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Túnel colossal de 8,4 km no Rio atravessa serra para levar água do rio e ajudar a abastecer até 1,8 milhão de pessoas com vazão de 5.100 litros por segundo
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/07/2026 às 18:18
Curiosidades
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Sob uma serra fluminense, uma estrutura quase invisível conecta paisagens, reservatórios e cidades por um percurso pouco conhecido, enquanto a engenharia desse caminho subterrâneo revela como relevo, água e abastecimento urbano se encontram longe dos olhos de milhões de moradores da Região Metropolitana.
Escondido sob a Serra dos Cristais, no estado do Rio de Janeiro, o Túnel de Tocos percorre 8.430 metros para conduzir águas do Rio Piraí até a Represa de Lajes, atravessando uma barreira montanhosa que separa áreas de drenagem distintas.
Ao cruzar esse divisor natural de bacias hidrográficas, a passagem subterrânea integra um sistema responsável por levar água a municípios da Região Metropolitana, inclusive parte da capital fluminense, sem aparecer na paisagem cotidiana de quem depende desse abastecimento.
Túnel de Tocos atravessa 8,4 quilômetros sob a serra
Segundo a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, a Cedae, o túnel possui 8.430 metros e transpõe a Serra dos Cristais, permitindo que parte das águas do Piraí alcance a Represa de Lajes por dentro da rocha.
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Além de vencer o relevo, essa ligação alimenta o Sistema Integrado Ribeirão das Lajes, cuja unidade de tratamento opera com vazão média de 5.100 litros por segundo e pode atender até 1,8 milhão de habitantes, conforme informa a companhia.
Distribuída entre Itaguaí, Japeri, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados e parte do município do Rio de Janeiro, essa população recebe água por uma rede que conecta o rio, o reservatório, o tratamento e grandes adutoras instaladas em diferentes pontos.
Águas do Rio Piraí chegam à Represa de Lajes
Antes de alcançar a etapa de tratamento, as águas provenientes do Piraí entram no Túnel de Tocos, atravessam a serra e chegam à Represa de Lajes, onde se juntam às contribuições de outros cursos de água da mesma bacia.
Entre esses afluentes estão os rios Lajes, Pires, Bálsamo, Ponte de Zinco, Passa Vinte, da Prata e Palmeiras, que formam uma rede natural associada ao reservatório e ampliam o volume disponível para o sistema de abastecimento.
Depois de passar pelo conjunto ligado à Usina Hidrelétrica de Fontes Nova, o fluxo é captado em um canal de seção retangular conhecido como calha da Cedae, estrutura com 1.313 metros de extensão utilizada pelo Sistema Integrado Ribeirão das Lajes.
Na sequência, a água segue para a unidade de tratamento e, após essa etapa, entra em duas grandes adutoras de concreto armado, cada uma com 1.750 milímetros de diâmetro, responsáveis por conduzi-la até o Reservatório do Pedregulho, em São Cristóvão.
Passagem subterrânea cruza o divisor de bacias
Embora tenha extensão comparável à de um longo percurso urbano, o Túnel de Tocos permanece inteiramente sob uma área montanhosa, sem veículos, passageiros ou iluminação de tráfego, porque sua função é transportar água entre dois lados da serra.
O aspecto mais incomum da obra está justamente na travessia do divisor de bacias, formação do relevo que separa áreas onde a chuva escoa em direções diferentes e alimenta rios pertencentes a sistemas hidrográficos distintos.
Ao perfurar a Serra dos Cristais, a estrutura criou uma ligação direta entre o Rio Piraí e a Represa de Lajes, conectando pontos separados naturalmente pela montanha e incorporando essa passagem a uma rede muito maior de captação e distribuição.
Mais do que os 8,4 quilômetros escavados na rocha, o percurso completo reúne reservatório, canal de captação, unidade de tratamento, adutoras, instalações de armazenamento e estruturas de distribuição espalhadas por diferentes áreas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Represa de Lajes integra uma rede de grande escala
Com 338,8 quilômetros quadrados, a bacia associada à Represa de Lajes ocupa uma área superior a oito vezes o tamanho da Floresta da Tijuca, dimensão que ajuda a revelar a escala territorial ligada ao funcionamento desse sistema hídrico.
Ao redor do reservatório, uma reserva ecológica reúne aproximadamente 270 milhões de metros quadrados preservados, ambiente diretamente relacionado à proteção dos mananciais que alimentam a represa e sustentam parte da infraestrutura de abastecimento fluminense no estado.
Longe dos bairros densamente ocupados, a vegetação e os cursos de água do entorno formam uma paisagem preservada que se conecta, por meio de túneis, canais e adutoras, aos centros urbanos atendidos diariamente pelo sistema.
Mesmo depois de atravessar o Túnel de Tocos, a água ainda percorre várias etapas antes de chegar aos consumidores, passando pela represa, pela captação, pelo tratamento, pelo transporte em grandes tubulações e pelas estruturas responsáveis pela distribuição local.
Sistema Ribeirão das Lajes acompanha o crescimento urbano
A história dessa rede acompanha a expansão da demanda por abastecimento no Rio de Janeiro, já que o Sistema Integrado Ribeirão das Lajes entrou em operação com a conclusão de sua primeira adutora, quando a cidade ainda era o Distrito Federal.
Mais tarde, uma segunda adutora ampliou o fornecimento e reforçou a regularidade do sistema, reduzindo a dependência de estruturas mais sujeitas às variações sazonais dos mananciais utilizados pela população urbana da então capital federal naquele período.
As duas linhas foram projetadas para transportar, juntas, até 456 mil metros cúbicos de água a cada 24 horas, volume dividido igualmente entre as adutoras e suficiente para demonstrar a dimensão da infraestrutura construída para atender uma metrópole em crescimento.
Na implantação dessas tubulações, foram usados tubos de concreto armado com 2,40 metros de diâmetro total, 1,75 metro de diâmetro interno e peso aproximado de 10 toneladas por unidade, números que evidenciam a escala física do sistema.
Infraestrutura subterrânea permanece fora da paisagem
Dentro desse conjunto, o túnel é a estrutura que supera diretamente a barreira geográfica, atravessando a Serra dos Cristais sem aparecer na superfície e mantendo uma conexão hídrica entre áreas que o relevo montanhoso separa naturalmente.
Diferentemente de pontes, barragens ou estradas, quase toda a obra permanece invisível para quem circula pela região, já que apenas suas entradas indicam os extremos de um corredor que se prolonga por quase 8,5 quilômetros dentro da rocha.
Por esse caminho oculto passa parte da água usada em residências, estabelecimentos comerciais, serviços públicos e outras atividades urbanas, embora o trajeto desapareça para o consumidor atrás de torneiras, caixas-d’água, tubulações locais e redes de distribuição.
Quantas pessoas imaginam que parte da água utilizada na Região Metropolitana atravessa uma montanha por um corredor subterrâneo de 8,4 quilômetros, integra um sistema de grande escala e percorre várias estruturas antes de finalmente chegar às cidades?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

