O governo do Acre vai decretar situação de emergência na região do Novo Mercado Velho, em Rio Branco, após identificar problemas estruturais no calçadão localizado às margens do Rio Acre. A medida prevê a retirada de comerciantes de áreas consideradas de risco, a possibilidade de interdição de trechos e a realização de novos estudos técnicos para identificar as causas do problema e definir uma solução definitiva.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 05, pela governadora Mailza Assis (Progressistas), durante coletiva de imprensa ao lado do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (Progressistas).
Segundo Mailza, o problema envolve o desmoronamento de parte do calçadão e exige providências imediatas para evitar acidentes. A governadora afirmou que o governo já vinha monitorando diariamente as condições da estrutura e que a situação chegou a um ponto em que a retirada de pessoas que ocupam o entorno se tornou necessária.
“Trata-se dessa problemática no calçadão, dessa obra, que estamos tendo problema de desmoronamento e providências precisam ser tomadas. Já está sendo feito um monitoramento há algum tempo sobre as condições da obra e do que está acontecendo e agora nós chegamos a uma conclusão de que precisam ser tomadas providências, como o decreto para retirada de alguns comerciantes, de parte deles, onde oferece risco”, declarou.
O decreto será publicado ainda nesta quinta-feira. Além da medida emergencial, o governo notificará a empresa responsável pela obra para que apresente providências diante dos problemas identificados. Mailza explicou que a administração estadual decidiu ampliar a avaliação técnica, envolvendo instituições e especialistas que possam apresentar um diagnóstico independente.
“Decidimos também estabelecer uma parceria com cientistas, com a Fapac, por exemplo, que tem pessoas com expertise para fazer um terceiro estudo, para a gente ter uma outra opção do que está acontecendo. Também acionarmos a Marinha, porque envolve um rio, embarcações, é um caminho. Na verdade, esse perímetro é utilizado para o transporte, então a gente precisa também dessa parceria com a Marinha para nos ajudar a tomar decisões em relação à passagem, essa condição de ir e vir no rio”, explicou a governadora.
Mailza destacou que a prioridade é retirar rapidamente as pessoas das áreas consideradas perigosas. “Essas providências precisam ser tomadas urgentemente na questão da retirada das pessoas, para que a gente evite qualquer fatalidade que venha acontecer em relação a esse desmoronamento da calçada e também da obra que foi feita”, disse.
Durante a coletiva, a governadora esclareceu que a retirada não atingirá, neste primeiro momento, o prédio principal do Novo Mercado Velho. Segundo ela, a estrutura do mercado continua sendo monitorada, mas não apresenta problemas que justifiquem a desocupação.
“O mercado não, por enquanto o mercado está sendo monitorado, não temos problema com o mercado. O problema está ali ao longo, após o mercado, 12 comerciantes, porém só quatro estão lá funcionando diariamente”, informou.
Além dos comerciantes instalados no entorno, duas feirinhas que funcionam na área externa também deverão ser transferidas. Nesse caso, a mudança não ocorre necessariamente por risco estrutural, mas pela necessidade de liberar o espaço para permitir a execução das intervenções.
“A feira que precisa ser retirada, não pelo risco, mas pela mobilidade que a gente pode precisar daquele espaço para tomar providências. Então, as duas feirinhas que estão ali na área externa do mercado, já vamos providenciando o lugar”, explicou.
Sobre o destino dos trabalhadores, Mailza afirmou que o governo já avalia espaços públicos que poderiam receber os comerciantes temporariamente. Entre as alternativas estão o Mercado dos Colonos, um prédio localizado do outro lado do Rio Acre e imóveis disponíveis na região da Gameleira.
“Agora é estudar os detalhes, conversar com eles, ter essa compreensão do espaço que eles precisam, dar adaptação, mas de forma que seja urgente, que seja logo”, declarou.
A governadora não estabeleceu prazo para a conclusão dos estudos ou para a recuperação da área. Segundo ela, a comissão formada para acompanhar a situação deverá avaliar a extensão dos danos e indicar o período necessário para as intervenções.
