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Europa inaugura complexo híbrido com 242 MW de energia solar e bateria de 773 MWh na Bulgária e prepara expansão com mais 250 MW em turbinas eólicas
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 05/10/2026 às 19:01
Atualizado em 05/10/2026 às 19:05
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O parque Tenevo, no sudeste da Bulgária, entrou em operação como uma das maiores plataformas híbridas de energia renovável da Europa, reunindo usina solar, armazenamento em baterias e uma próxima fase eólica que pode levar o investimento total a mais de 500 milhões de euros
A Bulgária acaba de colocar em evidência um tipo de projeto que ganhou força na Europa, mas ainda é raro em grande escala: um complexo renovável desenhado para gerar energia, armazená-la e, em seguida, ampliar sua capacidade com novas fontes no mesmo ponto de conexão.
O Tenevo Hybrid Park, inaugurado oficialmente em 30 de setembro, combina uma usina solar de 242 MWp com dois sistemas de armazenamento que somam 311 MW / 773 MWh. Segundo a Eurowind Energy e a Renalfa IPP, o empreendimento deve produzir cerca de 332 GWh por ano e já nasceu com previsão de expansão para mais de 250 MW em energia eólica. As empresas afirmam ainda que, somando todas as fases, o investimento total deve superar 500 milhões de euros.
Mais do que um parque solar com baterias, o Tenevo representa uma tentativa clara de extrair mais valor de um único ponto de conexão à rede. Esse detalhe técnico importa porque, em boa parte da Europa, o gargalo já não está apenas em construir usinas, mas em conseguir espaço para escoar a geração.
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Projeto reúne solar, bateria e futura fase eólica no mesmo polo energético
O empreendimento foi inaugurado no sudeste da Bulgária por Renalfa IPP e Eurowind Energy, duas companhias que vêm apostando em projetos híbridos no Leste Europeu. Pela configuração atual, o Tenevo já figura entre os maiores complexos combinando geração fotovoltaica e armazenamento no continente. A própria página de projetos da Renalfa descreve o ativo como um parque de 242 MWp solar com 311 MW / 772,5 MWh em baterias, resultado de um investimento conjunto entre a desenvolvedora austríaca e a empresa dinamarquesa.
O projeto não surgiu pronto nesse formato final. Em 2023, quando a construção começou, a primeira fase previa uma usina solar de 237,58 MWp, seguida por etapas adicionais com mais de 250 MW em turbinas eólicas e sistemas de armazenamento. Naquele momento, o empreendimento já era apresentado como o primeiro complexo híbrido renovável desse tipo na Bulgária, sinalizando a estratégia de crescimento por fases que agora começa a se consolidar.
Esse histórico ajuda a entender a ambição do parque. Não se trata apenas de instalar painéis solares em larga escala, mas de montar um ativo capaz de operar com mais flexibilidade e de aproveitar melhor a infraestrutura elétrica já disponível.
Bateria de 773 MWh muda o papel do projeto dentro do sistema elétrico
A presença de um sistema de armazenamento dessa magnitude é o que diferencia o Tenevo de um parque solar convencional. Segundo a Eurowind Energy, os dois sistemas co-localizados totalizam 311 MW / 773 MWh, enquanto a primeira fase da bateria e a usina fotovoltaica já operam desde 2025.
Na prática, isso significa que parte da eletricidade gerada pelos painéis solares pode ser armazenada e devolvida à rede em outro momento. A lógica parece simples, mas tem implicações grandes: ela reduz desperdícios em momentos de baixa demanda, ajuda a suavizar oscilações da geração renovável e torna o projeto mais útil para o operador do sistema.
Essa é uma mudança relevante no modelo de negócios da energia renovável. Durante muito tempo, a prioridade era adicionar megawatts instalados. Agora, cresce o valor de projetos que conseguem entregar energia com mais previsibilidade e responder melhor às necessidades da rede. O Tenevo foi desenhado exatamente para esse tipo de função, com o objetivo declarado de reforçar a resiliência do sistema búlgaro e ampliar a participação das renováveis no mix elétrico do país.
Financiamento europeu e bancário ajudou a viabilizar um projeto de grande escala
O porte do complexo exigiu uma estrutura de financiamento robusta. De acordo com a Eurowind Energy, a parte solar recebeu 50 milhões de euros do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD) e 53 milhões de euros do Raiffeisen Bank International (RBI). A segunda fase do sistema de baterias deve receber mais 60 milhões de euros, em contrato ainda a ser formalizado, e o projeto também está entre os primeiros da Bulgária a contar com apoio do programa europeu InvestEU.
O EPC e o gerenciamento do projeto ficaram com a Solarpro Holding, empresa responsável pela execução do complexo.
Quando bancos multilaterais e linhas ligadas à União Europeia entram em um ativo desse perfil, o sinal ao mercado é claro: projetos híbridos deixaram de ser apenas uma aposta tecnológica e passaram a ser tratados como infraestrutura estratégica.
Próxima etapa pode adicionar mais de 250 MW em energia eólica
A expansão planejada com mais de 250 MW em turbinas eólicas é, provavelmente, o capítulo mais importante da próxima fase do Tenevo. A Eurowind afirma que o parque foi concebido para crescer por meio da hibridização de ativos, maximizando o uso da conexão à rede e ampliando a capacidade do complexo sem repetir toda a estrutura desde o início.
Essa combinação entre solar, bateria e vento tende a tornar o projeto mais equilibrado ao longo do dia e das estações. O solar concentra produção nas horas de maior irradiância. O armazenamento desloca parte dessa energia no tempo. A energia eólica, por sua vez, acrescenta outra curva de geração. Juntas, as três camadas ajudam a aproximar a operação do que o setor elétrico mais valoriza: oferta renovável com maior regularidade.
Se a expansão sair como planejado, o Tenevo não será apenas um grande parque da Bulgária. Ele poderá se consolidar como uma das referências europeias de complexo híbrido em escala utilitária.
O que o Tenevo resolve agora — e o que ainda falta acompanhar
Com a inauguração, a fase solar e a configuração principal de armazenamento entram definitivamente no mapa dos grandes projetos renováveis do Leste Europeu. O parque já tem números suficientes para se destacar: 242 MWp em solar, 311 MW / 773 MWh em baterias e produção estimada de 332 GWh por ano.
O que ainda falta acompanhar é a execução da etapa eólica. Ela será decisiva para confirmar a promessa mais ambiciosa do empreendimento: transformar o Tenevo em uma plataforma energética híbrida completa, capaz de usar um mesmo corredor de conexão para operar com três fontes complementares e entregar energia renovável com maior flexibilidade.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

