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Empresa chinesa negocia instalação de fábricas de baterias e turbinas eólicas no Brasil após fechar contrato para fornecer 630 MW de equipamentos ao país
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 04/11/2026 às 12:25
Atualizado em 04/11/2026 às 12:26
Economia
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Envision Energy avalia instalar fábricas de baterias e turbinas eólicas no Brasil após fechar contrato de 630 MW. Entenda os investimentos em estudo.
Enquanto grandes fabricantes de turbinas eólicas enfrentam dificuldades para manter suas linhas de produção no Brasil, uma empresa chinesa prepara sua entrada na indústria nacional. A Envision Energy, que já conquistou um contrato para fornecer equipamentos a parques eólicos brasileiros, começou a avaliar a possibilidade de produzir baterias e turbinas diretamente no país. Segundo a Reuters, em reportagem publicada pelo UOL em 28 de outubro de 2026, Marcello Trombelli, diretor de soluções e relações institucionais e governamentais da companhia no Brasil, confirmou que a multinacional mantém conversas com autoridades federais e estaduais.
A intenção é estudar as condições necessárias para instalar unidades industriais e ampliar a presença da fabricante no mercado brasileiro. O projeto ainda depende de decisões sobre incentivos, parcerias e demanda por equipamentos.
Empresa chinesa avalia produzir turbinas eólicas e baterias no Brasil
A Envision Energy está analisando a possibilidade de construir estruturas industriais para fabricar dois tipos de equipamentos. O primeiro são as turbinas eólicas, responsáveis por transformar a força do vento em eletricidade.
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O segundo são as baterias de grande porte, utilizadas para guardar energia e disponibilizá-la quando o sistema elétrico precisa. Esses equipamentos podem operar junto a parques solares, usinas eólicas e instalações conectadas à rede nacional.
A empresa ainda não anunciou quanto pretende investir, onde as fábricas poderiam ficar ou quantos trabalhadores seriam contratados. A produção brasileira é uma possibilidade em avaliação, e não um empreendimento com obras autorizadas ou iniciadas.
Executivo da Envision confirma negociações com autoridades brasileiras
Durante o evento Brazil Windpower, realizado em outubro de 2026, Marcello Trombelli explicou que a companhia mantém contato com representantes de governos estaduais e do governo federal.
As conversas envolvem as tecnologias que a multinacional poderia trazer ao Brasil e as condições necessárias para produzir esses equipamentos no território nacional. O executivo mencionou incentivos fiscais como um dos fatores considerados.
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Também citou os chamados ex-tarifários. Esse mecanismo permite reduzir temporariamente impostos de importação sobre determinados equipamentos industriais sem produção nacional equivalente, conforme as regras brasileiras.
Contrato de 630 MW marca entrada da fabricante no mercado eólico brasileiro
A Envision deu um passo concreto no mercado brasileiro em janeiro de 2026. Naquele mês, anunciou um acordo com a Casa dos Ventos para fornecer turbinas destinadas a novos projetos de energia eólica.
O contrato prevê equipamentos com capacidade total de 630 megawatts (MW). Essa medida representa a potência instalada que as turbinas podem alcançar nas condições previstas de funcionamento.
O fornecimento inclui máquinas da linha Galileo AI, com potência individual na faixa de 8 MW, além de um contrato de serviços de longo prazo. O acordo de manutenção terá duração de 30 anos, conforme informações divulgadas sobre a parceria.
Turbinas vendidas ao Brasil ainda serão fabricadas no exterior
Apesar do contrato de grande porte, as turbinas fornecidas à Casa dos Ventos serão importadas. A Envision ainda não possui uma fábrica nacional anunciada para produzir os equipamentos desse fornecimento.
A encomenda já permite que a empresa participe do mercado brasileiro, mesmo sem instalar imediatamente uma unidade industrial. A produção local poderá ser considerada conforme o crescimento das vendas e a formação de uma carteira de clientes.
O acordo também prevê tecnologias digitais para acompanhar o funcionamento das máquinas e melhorar seu desempenho. Os sistemas utilizam informações sobre ventos, equipamentos e condições de operação dos parques.
Indústria brasileira de turbinas enfrenta paralisação de fabricantes tradicionais
O interesse da Envision surge em um período de dificuldades para empresas que produzem equipamentos eólicos no Brasil. A falta de novas encomendas levou fabricantes tradicionais a interromper atividades industriais.
Entre as empresas que reduziram ou paralisaram operações no país estão GE e Siemens Gamesa. A queda das encomendas está relacionada à redução do ritmo de instalação de novos parques eólicos.
Ao mesmo tempo, fabricantes chinesas ampliaram sua presença no setor. Empresas como Goldwind, Sinoma e Windey passaram a participar desse mercado, por meio de fornecimentos, projetos e atividades industriais.
Fabricante chinesa Goldwind já opera uma unidade industrial na Bahia
Uma das empresas que avançaram na produção brasileira foi a Goldwind. A fabricante chinesa assumiu uma unidade anteriormente utilizada pela GE em Camaçari, na Bahia, e passou a produzir equipamentos eólicos no local.
