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Reino Unido assenta a quilha do RFA Resurgent, primeiro de três navios que vão reabastecer porta-aviões e criar 1.200 empregos
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 05/09/2026 às 16:13
Atualizado em 05/09/2026 às 16:15
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A quilha do RFA Resurgent foi assentada em 3 de setembro no estaleiro de Appledore, marcando o início formal da montagem do primeiro de três navios britânicos que levarão munição, alimentos e peças a grupos liderados por porta-aviões.
A cerimônia também revelou os nomes das outras embarcações da classe: RFA Reliant e RFA Resourceful. Juntas, elas formarão a nova frota Fleet Solid Support da Royal Fleet Auxiliary.
O programa prevê cerca de 1.200 empregos em estaleiros do Reino Unido, além de centenas de vagas de aprendizagem. O governo estima investimento próximo de £ 100 milhões nas instalações de Belfast e Appledore.
Esses navios não foram projetados para liderar ataques. Sua função é manter outras embarcações operando longe das bases, transferindo suprimentos no mar e ampliando o tempo de permanência das forças navais.
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O primeiro RFA Resurgent deve entrar em serviço no início da década de 2030. Até lá, módulos produzidos em três regiões diferentes serão reunidos, integrados e testados em Belfast.
Assentar a quilha transforma desenhos em uma estrutura real
Na construção naval tradicional, a quilha era a espinha dorsal colocada primeiro no estaleiro. Nos navios modulares modernos, a cerimônia marca o posicionamento formal de um dos grandes blocos que formarão o casco.
Em Appledore, uma moeda comemorativa foi colocada na estrutura seguindo um costume dos estaleiros. Um aprendiz da Navantia UK participou do ato, ligando a tradição ao programa de formação profissional.
A cerimônia indica avanço em relação ao corte do primeiro aço, realizado anteriormente. Cortar chapas inicia a fabricação; assentar a quilha mostra que partes preparadas começam a formar o navio.
O RFA Resurgent será construído em seções. O estaleiro de Appledore trabalha em módulos, enquanto Belfast e unidades da Navantia na Espanha também participam da produção.
Depois, as grandes partes seguirão para a instalação Harland & Wolff em Belfast. Ali ocorrerão montagem final, integração de sistemas e testes antes da entrega à frota auxiliar.
Três navios sustentam porta-aviões, escoltas e missões prolongadas
Um grupo de ataque de porta-aviões consome combustível, alimentos, munições e peças continuamente. Voltar ao porto para cada reabastecimento reduz disponibilidade e pode afastar os navios da área onde são necessários.
Os Fleet Solid Support transportam principalmente cargas sólidas. No mar, devem repassar munições, provisões e componentes às unidades da Royal Navy, inclusive aos grupos dos porta-aviões da classe Queen Elizabeth.
A capacidade logística também apoia missões de combate à pirataria, combate ao terrorismo e cooperação com aliados. O efeito estratégico vem da permanência, não de armamento ofensivo próprio comparável ao de uma escolta.
Cada navio terá uma tripulação-base de 101 integrantes. Haverá acomodação para mais 80 pessoas ligadas à operação de helicópteros, barcos ou outras tarefas específicas.
Essa margem permite adaptar a equipe à missão. Uma viagem de reabastecimento, uma operação com aviação embarcada e uma resposta humanitária podem exigir combinações diferentes de especialistas.
O programa recupera capacidade industrial em Appledore e Belfast
O governo britânico relaciona a encomenda à reconstrução de capacidade soberana de construção naval. A meta de 1.200 empregos inclui mão de obra qualificada nos dois estaleiros e demanda na cadeia de fornecedores.
Appledore possui mais de 170 anos de história industrial. Receber módulos do RFA Resurgent devolve ao local uma etapa relevante de um programa naval de longo prazo.
Belfast concentra o trabalho final e, portanto, terá de coordenar estruturas fabricadas em instalações diferentes. Tolerâncias, interfaces elétricas e documentação precisam chegar compatíveis para evitar retrabalho durante a integração.
A participação espanhola acrescenta conhecimento da Navantia e divide a carga de produção. Ao mesmo tempo, o modelo será observado para verificar quanto emprego, aprendizagem e propriedade técnica permanecem no Reino Unido.
O valor de £ 100 milhões citado pelo Ministério da Defesa refere-se ao investimento nos estaleiros, não ao custo total dos três navios. Confundir as duas cifras reduziria artificialmente a escala do programa.
Projeto prevê menor consumo e adaptação a combustíveis futuros
A Royal Navy afirma que os navios terão tecnologias voltadas à eficiência energética. Sistemas de bordo deverão reduzir o consumo de energia durante uma vida operacional prevista em aproximadamente 30 anos.
O desenho também busca aceitar combustíveis de baixo carbono e fontes futuras que ainda possam se consolidar. Essa adaptabilidade é importante porque padrões ambientais e disponibilidade energética podem mudar antes da baixa dos navios.
Entretanto, a comunicação oficial não informa consumo, autonomia ou redução percentual de emissões. Portanto, ainda não é possível medir o ganho ambiental nem compará-lo com o da frota atual.
A ambição declarada é permitir que a classe alcance condição de carbono zero ao fim de sua vida útil. Isso depende tanto do projeto quanto dos combustíveis e da infraestrutura disponíveis nas próximas décadas.
O foco imediato continua operacional: entregar suprimentos de forma segura em mar aberto, operar helicópteros e barcos e acompanhar forças que passam longos períodos distantes do território britânico.
O cronograma ainda atravessará integração e testes extensos
Assentar a quilha é um marco visível, mas não significa que o casco esteja próximo de navegar. Grande parte da estrutura, propulsão, geração, acomodação e sistemas de movimentação de carga ainda precisa ser instalada.
A montagem modular também cria desafios logísticos. Blocos volumosos terão de viajar entre estaleiros e chegar na ordem adequada para que guindastes e equipes mantenham o cronograma.
Depois da união do casco, virão testes de porto e de mar. Equipamentos de transferência de carga precisam funcionar com movimento, vento e diferenças de posição entre as embarcações.
O Ministério da Defesa informa que a entrega permanece no caminho para o início dos anos 2030. Não divulgou uma data exata de entrada em serviço para cada integrante da classe.
Por enquanto, o avanço confirmado é estrutural e industrial: o RFA Resurgent começou a tomar forma, os três nomes foram definidos e a rede de estaleiros passou da preparação para a montagem formal.
Na sua opinião, navios de apoio logístico recebem a mesma atenção que merecem quando se discute o poder de uma marinha?
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Fontes
Ministério da Defesa do Reino Unido
Royal Navy
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

