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Depois de trabalhar como taxista nos fins de semana para complementar os custos da faculdade, estudante conciliou as corridas com o curso de medicina, tornou-se médico na Cidade do Cabo e transformou a experiência da própria formação em uma missão: orientar jovens que também desejam ingressar na carreira médica
Escrito por Carla Teles
Publicado em 27/07/2026 às 19:03
Curiosidades
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O taxista Randall Ortel conciliou jornadas de até 16 horas ao volante com a faculdade de medicina na África do Sul. Anos depois, tornou-se médico, professor universitário e fundador de uma iniciativa voltada a orientar jovens de Manenberg que desejam atender aos critérios de ingresso e estudar medicina no país.
O taxista Randall Ortel tinha 21 anos quando começou a dirigir nos fins de semana e durante as férias acadêmicas para complementar a bolsa recebida na faculdade de medicina. Morador de Manenberg, comunidade da Cidade do Cabo marcada por gangues, assassinatos e tráfico de drogas, ele usava o dinheiro para pagar livros, transporte e outras despesas.
A trajetória foi apresentada pelo canal Expresso Show em 6 de fevereiro de 2023 e havia sido publicada pelo News24/YOU em 12 de janeiro daquele ano. Aos 37 anos, Randall já atuava como médico no Hospital Groote Schuur, professor universitário e orientador de estudantes interessados em conquistar uma vaga em medicina.
Médico da comunidade inspirou a escolha profissional
A decisão de estudar medicina foi influenciada por Abdul Mowlana, médico e amigo do pai de Randall. Ele mantinha um consultório em Manenberg, participava da rotina local e se tornou uma referência profissional para o estudante.
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Randall chegou a ser aceito nos cursos de odontologia, química e medicina. Depois de conversar com o pai e analisar as possibilidades, escolheu a formação médica por acreditar que poderia prestar um serviço necessário à população.
Bolsa não cobria todas as despesas da faculdade
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O bom desempenho escolar garantiu a Randall uma bolsa para cursar medicina na Universidade de Stellenbosch. O auxílio, porém, não era suficiente para pagar integralmente livros, materiais, deslocamentos e outros custos acadêmicos.
Sua mãe trabalhava em uma fábrica de roupas, e parte da ajuda recebida estava relacionada ao sindicato sul-africano dos trabalhadores dos setores têxtil e de vestuário. Mesmo com o apoio financeiro, ainda existia uma diferença entre o valor disponível e o custo real de permanecer na universidade.
Trabalho precisava se adaptar à rotina acadêmica
Randall procurava uma atividade que pudesse ser conciliada com as aulas e os períodos de estudo. Segundo seu relato, empregos com horários fixos ofereceriam menos flexibilidade para acompanhar as exigências da faculdade.
Por isso, decidiu trabalhar como taxista. Aos 21 anos, obteve a licença profissional e passou a dirigir nos fins de semana e durante as férias acadêmicas, usando a renda para complementar as despesas que não eram cobertas pela bolsa.
Taxista dirigia até 16 horas nos fins de semana
Durante a semana, Randall frequentava a universidade e estudava à noite, especialmente entre segunda e quinta-feira. Nas tardes de sexta-feira, assumia o táxi e permanecia ao volante até aproximadamente 21 horas.
Aos sábados e domingos, Randall iniciava o trabalho por volta das 5 horas e seguia até aproximadamente 21 horas, conciliando a atividade como taxista com a rotina da faculdade de medicina.
Experiência exigiu orientação e adaptação
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Quando começou a dirigir, Randall recebeu ajuda de um profissional que conhecia a rotina dos táxis e se dispôs a ensinar os procedimentos básicos da atividade. O médico afirmou que permaneceu grato pelo apoio recebido naquele momento.
Com o tempo, aprendeu a organizar o serviço, lidar com passageiros e planejar os horários de maior movimento. Segundo seu relato, ser comunicativo também ajudava a atrair clientes e a tornar o trabalho financeiramente viável.
Amigos e lazer ficaram fora da rotina
A combinação entre universidade e trabalho deixou pouco espaço para descanso, convivência social ou atividades sem relação com o objetivo acadêmico. Randall contou que amigos e compromissos considerados desnecessários foram gradualmente deixados de lado.
A rotina não foi apresentada como simples demonstração de força, mas como um período de renúncias que precisava ser administrado com disciplina. O futuro médico seguia um cronograma rígido para estudar durante a semana e dirigir nos dias reservados ao descanso.