Esse movimento ocorreu enquanto outras companhias enfrentavam dificuldades para conseguir novos contratos. A Goldwind também firmou encomendas para fornecer turbinas a empresas que desenvolvem parques eólicos no Brasil.
A Envision poderá seguir um caminho diferente ou semelhante, dependendo das negociações. Até agora, porém, não existe anúncio confirmado de compra de fábrica, escolha de terreno ou implantação de linha de montagem nacional.
Baterias industriais abrem outra frente de negócios para a Envision
Além das turbinas eólicas, a companhia pretende ampliar sua participação no mercado brasileiro de armazenamento de energia. Esse segmento utiliza grandes conjuntos de baterias instalados em estruturas industriais.
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Os equipamentos armazenam eletricidade durante determinados períodos e devolvem essa energia à rede quando necessário. Dessa maneira, podem ajudar a atender ao consumo nos horários de maior demanda.
A tecnologia é conhecida pela sigla BESS, expressão em inglês para sistema de armazenamento de energia em baterias. A Envision já oferece esses produtos a empresas interessadas nas próximas contratações brasileiras.
Brasil prepara dois leilões de baterias para dezembro de 2026
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, em 27 de outubro, os editais dos primeiros leilões brasileiros destinados à contratação de grandes sistemas de armazenamento de energia.
As disputas estão previstas para 2 e 4 de dezembro de 2026. O primeiro leilão terá requisitos de fabricação nacional, enquanto o segundo permitirá a participação de projetos sem essa mesma exigência.
Os contratos terão duração de 15 anos e início de fornecimento previsto para agosto de 2028. As empresas vencedoras deverão disponibilizar potência elétrica quando houver necessidade de atendimento ao sistema nacional.
Exigência de fabricação nacional aumenta interesse de empresas estrangeiras
O primeiro leilão estabelece critérios para utilização de equipamentos fabricados no Brasil. Para disputar essa contratação, os projetos deverão atender às condições de nacionalização previstas no edital.
A Envision está procurando parceiros brasileiros para estruturar sua participação nesse mercado. O objetivo é preparar soluções que possam atender aos requisitos técnicos e industriais das licitações.
Outras empresas chinesas também avançaram nessa direção. Fabricantes como Jinko ESS e CATL estabeleceram parcerias com companhias brasileiras para desenvolver projetos ligados ao armazenamento de eletricidade.
Concorrente chinesa anuncia até R$ 500 milhões para produzir baterias
Enquanto a Envision avalia suas opções, a BYD anunciou um investimento de até R$ 500 milhões para produzir sistemas de armazenamento de energia em baterias no Brasil.
O anúncio coloca outra fabricante chinesa entre as empresas que buscam participar do crescimento desse mercado. As companhias acompanham a preparação dos leilões e as exigências para fornecer equipamentos.
O valor anunciado pela BYD não pertence ao projeto da Envision. A fabricante de turbinas ainda não divulgou um orçamento para suas possíveis fábricas brasileiras, nem apresentou um calendário de implantação.
Investimento poderá abrir demanda para fornecedores e profissionais brasileiros
Caso decida instalar unidades industriais no Brasil, a Envision precisará organizar uma estrutura de produção e fornecimento. Esse processo poderá envolver fabricantes de componentes, empresas de montagem e prestadores de serviços industriais.
Uma fábrica de turbinas eólicas utiliza peças metálicas, sistemas elétricos, equipamentos eletrônicos e outros componentes. Já a produção de sistemas de baterias demanda estruturas de armazenamento, proteção elétrica e controle de temperatura.
A quantidade de empregos dependerá do tamanho das instalações e das atividades realizadas localmente. Como ainda não existe um projeto industrial aprovado, não há estimativa confirmada de contratações ou de geração de renda.
Decisão sobre as fábricas depende das condições de mercado
A Envision já possui um contrato para fornecer turbinas ao Brasil, mas o passo seguinte exige uma decisão sobre onde fabricar os equipamentos. O crescimento dos pedidos poderá influenciar a viabilidade de uma produção nacional.
Os incentivos e as condições de importação de máquinas também fazem parte dessa avaliação. A companhia precisa considerar os custos industriais, os fornecedores disponíveis e a demanda esperada para os próximos anos.
Os leilões de baterias previstos para dezembro acrescentam uma nova oportunidade comercial. Mesmo assim, vencer contratos de fornecimento não significa que uma fábrica será automaticamente instalada no país.
Expansão industrial chinesa poderá disputar espaço no mercado brasileiro de energia
A chegada de fabricantes estrangeiras ocorre em um setor que combina demanda por eletricidade, produção de equipamentos e investimentos de longo prazo. As empresas precisam decidir entre fabricar no Brasil ou importar suas máquinas.
No caso da Envision, o contrato de 630 MW com a Casa dos Ventos já representa uma operação comercial estabelecida.
As possíveis fábricas de baterias e turbinas permanecem em uma etapa anterior, de avaliação das condições para investir.
A próxima decisão poderá definir se a multinacional continuará atendendo seus clientes brasileiros com produtos importados ou se passará a produzir parte desses equipamentos no território nacional
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

