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Taiwan prepara mais US$ 20 bilhões em investimentos empresariais nos Estados Unidos além da TSMC, enquanto boom da IA acelera corrida mundial por fábricas de chips
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 03/09/2026 às 18:24
Atualizado em 03/09/2026 às 18:25
Inteligência Artificial (I.A)
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Governo taiwanês afirma que empresas da ilha, além da TSMC, estudam investir outros US$ 20 bilhões nos Estados Unidos. A fabricante de semicondutores já elevou seu compromisso no Arizona para US$ 265 bilhões, enquanto Washington tenta transferir uma parcela maior da cadeia estratégica de chips para território americano.
Empresas de Taiwan planejam investir mais US$ 20 bilhões nos Estados Unidos, impulsionadas principalmente pela forte demanda por aplicações de inteligência artificial e semicondutores. O ministro da Economia taiwanês, Kung Ming-hsin, anunciou a nova estimativa durante a abertura do pavilhão americano na feira SEMICON Taiwan, em Taipé, segundo reportagem da Reuters publicada em 2 de setembro de 2026.
O valor não inclui os compromissos já anunciados pela TSMC, maior fabricante mundial de chips por contrato. Em julho, a companhia elevou em mais US$ 100 bilhões seus planos nos Estados Unidos, levando o investimento total previsto no Arizona para US$ 265 bilhões. Portanto, somando apenas a TSMC aos novos projetos empresariais identificados pelo governo taiwanês, o volume potencial chega a US$ 285 bilhões — cálculo que serve para dimensionar a escala, mas não representa um total oficial de todos os investimentos de Taiwan no país.
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Segundo Kung, a procura por chips e pedidos associados à IA está “extremamente ativa”, o que levou o Ministério da Economia a reavaliar quais companhias poderiam ampliar sua presença americana. No entanto, o governo não divulgou os nomes das empresas, os estados onde os recursos seriam aplicados nem um cronograma detalhado para os US$ 20 bilhões adicionais.
Governo de Taiwan fez nova avaliação depois de encontro nos Estados Unidos
A estimativa surgiu depois da participação taiwanesa no SelectUSA Investment Summit, realizado em maio. A partir daquele encontro, o Ministério da Economia passou a avaliar companhias que poderiam expandir operações americanas além da TSMC.
Segundo Kung, o resultado dessa análise apontou para outros US$ 20 bilhões em investimentos potenciais. O ministro afirmou que as empresas taiwanesas estão investindo de forma muito ativa nos Estados Unidos e vinculou diretamente esse interesse à demanda crescente de inteligência artificial e componentes eletrônicos.
A Reuters, porém, não informa quantas companhias estão envolvidas. Também não detalha quanto cada empresa pretende desembolsar, o que impede distribuir o valor entre fábricas de semicondutores, montagem, servidores, equipamentos ou outros segmentos da cadeia tecnológica.
Assim, o acontecimento confirmado é mais específico: o governo taiwanês identificou US$ 20 bilhões adicionais em intenções de investimento empresarial nos EUA, enquanto os projetos individuais ainda não foram apresentados publicamente.
TSMC já levou sua aposta americana para US$ 265 bilhões
A escala fica ainda mais evidente quando a nova cifra é colocada ao lado da TSMC. Em julho, a companhia anunciou mais US$ 100 bilhões nos Estados Unidos, elevando para US$ 265 bilhões o investimento total planejado no Arizona.
A presença da TSMC no estado já representa uma das maiores apostas industriais ligadas a semicondutores em território americano. O movimento ocorre justamente quando Washington tenta aumentar a quantidade de chips fabricados domesticamente e reduzir vulnerabilidades provocadas pela enorme concentração da produção avançada na Ásia.
O CPG já acompanhou de perto essa expansão. Uma reportagem mostrou como o campus Fab 21 da TSMC no Arizona se tornou peça central da corrida americana por semicondutores, com planos para múltiplas fábricas e produção destinada a grandes clientes de tecnologia. A nova cifra de US$ 265 bilhões divulgada posteriormente pela Reuters mostra que essa estratégia continua aumentando de escala.
US$ 20 bilhões adicionais não são da TSMC
Essa diferença precisa ficar clara porque os dois números aparecem na mesma discussão.
Os US$ 20 bilhões adicionais correspondem a outras empresas taiwanesas, identificadas pelo Ministério da Economia após uma nova avaliação. Já os US$ 265 bilhões representam o investimento total planejado pela TSMC nos Estados Unidos após sua expansão anunciada em julho.
Somar os dois valores produz US$ 285 bilhões, mas esse cálculo não significa que Taiwan tenha anunciado formalmente um pacote único nesse montante. Também não significa que todo o dinheiro já tenha sido desembolsado.
