 metros por ano, 14 quarteirões já ficaram submersos e casas, ruas e igrejas viram ruínas no litoral do Rio de Janeiro
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 09/09/2026 às 18:07
Atualizado em 09/09/2026 às 18:37
Meio Ambiente
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Em Atafona, no litoral do Rio de Janeiro, o avanço do mar chega a cinco metros por ano, já engoliu cerca de 14 quarteirões e transformou casas, ruas e igrejas em ruínas, expondo a força contínua da erosão costeira local
A praia de Atafona, em São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, perde até 5 metros de terra por ano para o mar. O processo de erosão costeira já destruiu mais de 14 quarteirões ao longo de seis décadas, transformando infraestruturas, ruas e casas em ruínas devido a fatores naturais e intervenções humanas.
Ações humanas e naturais intensificam a erosão costeira
O avanço das águas sobre o litoral do distrito não decorre de uma causa isolada. O engenheiro cartógrafo Gilberto Pessanha Ribeiro, coordenador do Observatório da Dinâmica Costeira da Universidade Federal de São Paulo, explica que ventos, características das ondas, marés e o transporte de sedimentos atuam diretamente na região.
A pesquisadora Thaís Baptista, da Universidade Federal Fluminense, ressalta que intervenções humanas no Rio Paraíba do Sul aceleraram o desgaste.
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A construção de centenas de barragens ao longo do leito reduziu o fluxo de água e a retenção de sedimentos que chegavam à foz, fragilizando a proteção natural da costa.
Perdas históricas e alteração na comunidade local
O avanço do mar destruiu estruturas públicas e privadas ao longo dos anos. Entre as construções atingidas estão um farol histórico, uma escola, mercados, bares, boates, um posto de combustível para embarcações, um hotel de quatro andares e duas igrejas.
O impacto geográfico alterou diretamente a vida dos moradores locais. Uma ilha inteira que abrigava cerca de 300 famílias de pescadores acabou totalmente encoberta pelas águas, forçando a reorganização da comunidade afetada pelo avanço do oceano.
Assista o vídeo
Alerta global da ONU e projeções de elevação do mar
A situação extrema em Atafona integra uma lista da Organização das Nações Unidas que reúne 31 regiões globais ameaçadas pelo aumento dos oceanos.
Um relatório divulgado pela entidade em 2024 apontou que o nível do mar no local subiu 13 centímetros entre 1990 e 2020.
A estimativa apresentada projeta uma elevação adicional de até 21 centímetros até o ano de 2050. Em cenários de ressaca severa, a força das ondas consegue avançar cerca de 20 metros de uma só vez contra a orla.
Prefeitura encomenda estudo técnico para contornar o problema
Em julho de 2026, a Prefeitura de São João da Barra deu início à ordem de serviço para a elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental. O documento busca mapear soluções viáveis para conter os estragos na região.
A análise deve cruzar dados de modelagem computacional, pesquisas de campo e referências internacionais.
O objetivo principal do projeto é definir as intervenções mais adequadas para frear o desgaste contínuo do litoral.
Esta matéria foi elaborada com base em informações de reportagem sobre a praia de Atafona e dados de órgãos oficiais e acadêmicos citados, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

