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El Niño de 2026 eleva o nível do Pacífico em até 40 cm, aquece águas em 4,4 °C acima do normal e já muda a cor do oceano ao reduzir o fitoplâncton
Escrito por Carla Teles
Publicado em 21/10/2026 às 18:42
Atualizado em 21/10/2026 às 19:20
Ciência e Tecnologia
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El Niño de 2026 eleva o nível do Pacífico em até 40 cm, aquece águas acima do normal e reduz fitoplâncton em áreas equatoriais do oceano.
O El Niño de 2026 está produzindo alterações visíveis no Oceano Pacífico: áreas do mar ficaram até 40 centímetros acima do nível considerado normal, porções do Pacífico equatorial registraram anomalias superiores a 4 °C e imagens de satélite já mostram mudanças na cor da água associadas à redução do fitoplâncton.
As transformações estão sendo acompanhadas em outubro de 2026 por satélites da NASA e pelos centros de monitoramento climático da NOAA. O fenômeno continua se intensificando no Pacífico tropical e tem alta probabilidade de permanecer entre forte e muito forte nos próximos meses, embora sua intensidade final ainda dependa da evolução do sistema oceano-atmosfera.
El Niño já desloca grandes volumes de água pelo Pacífico
Uma das marcas mais claras do evento aparece na altura da superfície do mar. Dados dos satélites Sentinel-6 mostram que o aquecimento e a redistribuição das águas elevaram o nível do Pacífico em algumas áreas entre 30 e 40 centímetros acima do normal.
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Ao mesmo tempo, regiões próximas à Indonésia e ao norte da Austrália apresentam o movimento oposto, com níveis entre 15 e 20 centímetros abaixo da média. O oceano não está simplesmente subindo de maneira uniforme: enormes volumes de água estão sendo redistribuídos de oeste para leste.
Esse deslocamento está ligado às ondas de Kelvin, grandes pulsos de água quente que atravessam o Pacífico equatorial. Quando os ventos alísios enfraquecem, a água quente que normalmente se acumula mais para o oeste consegue avançar em direção às Américas.
Quanto maior a quantidade de calor transportada, maior pode ser a alteração na temperatura e na altura da superfície marinha ao longo da faixa equatorial.
Águas passam de 4 °C acima do normal em partes do Pacífico
O aquecimento também alcançou valores expressivos.
Na atualização de 8 de outubro, a NOAA informou que anomalias da temperatura da superfície do mar já ultrapassavam 4 °C em partes do Pacífico equatorial oriental. O índice Niño 1+2, localizado próximo às costas do Peru e do Equador, estava em +3,9 °C na média mensal mais recente divulgada pelo órgão.
A fonte que acompanha os dados semanais cita valor de até 4,4 °C acima do normal na região Niño 1+2 durante a semana de 19 de outubro. Como os indicadores semanais podem oscilar mais do que as médias mensais, os dois números não são necessariamente contraditórios.
O ponto central é que o El Niño de 2026 apresenta aquecimento excepcionalmente intenso no leste do Pacífico, suficiente para alterar circulação atmosférica, distribuição de calor e condições biológicas no oceano.
NOAA vê chance elevada de evento histórico
O Centro de Previsão Climática da NOAA considera que o El Niño continuará se fortalecendo ao longo do fim de 2026.
Na atualização de outubro, o órgão calculou 83% de probabilidade de o trimestre outubro-dezembro atingir ou superar +2,5 °C no RONI, índice usado para medir a intensidade relativa do fenômeno. Esse patamar colocaria o evento na categoria histórica dentro da série monitorada desde 1950.
Isso não significa que todos os impactos associados aos episódios anteriores necessariamente se repetirão.
A própria NOAA ressalta que um evento muito forte aumenta a probabilidade de determinados efeitos climáticos, mas não garante que cada região enfrentará o mesmo padrão de chuva, seca ou temperatura observado em outros anos.
Oceano já está ficando mais azul em áreas do equador
Uma das mudanças mais incomuns pode ser observada diretamente na cor do Pacífico.