Grande parte corresponde a compromissos e projetos que serão executados ao longo de vários anos. Por isso, o texto deve tratar as cifras como investimentos planejados, e não como capital já aplicado integralmente.
Inteligência artificial virou motor da expansão
Kung apontou diretamente para o avanço da IA como um dos fatores que explicam a nova onda de investimentos. Segundo ele, tanto as aplicações quanto os pedidos de chips estão extremamente aquecidos.
Essa demanda percorre diferentes partes da cadeia. Grandes modelos de inteligência artificial precisam de aceleradores, processadores, memória, equipamentos de rede, servidores e sistemas avançados de encapsulamento. Consequentemente, uma expansão em data centers acaba produzindo demanda industrial muito além das empresas responsáveis pelos próprios modelos.
Taiwan ocupa uma posição privilegiada nesse sistema porque abriga fabricantes e fornecedores que participam de várias etapas da produção eletrônica. Assim, quando companhias americanas ampliam infraestrutura de IA, uma parcela relevante dos pedidos acaba chegando a empresas taiwanesas.
O Click Petróleo e Gás mostrou recentemente outro lado dessa corrida ao detalhar a nova memória GCRAM desenvolvida pela GlobalFoundries e pela RAAAM, que promete ocupar 40% menos área e consumir até 60% menos potência que SRAM na implementação anunciada. O avanço ilustra como o crescimento da IA pressiona simultaneamente fabricação, memória, consumo energético e arquitetura de chips.
Estados Unidos querem fabricar mais semicondutores dentro do próprio país
O governo americano vem pressionando para que empresas de tecnologia aumentem a produção doméstica de semicondutores. A Reuters destaca que essa política busca levar uma parcela maior da cadeia para os Estados Unidos e reduzir a dependência de fábricas estrangeiras.
Esse esforço ganhou estrutura por meio do CHIPS Act, programa federal criado para estimular produção, pesquisa e investimentos relacionados ao setor. Durante o evento em Taipé, Bill Frauenhofer, executivo do Departamento de Comércio que supervisiona o programa de investimento em semicondutores, recebeu positivamente o anúncio taiwanês.
Segundo Frauenhofer, os novos projetos reforçam uma cadeia de semicondutores e eletrônicos mais segura e resiliente. Além disso, ele afirmou que os investimentos devem ampliar capacidades tecnológicas críticas nos Estados Unidos e apoiar inovações nas próximas décadas.
Arizona virou um dos principais símbolos da nova política industrial americana
A concentração de projetos no Arizona ajuda a visualizar essa transformação. Além da TSMC, a Intel mantém grandes instalações no estado e tenta fortalecer sua posição na fabricação avançada.
O CPG mostrou que a Fábrica 52 da Intel no Arizona recebeu mais de US$ 5 bilhões, ocupa cerca de 270 mil m² e utiliza a tecnologia 18A, equivalente a aproximadamente 1,8 nanômetro. A instalação exemplifica a tentativa americana de reconstruir capacidade industrial de ponta ao mesmo tempo em que empresas estrangeiras ampliam operações no país.
Assim, os US$ 20 bilhões adicionais de empresas taiwanesas chegam a um mercado que já recebe investimentos públicos e privados em escala elevada. O resultado é uma disputa por engenheiros, equipamentos, terrenos, água, eletricidade e fornecedores especializados.
Taiwan continua sendo o centro de uma cadeia que os EUA querem diversificar
A estratégia americana cria uma situação delicada para Taiwan. A ilha deseja aprofundar sua relação econômica com os Estados Unidos, mas também possui interesse em preservar a força de sua própria indústria doméstica.
A Reuters observa que Washington é o principal apoiador internacional e fornecedor de armas de Taiwan, apesar da ausência de relações diplomáticas formais. Ao mesmo tempo, o governo americano pressiona empresas taiwanesas a aumentar investimentos em território norte-americano.
Essa relação acontece em um contexto no qual Pequim reivindica Taiwan como parte de seu território. Por isso, semicondutores ganharam também uma dimensão geopolítica: não são apenas componentes de computadores, mas elementos críticos para inteligência artificial, telecomunicações, veículos, defesa e infraestrutura digital.
Transferir fábricas não significa transferir toda a cadeia tecnológica
Mesmo investimentos de centenas de bilhões de dólares não movem uma indústria desse tamanho de um país para outro instantaneamente. Fábricas de semicondutores dependem de uma rede extensa de fornecedores, equipamentos, químicos, gases industriais, pesquisa, encapsulamento, testes e mão de obra altamente especializada.
