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Obras perto de Regensburg revelam presa de 2,5 metros e mais de 70 ossos de mamute-lanoso processado por humanos há até 27 mil anos, enquanto marcas de ferramentas nas costelas mostram como caçadores-coletores retalharam a carcaça durante uma das fases mais frias da Era do Gelo
Escrito por Carla Teles
Publicado em 28/07/2026 às 16:06
Atualizado em 28/07/2026 às 16:07
Ciência e Tecnologia, Curiosidades
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Restos de um mamute-lanoso encontrados durante uma construção na Baviera incluem uma presa espiralada de 2,5 metros, mais de 70 ossos preservados e costelas com marcas de corte, evidências que aproximam pesquisadores da rotina de caçadores-coletores em uma paisagem gelada ligada ao antigo rio Danúbio há milênios na Europa Central.
Um mamute-lanoso que viveu entre 27 mil e 25 mil anos atrás foi encontrado durante obras realizadas perto de Regensburg, no estado alemão da Baviera. Descobertos em 2020, os restos incluem uma presa com aproximadamente 2,5 metros de comprimento e mais de 70 ossos e fragmentos preservados.
Segundo informações publicadas pelo HeritageDaily em 3 de junho de 2026, análises realizadas posteriormente identificaram marcas produzidas por ferramentas de pedra em várias costelas. As evidências indicam que caçadores-coletores do Paleolítico processaram a carcaça durante uma das etapas mais frias da última Era do Gelo.
Obras revelaram ossos preservados pela água
Os restos do mamute-lanoso apareceram em uma área de construção próxima a Regensburg, no sul da Alemanha. Além da grande presa espiralada, foram recuperados ossos e fragmentos pertencentes a diferentes partes do esqueleto.
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As condições alagadas do terreno ajudaram a limitar a deterioração do material ao longo de milhares de anos. A umidade constante criou um ambiente favorável à conservação, permitindo que pesquisadores examinassem não apenas a anatomia do animal, mas também sinais deixados por pessoas que tiveram contato com a carcaça.
Todos os restos pertenciam ao mesmo animal
As análises concluíram que os materiais pertenciam a um único exemplar de Mammuthus primigenius, espécie conhecida como mamute-lanoso. O animal era um adulto jovem e teria alcançado aproximadamente três metros de altura na região dos ombros.
A descoberta de tantos elementos associados ao mesmo indivíduo permitiu uma interpretação mais completa do contexto. Em vez de ossos isolados transportados por rios ou espalhados ao longo do tempo, os cientistas encontraram partes de uma carcaça que aparentemente permaneceram próximas do local da morte.
Antigo canal do Danúbio pode ter protegido a carcaça
Os ossos apresentavam poucos indícios de deslocamento provocado pela água. Também não havia sinais expressivos de consumo por grandes predadores, circunstâncias que ajudaram a reconstruir o que ocorreu depois da morte do animal.
A hipótese é que o mamute-lanoso tenha morrido perto de uma poça rasa ou de um canal de correnteza lenta conectado ao antigo Danúbio. O corpo teria ficado parcialmente protegido nesse ambiente, reduzindo a dispersão do esqueleto e favorecendo a preservação dos vestígios.
Datação posicionou o mamute na fase mais fria
A datação por radiocarbono indicou que o animal viveu entre aproximadamente 27 mil e 25 mil anos atrás. Esse intervalo corresponde a uma fase extremamente fria da glaciação de Würm, quando geleiras avançaram e modificaram grande parte da paisagem europeia.
As temperaturas baixas tornavam a sobrevivência humana especialmente difícil em regiões da Europa Central. A presença de marcas produzidas por pessoas sugere que grupos humanos continuavam explorando recursos locais, mesmo quando o clima impunha restrições severas à mobilidade e à disponibilidade de alimentos.
Marcas nas costelas indicam uso de ferramentas
O elemento mais importante da descoberta está nas marcas de corte observadas em diversas costelas. O formato e a posição desses sinais indicam que ferramentas de pedra foram utilizadas para remover carne ou separar tecidos da carcaça.
Uma das costelas pode ter servido como apoio durante o corte de carne. Esse detalhe sugere uma atividade organizada ao redor do animal e oferece uma imagem rara do processamento de um mamute-lanoso por caçadores-coletores do Paleolítico.
Descoberta não confirma que humanos caçaram o animal
Embora os ossos demonstrem que pessoas retalharam a carcaça, os pesquisadores ainda não determinaram como o mamute morreu. Não foram apresentadas evidências suficientes para concluir que ele tenha sido abatido por caçadores.
O animal pode ter sido caçado, morrido por causas naturais ou ficado preso em uma área alagada antes de ser encontrado pelos grupos humanos. A distinção é importante porque marcas de corte comprovam o aproveitamento da carcaça, mas não revelam necessariamente a causa da morte.
Pólen reconstruiu uma paisagem sem florestas
Grãos de pólen preservados nos sedimentos ajudaram a identificar a vegetação existente quando o mamute viveu. A região não era coberta pelas florestas encontradas atualmente em partes da Baviera.
O ambiente era formado principalmente por gramíneas, ervas e arbustos anões, com poucas ou nenhuma árvore. Essa paisagem integrava a chamada estepe dos mamutes, um ecossistema frio e produtivo habitado por mamutes, bisontes, cavalos e outros grandes herbívoros.
Estepe fornecia recursos em ambiente extremo
Apesar das baixas temperaturas, a vegetação rasteira conseguia sustentar grandes populações de herbívoros. Esses animais representavam fontes importantes de carne, gordura, ossos, couro e outros materiais para comunidades humanas.
O processamento do mamute-lanoso mostra como os caçadores-coletores podiam aproveitar oportunidades oferecidas pela paisagem. Uma única carcaça de grande porte teria potencial para fornecer recursos valiosos em um período marcado pelo frio intenso e por deslocamentos difíceis.
Vestígios humanos são raros no sul da Alemanha
Restos de mamutes não aparecem com frequência no sul alemão, e sinais de atividade humana desse período são ainda mais incomuns. A combinação entre ossos bem preservados, datação precisa e marcas de ferramentas torna o achado particularmente relevante.
Pesquisadores discutem há décadas se muitos grupos humanos abandonaram áreas da Europa Central quando as temperaturas caíram e as geleiras avançaram. O mamute encontrado perto de Regensburg indica que pelo menos algumas pessoas permaneceram ou circularam pela região durante esse período hostil.
Achado amplia a história da ocupação humana
A descoberta mostra que grupos paleolíticos conheciam a paisagem, encontravam grandes animais e conseguiam processar carcaças em condições climáticas extremas. Esses vestígios ajudam a preencher uma etapa da história europeia com poucos registros arqueológicos disponíveis.
O estudo também aproxima diferentes áreas de pesquisa, como arqueologia, paleontologia, geologia e análise ambiental. A interpretação do mamute-lanoso depende tanto das marcas nos ossos quanto da posição do esqueleto, dos sedimentos, do pólen e da antiga dinâmica do Danúbio.
Uma carcaça preservou sinais de sobrevivência
A presa de 2,5 metros produz impacto visual, mas são os pequenos cortes nas costelas que transformam o achado em evidência direta da presença humana. Eles registram uma ação ocorrida há dezenas de milhares de anos e mostram pessoas utilizando os recursos disponíveis em uma paisagem congelada.
Ainda permanece sem resposta se aqueles caçadores mataram o animal ou encontraram o corpo depois de sua morte. Você acredita que o mamute foi caçado ou que a carcaça foi aproveitada por acaso? Compartilhe sua interpretação nos comentários e explique qual hipótese considera mais provável.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