O satélite PACE, lançado em 2024, mede centenas de comprimentos de onda da luz refletida pela superfície oceânica. Em 2026, os dados mostraram que faixas anteriormente mais verdes ao longo do Pacífico equatorial estão se tornando mais azuis.
A transformação não significa que a água esteja recebendo algum pigmento novo.
A cor do oceano depende, entre outros fatores, da presença de organismos microscópicos, principalmente o fitoplâncton. Regiões com maior concentração desses organismos tendem a apresentar tons mais esverdeados, enquanto áreas com menor quantidade podem parecer mais azuis.
As imagens comparando 2025 e 2026 mostram justamente a retração dessas zonas verdes em partes do Pacífico.
Redução do fitoplâncton está ligada à falta de nutrientes
O El Niño interfere diretamente no processo que leva nutrientes das águas profundas até a superfície.
Em condições normais, ventos e correntes ajudam a trazer água fria rica em nitratos, ferro e outros nutrientes para as camadas superiores do oceano. Esse processo, chamado ressurgência, sustenta grandes populações de fitoplâncton.
Durante um El Niño forte, o enfraquecimento dos ventos alísios e o aprofundamento da camada de água quente podem reduzir essa ressurgência.
Com menos nutrientes disponíveis na superfície, a quantidade de fitoplâncton diminui, exatamente o comportamento identificado pelos sensores da NASA em partes do Pacífico tropical.
A mudança é importante porque o fitoplâncton ocupa a base de grande parte da cadeia alimentar marinha.
Peixes, aves e mamíferos podem sentir efeitos depois
Quando o fitoplâncton diminui, o impacto pode avançar para outros níveis do ecossistema.
Pequenos organismos que dependem dele encontram menos alimento, o que pode afetar peixes e, posteriormente, aves e mamíferos marinhos que dependem dessas espécies.
A mudança na cor do oceano funciona, portanto, como um indicador visível de uma transformação ecológica mais profunda.
Isso não significa que toda a vida marinha do Pacífico esteja em colapso. A intensidade e a duração dos efeitos variam de acordo com região, espécie e duração do episódio.
Ainda assim, o acompanhamento por satélites permite observar mudanças que antes seriam muito mais difíceis de identificar em escala oceânica.
PACE acompanha o primeiro grande El Niño desde seu lançamento
O evento de 2026 tem uma particularidade científica.
É o primeiro El Niño acompanhado pelo satélite PACE desde seu lançamento em 2024. O equipamento consegue observar o oceano em centenas de faixas do espectro visível, ultravioleta e infravermelho próximo.
Essa capacidade permite acompanhar não apenas a temperatura ou o nível do mar, mas também mudanças biológicas associadas à concentração de fitoplâncton.
A NASA consegue agora observar simultaneamente o aquecimento, a elevação da superfície e a alteração da cor do Pacífico, construindo uma visão integrada de como o fenômeno afeta o oceano.
El Niño ainda pode se intensificar nos próximos meses
Os dados de outubro mostram um sistema ainda em desenvolvimento.
A NOAA espera que o fenômeno permaneça forte a muito forte pelo menos até o início de 2027. A probabilidade de um episódio historicamente intenso continua elevada, mas o pico definitivo ainda não pode ser tratado como um resultado fechado.
Por isso, expressões como “maior El Niño já registrado” ainda exigem cautela neste momento. O que já está confirmado é que o Pacífico apresenta sinais extremos de aquecimento, redistribuição de água e redução do fitoplâncton.
Com áreas do mar até 40 centímetros acima do normal, anomalias superiores a 4 °C no leste do Pacífico e mudanças de cor detectadas do espaço, o evento de 2026 já oferece uma demonstração clara de como o oceano responde quando o El Niño se fortalece.
Nos comentários, conte qual desses sinais mais chama sua atenção: o aumento do nível do mar, o aquecimento extremo ou a mudança na cor do Pacífico.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