Taiwan acumulou esse ecossistema durante décadas. Portanto, construir unidades nos Estados Unidos reduz parte da concentração geográfica, mas não elimina automaticamente a importância da ilha.
Essa distinção explica por que empresas americanas continuam investindo intensamente em Taiwan mesmo enquanto Washington estimula produção doméstica.
Ou seja, a cadeia começa a ganhar novos polos, mas Taiwan continua ocupando posição central.
IA está fazendo empresas investirem dos dois lados do Pacífico
O movimento também revela uma aparente contradição que, na prática, funciona como estratégia de diversificação.
De um lado, fabricantes taiwaneses investem bilhões nos Estados Unidos. Do outro, gigantes americanas continuam comprando enormes volumes de componentes e expandindo operações em Taiwan.
Isso acontece porque a demanda cresce rápido o suficiente para sustentar investimentos em vários lugares ao mesmo tempo. Em vez de uma simples transferência de produção de Taiwan para os EUA, a indústria pode estar entrando em uma fase de expansão simultânea e diversificação geográfica.
A explosão da inteligência artificial aumenta esse efeito. Quando grandes plataformas de nuvem constroem novos data centers, precisam garantir fornecimento de chips durante anos. Nesse ambiente, depender exclusivamente de uma única região passa a representar risco operacional.
Empresas envolvidas nos US$ 20 bilhões ainda não foram reveladas
Apesar do tamanho do anúncio, Kung não apresentou uma lista de companhias.
Portanto, não existe base na reportagem para afirmar que fabricantes específicas de servidores, placas, memória ou equipamentos farão parte do pacote. Da mesma forma, nenhum estado americano além dos projetos já conhecidos da TSMC pode ser associado aos US$ 20 bilhões adicionais sem outras informações.
A ausência desses detalhes indica que a cifra ainda representa uma avaliação de intenções empresariais, e não um pacote fechado composto por contratos individualmente anunciados.
Nos próximos meses, essas intenções poderão se transformar em fábricas, expansões e aquisições. Porém, também podem mudar conforme demanda, custos, incentivos e condições econômicas.
Governo americano recebeu anúncio como reforço ao CHIPS Act
Frauenhofer vinculou os projetos à estratégia americana de segurança e resiliência da cadeia de semicondutores. Sua reação mostra que Washington vê os investimentos estrangeiros como parte essencial do esforço para reconstruir a manufatura tecnológica no país.
Isso significa que “produção doméstica” não necessariamente envolve apenas empresas americanas. Uma fábrica taiwanesa instalada no Arizona também aumenta a capacidade física existente dentro dos Estados Unidos.
A lógica é reduzir vulnerabilidade logística. Se uma parcela maior dos chips puder sair de fábricas americanas, interrupções no comércio internacional ou em rotas marítimas teriam impacto potencialmente menor sobre determinados clientes.
Entretanto, isso não elimina dependências externas em equipamentos, matérias-primas ou conhecimento especializado. A cadeia continua global mesmo quando uma etapa importante se aproxima do consumidor final.
Trump já criticou Taiwan pelo domínio dos semicondutores
A Reuters também lembra que o presidente americano Donald Trump já criticou Taiwan em algumas ocasiões, afirmando que a ilha teria “roubado” o negócio americano de semicondutores. O governo taiwanês considera essa percepção injusta, embora continue apoiando empresas locais interessadas em investir nos Estados Unidos.
O tema expõe visões diferentes sobre como Taiwan conquistou sua posição. Para Taipé, o domínio tecnológico resulta de décadas de investimento industrial e desenvolvimento de uma cadeia altamente especializada. Já parte do debate político americano trata a perda de capacidade doméstica como uma vulnerabilidade que precisa ser revertida.
Na prática, os novos projetos criam uma solução intermediária: empresas taiwanesas mantêm suas sedes e operações centrais na ilha, mas adicionam capacidade produtiva em território americano.
US$ 285 bilhões mostram a escala potencial, mas não devem virar “pacote oficial”
Somar os valores ajuda a visualizar o tamanho da transformação, desde que a conta seja apresentada corretamente.
A TSMC possui US$ 265 bilhões em investimentos planejados nos Estados Unidos. Agora, o Ministério da Economia de Taiwan identifica outros US$ 20 bilhões em potenciais projetos de diferentes companhias. Matematicamente, são US$ 285 bilhões.
Porém, a Reuters não chama esse valor de pacote de Taiwan. Tampouco afirma que todos os investimentos serão executados simultaneamente ou dentro do mesmo calendário.
Por isso, o número deve ser usado apenas como referência da escala dos projetos conhecidos e avaliados neste momento. A cifra não substitui os valores individuais de cada empreendimento.
