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Telescópio FAST da China identifica pulsar de 3,2 milissegundos em um trio de estrelas e aponta por que ele parecia frear 100 vezes mais rápido: a gravidade de uma terceira estrela parecida com o Sol
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 12/10/2026 às 17:15
Atualizado em 12/10/2026 às 17:16
Ciência e Tecnologia
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O estudo do pulsar saiu em 9 de outubro de 2026 no The Astrophysical Journal Letters. Veja a conta das voltas, o que é só aparente e onde os europeus calculam diferente.
O telescópio FAST, o radiotelescópio de 500 metros da China, ajudou a identificar um pulsar que faz parte de um sistema triplo de estrelas. A agência Xinhua relata o estudo publicado em 9 de outubro de 2026. O pulsar PSR J0435+3233 gira a cada 3,2 milissegundos e orbita uma anã branca a cada 8 dias. Uma terceira estrela, de massa parecida com a do Sol, dá a volta no par a cada 73,5 anos.
O que é um pulsar e por que este chama atenção?
Um pulsar é uma estrela de nêutrons que gira e lança feixes de ondas de rádio, como um farol no espaço. Este é do tipo “de milissegundo”, o mais veloz da família. Com período de 3,2 milissegundos, ele completa cerca de 313 rotações por segundo (conta nossa: 1 dividido por 0,0032 segundo).
O telescópio FAST o detectou numa busca feita em 2020, de acordo com o Global Times. A mesma fonte conta que o Observatório Astronômico de Xinjiang o acompanhou por quase 5 anos. Foram 192 medições do tempo de chegada dos pulsos.
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Como as 3 estrelas se organizam no sistema triplo?
O desenho que a CGTN publicou mostra duas camadas: um par apertado no centro e uma estrela distante em órbita alongada. A tabela resume o que as fontes chinesas dizem de cada uma.
Para o Global Times, a estrela mais massiva do trio, com cerca de 20 massas solares, explodiu como supernova e virou o pulsar. A segunda, com algumas massas solares no início, virou a anã branca. A terceira, a mais leve, ficou longe, escapou das explosões e segue evoluindo.
Por que o pulsar parecia frear 100 vezes mais rápido que os parecidos?
O período do pulsar aumenta cerca de 1 nanossegundo por ano, segundo a Xinhua. A CGTN calcula que isso seja 100 vezes mais que em pulsares comparáveis. Um nanossegundo é um bilionésimo de segundo. Como o período tem 3,2 milhões de nanossegundos, a mudança é de uma parte em 3,2 milhões a cada ano (conta nossa).
O achado do “freio forte” já tinha saído na Nature Astronomy, em abril, pela equipe de Wang Na, do Observatório Astronômico de Xinjiang. A Academia Chinesa de Ciências relatou na época um ritmo de frenagem duas ordens de grandeza maior que o de qualquer outro pulsar de milissegundo da Via Láctea. Os autores já suspeitavam de um terceiro corpo.
A novidade de 9 de outubro de 2026 é a explicação. Segundo o Global Times, a gravidade da terceira estrela responde pela desaceleração aparente. A estrela de nêutrons não estaria freando tanto por dentro. A atração do vizinho distante bagunça a medida do tempo dos pulsos.
Quantas voltas o par interno dá enquanto a terceira estrela completa uma?
Aqui a conta mostra a escala do sistema triplo. A terceira estrela leva 73,5 anos para voltar ao mesmo ponto, e o par interno leva 8 dias:
Ou seja, a cada volta da estrela externa, o pulsar e a anã branca giram um em torno do outro mais de 3 mil vezes. Essa conta usa o período de 8 dias arredondado das fontes e vale como ordem de grandeza.
Quem achou, e por que os dois estudos não dizem a mesma coisa?
A análise chinesa foi liderada por Han Jinlin, do Observatório Astronômico Nacional da China (NAOC), segundo a Xinhua. Ela combinou os dados do telescópio FAST com levantamentos de luz infravermelha e visível. Entraram também raios gama do satélite Fermi, de acordo com a CGTN.
Uma equipe da Alemanha, da Holanda, da França e do Reino Unido analisou dados de arquivo parecidos e chegou à mesma conclusão, de acordo com o Global Times. O preprint europeu, de Paulo Freire e colegas, foi enviado ao arXiv em 29 de julho de 2026. Os números dele não coincidem em tudo com os chineses.
O preprint também afirma que a taxa real de frenagem do pulsar é pelo menos duas ordens de grandeza menor que a medida. Isso combina com a ideia de “aparente”. As diferenças de período e de massa não são explicadas nas fontes que li.
O que torna esse sistema triplo raro?
Segundo o Global Times, sem contar sistemas com planetas, este é só o segundo trio de estrelas confirmado com um pulsar. O primeiro, o PSR J0337+1715, foi achado com o telescópio de Green Bank, nos Estados Unidos. Ele tem uma estrela de nêutrons e duas anãs brancas. Nele, as três estrelas já terminaram de evoluir.
Aqui a terceira ainda está no meio da vida. De acordo com a CGTN, ela deve virar anã branca no futuro. O sistema ficará com um pulsar e duas anãs brancas, como o primeiro. A Xinhua diz que o trio nasceu da mesma nuvem de gás e poeira.
Para que serve um laboratório natural de 3 estrelas?
A Xinhua informa que o sistema pode servir para testar teorias da gravidade, entre elas o princípio de equivalência forte. Em linguagem simples, é a ideia de que corpos de massas e composições diferentes caem do mesmo jeito num campo gravitacional. Vale até quando a gravidade é altíssima. Uma estrela de nêutrons é um corpo desses extremos. Essa explicação é nossa, não das fontes.
O que é o FAST, e o que ainda falta saber?
O telescópio FAST fica numa depressão cárstica na província de Guizhou, no sudoeste da China. A área de recepção equivale a 30 campos de futebol, segundo a Xinhua. O telescópio entrou em operação formal em janeiro de 2020 e foi aberto ao mundo em março de 2021.
Faltam peças. O artigo do The Astrophysical Journal Letters não estava aberto para leitura em 12 de outubro de 2026. Os números chineses vêm das reportagens da Xinhua, da CGTN e do Global Times. Também não conferi se o preprint europeu já saiu numa revista.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

