3 min de leitura
Borboletas-monarca recebem transmissores com alimentação solar e passam a ter migração acompanhada em tempo real
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 28/07/2026 às 22:21
Ciência e Tecnologia
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Borboletas-monarca passam a ser acompanhadas em tempo real por etiquetas solares com Bluetooth, permitindo mapear rotas, paradas e efeitos ambientais.
Uma etiqueta leve o suficiente para ser transportada por uma borboleta e conectada por Bluetooth está mudando a maneira como cientistas acompanham a migração de insetos. Pesquisadores das universidades de Miami e Princeton começaram a monitorar borboletas-monarca em tempo real durante deslocamentos pela América do Norte, reduzindo a dependência de estimativas baseadas somente em avistamentos posteriores.
Desenvolvidos pela Cellular Tracking Technologies, os transmissores são fixados sobre o dorso das borboletas-monarca e utilizam pequenas células fotovoltaicas para gerar a energia necessária ao funcionamento.
Dessa forma, dispensam baterias convencionais e, conforme informa a empresa, permanecem ativos durante todo o ciclo de vida do inseto. Aparelhos compatíveis que estejam próximos, inclusive celulares, podem reconhecer o sinal.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Rastreamento de insetos preenche lacunas antigas
Até agora, boa parte do conhecimento sobre a migração das monarcas dependia de registros visuais e do encontro posterior de indivíduos marcados. Esse método indicava pontos isolados, mas deixava grandes trechos do percurso sem informação.
Com a nova tecnologia, os pesquisadores reúnem posições sucessivas e formam mapas mais detalhados. Isso permite investigar locais de parada, desvios e mudanças possivelmente associadas às condições ambientais.
A pesquisa reúne conhecimentos de áreas distintas. Neil Rosser, biólogo evolucionista da Universidade de Miami, trabalha com borboletas, enquanto Isla Duporge, pesquisadora de pós-doutorado em Princeton, atua com drones, inteligência artificial e tecnologias de monitoramento.
Viagem continental desafia a ciência
A cada ciclo migratório, as borboletas-monarca cruzam milhares de quilômetros rumo ao México após deixarem o norte dos Estados Unidos e o Canadá. Embora nunca tenham feito esse trajeto antes, conseguem chegar às áreas de invernagem.
Ainda existem dúvidas sobre orientação, quantidade de rotas e diferenças entre grupos migratórios e populações residentes. O rastreamento de insetos poderá comparar esses comportamentos a partir de dados coletados em muitos animais.
Etiqueta solar amplia o tempo de observação
O tamanho reduzido do transmissor é essencial para não impedir o deslocamento. A ausência de uma bateria convencional também evita que a coleta termine apenas porque a fonte de energia acabou.
A tecnologia não depende de uma estação única. Sempre que um dispositivo habilitado estiver próximo, o sinal poderá ser identificado, permitindo registrar novos trechos do percurso realizado pelo inseto.
Novos testes ainda deverão medir cobertura, regularidade e desempenho em diferentes condições. Mesmo assim, a solução oferece uma forma de observar movimentos que antes desapareciam entre dois avistamentos.
Rastreamento de insetos pode chegar aos gafanhotos
A equipe avalia que o mesmo princípio poderá ser adaptado para libélulas, gafanhotos e outros animais pequenos. Em estudos ecológicos, isso permitiria analisar dispersão, ocupação do ambiente e respostas a mudanças locais.
Para os gafanhotos, o sistema também poderia ajudar a acompanhar enxames destrutivos. Informações mais precisas revelariam direção, velocidade e alcance desses agrupamentos.
Ao permitir o rastreamento em tempo real das borboletas-monarca, a tecnologia inaugura uma nova forma de estudar os deslocamentos de pequenos insetos e poderá ser aplicada futuramente a outras espécies.
Assista o vídeo
Com informações da CNN Brasil
Fonte
CNN Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