Investimentos podem envolver muito mais que as fábricas de wafers
Sem uma lista das empresas, também não é possível afirmar que os US$ 20 bilhões serão integralmente destinados a fabs, como são chamadas as fábricas que processam wafers.
A cadeia de semicondutores inclui encapsulamento avançado, testes, placas, componentes eletrônicos, servidores, equipamentos industriais e infraestrutura de suporte. O interesse provocado pela IA pode gerar investimentos em qualquer combinação dessas áreas.
Esse ponto é importante porque os chips avançados dependem cada vez mais da integração entre diferentes componentes. O encapsulamento, por exemplo, ganhou peso com aceleradores de inteligência artificial que utilizam múltiplos dies e memórias de alta largura de banda.
Assim, mesmo companhias que não fabricam transistores diretamente podem ocupar posições estratégicas na atual corrida tecnológica.
Taiwan também busca novos destinos industriais fora dos Estados Unidos
A expansão internacional das companhias da ilha não se limita à economia americana. Nos últimos meses, empresas taiwanesas passaram a avaliar diferentes mercados para diversificar montagem, produção e acesso regional.
Esse movimento possui escala muito diferente dos bilhões mobilizados nos Estados Unidos, mas demonstra a mesma tendência: fabricantes procuram combinar vantagens de Taiwan com novas bases de produção mais próximas de consumidores e mercados estratégicos.
A cadeia global está ficando mais distribuída, mas não menos estratégica
Durante décadas, a indústria buscou principalmente eficiência econômica. Empresas especializaram regiões diferentes em projeto, fabricação, montagem e fornecimento de equipamentos.
Agora, a geopolítica acrescentou outra variável: resiliência.
Governos e companhias aceitam pagar mais para reduzir dependência de uma única localização. Os Estados Unidos subsidiam fábricas domésticas, enquanto Japão e Europa também lançaram programas próprios para atrair capacidade de semicondutores.
Mesmo assim, nenhuma região possui sozinha todos os elementos necessários para fabricar os chips mais avançados. Equipamentos europeus, conhecimento americano, fabricação taiwanesa, memória sul-coreana e cadeias asiáticas de componentes continuam profundamente conectados.
Taiwan consegue investir nos EUA sem abandonar sua própria expansão
Outro indicador ajuda a entender por que a transferência parcial de produção não significa esvaziamento industrial imediato da ilha.
Isso significa que o atual ciclo oferece recursos para investir simultaneamente dentro e fora do território taiwanês.
Por enquanto, portanto, a expansão americana parece representar diversificação de capacidade, e não substituição completa do centro tecnológico construído em Taiwan.
Próxima etapa será descobrir quais empresas formam os US$ 20 bilhões
A grande pergunta deixada pelo anúncio está nos nomes.
O governo sabe que empresas além da TSMC avaliam US$ 20 bilhões adicionais, mas ainda não revelou quais são elas. Também faltam dados sobre fábricas, localização, empregos, capacidade e cronograma.
Quando esses projetos forem anunciados individualmente, será possível avaliar quanto efetivamente irá para semicondutores, servidores, componentes ou outras partes da indústria eletrônica.
Até lá, a cifra funciona principalmente como um sinal da intensidade da corrida tecnológica.
IA aproxima Taiwan e Estados Unidos por meio de centenas de bilhões de dólares
A sequência dos acontecimentos ajuda a resumir a dimensão dessa transformação. A inteligência artificial aumentou fortemente a procura por chips. Os Estados Unidos responderam tentando recuperar capacidade doméstica, enquanto Taiwan continua sendo o principal polo de fabricação avançada e abriga empresas essenciais para atender essa demanda.
A TSMC já levou seus planos americanos a US$ 265 bilhões. Agora, empresas taiwanesas não identificadas avaliam colocar mais US$ 20 bilhões no país, segundo o Ministério da Economia.
Ao mesmo tempo, empresas americanas continuam dependendo profundamente das fábricas e fornecedores instalados em Taiwan. Assim, em vez de romper a cadeia existente, a atual estratégia parece construir uma segunda camada de capacidade industrial nos Estados Unidos enquanto preserva o enorme ecossistema asiático.
Se todos os projetos avaliados avançarem, os valores identificados entre a TSMC e os novos investidores somarão US$ 285 bilhões. Mais do que uma cifra financeira, esse montante mostra quanto a inteligência artificial está começando a redesenhar a geografia industrial dos semicondutores.
E você, acredita que levar centenas de bilhões de dólares em fábricas de chips para os Estados Unidos realmente reduzirá a dependência de Taiwan, ou o ecossistema tecnológico da ilha continuará insubstituível por muitos anos?
Fonte
Reuters
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

