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Cientistas brasileiros transformam resíduos de siderurgia e conchas em material que usa luz solar para degradar 75% de corante na água e produzir hidrogênio
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 14/10/2026 às 18:19
Atualizado em 14/10/2026 às 18:20
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Composto desenvolvido pela UFSCar e pela UFRN apresentou atividade fotocatalítica em laboratório e manteve boa parte do desempenho após cinco reutilizações, mas ainda precisa avançar antes de uma aplicação industrial
Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um material que aproveita resíduos para degradar corante na água e produzir hidrogênio, segundo reportagem da Agência FAPESP publicada em 22 de setembro de 2026. Nos testes, a exposição à luz solar permitiu degradar aproximadamente 75% do azul de metileno em duas horas e meia.
A proposta reúne aproveitamento de materiais descartados, tratamento de contaminantes e geração de combustível. Entretanto, os resultados correspondem a experimentos laboratoriais, com condições específicas para cada avaliação.
Resíduos viram componentes de um novo material
A equipe recuperou óxido de ferro de pó de alto-forno, resíduo associado à limpeza de gases da siderurgia. Já as conchas marinhas forneceram matéria-prima para obter hidroxiapatita.
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Depois, os pesquisadores combinaram os componentes, formando uma heterojunção, nome dado à interface entre materiais com propriedades elétricas diferentes.
Essa união permite investigar um comportamento distinto daquele observado nos componentes separados. Assim, a pesquisa avalia o material resultante como uma estrutura funcional, além de estudar suas matérias-primas.
O reaproveitamento também acrescenta uma possibilidade de valorização dos resíduos. Contudo, transformar descarte em produto exige etapas de preparação e processamento, que precisam entrar na avaliação de uma futura aplicação.
Luz solar ativa reações na solução
O funcionamento envolve fotocatálise, processo em que a luz ativa um material capaz de favorecer reações químicas.
Nesse caso, a investigação demonstrou aplicações na degradação do azul de metileno e na geração de hidrogênio. Portanto, a luz participa do processo de transformação, enquanto o composto atua como fotocatalisador.
O resultado não significa que bastaria colocar conchas e resíduos industriais diretamente na água. Antes dos experimentos, os pesquisadores produziram e caracterizaram o nanomaterial.
Dessa forma, o desempenho depende da preparação da tecnologia e das condições utilizadas no laboratório.
Degradar corante não equivale a tornar água potável
O azul de metileno serviu como contaminante de referência. Entretanto, reduzir sua presença não demonstra, por si só, que a água atende aos requisitos para consumo humano.
Uma avaliação de potabilidade envolve outros parâmetros químicos e microbiológicos. Além disso, efluentes reais podem reunir substâncias diferentes daquelas presentes em uma solução experimental.
Por isso, o percentual divulgado deve permanecer associado ao corante e ao ensaio realizado. Ele não representa uma eficiência comprovada contra qualquer tipo de poluição.
Essa distinção ajuda a dimensionar o avanço sem atribuir ao material funções que os testes apresentados não demonstraram.
Produção de hidrogênio utilizou solução com ácido lático
No experimento de geração de combustível, os pesquisadores utilizaram a formulação HFe40 em uma solução contendo 10% de ácido lático, sob irradiação solar durante quatro horas.
Assim, o resultado não corresponde à produção de hidrogênio a partir de água pura, sem outros componentes. A composição da solução faz parte das condições do teste.
Também será necessário considerar a quantidade produzida em relação ao tempo e ao material empregado. Afinal, detectar a geração de um gás e demonstrar sua viabilidade comercial são etapas diferentes.
Para os projetos de combustível solar, produtividade, recuperação do produto e funcionamento contínuo influenciam a possibilidade de ampliar a escala.
Reutilização é um ponto importante para avançar
Após cinco ciclos de degradação do corante, a atividade fotocatalítica caiu cerca de 6%. O resultado indica estabilidade nas condições avaliadas, embora ainda não determine a vida útil industrial.
Reutilizar um material pode reduzir a necessidade de reposição. Contudo, isso depende também da possibilidade de recuperá-lo após o tratamento e de manter seu desempenho ao longo do tempo.
Segundo a Agência FAPESP, os próximos passos incluem melhorar a eficiência da produção de hidrogênio, medir o gás com maior precisão e acompanhar a estabilidade por períodos mais longos.
O desenvolvimento demonstra uma rota de pesquisa que conecta resíduos e materiais funcionais. Sua aplicação em maior escala dependerá dessas avaliações adicionais.
Fonte
Agência FAPESP
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