Saúde e desempenho começaram a sentir o impacto
As jornadas prolongadas começaram a comprometer a saúde e o rendimento acadêmico de Randall. Diante do desgaste, ele percebeu que manter o trabalho durante todos os fins de semana poderia colocar em risco justamente o objetivo que tentava financiar.
O estudante decidiu parar de dirigir aos domingos, reservando o dia para dormir, revisar conteúdos e se preparar para a semana seguinte. A mudança mostra que persistência também exigiu reconhecer limites e reorganizar uma rotina que havia se tornado excessiva.
Formação avançou além do primeiro diploma
Randall concluiu medicina na Universidade de Stellenbosch e posteriormente obteve duas qualificações médicas. Entre elas estava um mestrado realizado na Universidade da Cidade do Cabo, onde também passou a atuar como professor.
Paralelamente às atividades acadêmicas, trabalhou como médico no Hospital Groote Schuur. Sua trajetória passou a reunir atendimento a pacientes, ensino universitário e participação em iniciativas direcionadas à comunidade onde cresceu.
Médico levou educação em saúde às redes sociais
Além do hospital e da universidade, Randall começou a produzir conteúdos sobre cuidados básicos de saúde nas redes sociais. Na época da reportagem publicada em janeiro de 2023, reunia aproximadamente 39 mil seguidores no TikTok.
Ele considerava a informação uma ferramenta importante para aproximar conhecimentos médicos da população. Ao ocupar o espaço público, Randall procurava redirecionar parte da atenção recebida para Manenberg e para iniciativas positivas existentes na comunidade.
Paternidade também fazia parte da rotina
Quando a reportagem foi publicada, Randall era pai solo de Reeva, que tinha quatro anos. Nos períodos livres, precisava conciliar a convivência com a filha, o trabalho no hospital, as aulas e a produção de conteúdo educativo.
A fonte não detalha como todas essas responsabilidades eram distribuídas ao longo da semana. Ainda assim, a paternidade foi apresentada como parte relevante de uma rotina profissional e pessoal já marcada por diferentes compromissos.
Fundação passou a orientar futuros estudantes
Depois de consolidar a própria carreira, Randall criou uma iniciativa voltada a estudantes interessados em medicina. Segundo ele, muitos jovens de Manenberg não conheciam os critérios acadêmicos, testes e decisões escolares necessários para concorrer a uma vaga.
O trabalho começava ainda no equivalente ao 9º e ao 10º ano, com orientação sobre matérias, provas e preparação para o processo seletivo. Na entrevista ao Expresso Show, Randall afirmou que estudantes acompanhados pela fundação já estavam em fases avançadas do curso de medicina na Universidade de Stellenbosch.
Experiência como taxista virou ferramenta de orientação
Randall passou a utilizar sua própria história para mostrar que dificuldades financeiras e falta de informação não precisam encerrar antecipadamente um projeto acadêmico. Ele também ressaltava, porém, que os candidatos precisavam cumprir os critérios formais de admissão.
A missão não era prometer acesso fácil à universidade, mas ajudar jovens a entender o caminho e a se preparar com antecedência. A experiência acumulada por Randall e os contatos construídos ao longo da carreira permitiam orientar escolhas escolares, avaliações e etapas da candidatura.
Trajetória tornou Manenberg visível por outro motivo
Randall afirmou que se sentia confortável com a atenção pública porque ela permitia que a comunidade fosse lembrada por algo além das gangues e das drogas. Para ele, a exposição de sua história poderia tornar outras possibilidades mais concretas para crianças e adolescentes.
O médico também defendia que graduados levassem oportunidades e conhecimentos de volta às comunidades onde cresceram. Em vez de tratar o sucesso como conquista isolada, ele passou a apresentá-lo como uma ponte para o desenvolvimento de novos estudantes.
Trabalho ao volante ganhou uma nova consequência
Os anos em que Randall trabalhou como taxista ajudaram a financiar uma formação que posteriormente o levou ao hospital, à universidade e às redes sociais. A antiga necessidade de pagar livros e transporte passou a compor uma história usada para orientar candidatos à medicina.
Ao transformar a própria experiência em apoio prático, ele ampliou o alcance da conquista individual. Você acredita que universidades e profissionais formados deveriam participar mais ativamente da preparação de jovens de comunidades com menos acesso à informação? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