Questionada sobre a possibilidade de falhas na execução dos serviços, Mailza reconheceu que a solução apresentada anteriormente pela empresa responsável não conseguiu conter o problema. A área já havia passado por uma intervenção, mas voltou a apresentar alterações, o que levou o governo a buscar um novo diagnóstico.
“Certamente, porque a empresa apresentou uma solução, que foi essa segunda obra feita. Executamos o serviço, porém já não está mais na mesma situação. Então, vamos fazer um novo estudo, porque essa primeira solução não foi possível, não conteve o problema que já identificamos”, afirmou.
A governadora disse que o novo levantamento deverá identificar o que provocou o retorno dos problemas estruturais e apontar quais medidas serão necessárias para evitar novos danos. Ela também ressaltou que o governo não pretende depender exclusivamente da avaliação da empresa que executou os serviços.
“É um novo trabalho, já é uma nova identificação do que está ocorrendo e o que a obra não deu solução. E aí, novas providências precisam ser tomadas. Para isso, a gente precisa desse estudo, que não fica apenas no estudo da empresa. A gente quer envolver outras instituições para nos auxiliar nesse estudo, para daí saber exatamente o que vai dar solução para essa situação”, declarou.
Mailza acrescentou que, neste primeiro momento, a preocupação não é apenas recuperar a estrutura, mas garantir a segurança de quem trabalha e circula pelo local, além de preservar os investimentos já realizados na área.
“A decisão primeira é não tirar o risco, é tirar o risco, dar segurança para as pessoas que ali estão, para os investimentos que já foram feitos ali e é essa a nossa maior preocupação no momento”, afirmou.
O prefeito Alysson Bestene afirmou que a Prefeitura de Rio Branco participará das ações emergenciais em conjunto com o governo estadual. Segundo ele, as equipes municipais já estão alinhadas com a Defesa Civil do Estado para acompanhar possíveis riscos e atuar na proteção das pessoas que frequentam e trabalham na região.
“Primeiro, agradecer a governadora, que imediatamente, em parceria com o município, nessas ações, pensando no bem comum, no bem coletivo, nas pessoas, cuidando com as defesas civis”, declarou.
Alysson explicou que a prefeitura disponibilizará equipes da Defesa Civil, além de profissionais responsáveis pelo acompanhamento das condições do mercado, por meio da Secretaria Municipal de Empreendedorismo e Turismo. A Assistência Social também deverá participar para oferecer suporte aos comerciantes que precisarem deixar o local.
“A prefeitura também vai estar apoiando, com a nossa equipe, por parte da Defesa Civil, por parte que monitora o próprio mercado, através da Secretaria de Empreendedorismo e Turismo, e com a nossa Assistência Social, para dar todo o apoio”, afirmou.
A presença conjunta da governadora e do prefeito também levou os dois gestores a serem questionados sobre o alinhamento político entre eles. Mailza e Alysson pertencem ao Progressistas, e o prefeito apoiou a candidatura da governadora no segundo turno das eleições estaduais.
Mailza confirmou a parceria política, mas evitou aprofundar o assunto e afirmou que a coletiva deveria permanecer concentrada na situação do Novo Mercado Velho.
“Não é o momento de a gente tratar disso, a gente está aqui com uma situação bem mais grave. Mas claro que nós temos uma parceria política, somos do mesmo partido, essa relação institucional é fundamental, tanto é que a gente está dando exemplo aqui de parceria, que estamos todos comprometidos com o desenvolvimento, com o cuidar das pessoas”, afirmou.
O prefeito também confirmou que mantém alinhamento político com Mailza e afirmou que a relação entre os dois não começou apenas durante o atual período de gestão. “Eu sempre tive um alinhamento político também com a governadora, desde quando senadora, porque nós fazemos parte da mesma agremiação partidária, política, mas também olhando em primeiro lugar para as pessoas”, declarou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por adriano.

